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Brasil cria 85 mil empregos formais em outubro, mas ritmo desacelera em meio a juros altos

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O Brasil registrou 85.147 novos empregos com carteira assinada em outubro, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado nesta quinta-feira, 27 de novembro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo positivo mostra que o mercado de trabalho continua gerando vagas, mas em velocidade menor do que a observada nos meses anteriores.

Ao todo, foram 2,27 milhões de contratações e 2,18 milhões de demissões ao longo do mês. Em setembro, o país havia gerado mais do que o dobro de vagas, e em outubro do ano passado o resultado também havia sido mais forte. Nos últimos 12 meses, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o Brasil criou 1,35 milhão de empregos formais, número inferior ao do período anterior, quando o total superou 1,79 milhão.

Número de empregos formais cresce em outubro.
Com o resultado, o país alcançou 48,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior estoque da série histórica, mas a desaceleração no ritmo de geração preocupa o governo | Foto: Reprodução / Wikimedia

Serviços e comércio sustentam saldo positivo, enquanto indústria e agro recuam

A criação de empregos ficou concentrada em poucos setores. O de serviços, que engloba áreas como educação, transporte, atendimento e saúde, abriu 82.436 vagas e foi o principal responsável pelo crescimento em outubro. O comércio também teve bom desempenho e finalizou o mês com 25.592 novos postos.

Em sentido oposto, a indústria perdeu 10.092 vagas, a agropecuária registrou saldo negativo de 9.917 empregos, e a construção civil encerrou o mês com queda de 2.875 vagas. Esses setores vêm enfrentando redução de demanda e dificuldade de crédito, fatores que afetam diretamente as contratações.

O comportamento regional foi mais favorável, já que 21 dos 27 estados registraram saldo positivo. São Paulo ficou com a maior criação de empregos em números absolutos, seguido pelo Distrito Federal e por Pernambuco. Na comparação proporcional ao estoque de empregos, o Distrito Federal liderou, avançando 1,5%.

Salário de contratação sobe e mulheres ocupam a maioria das vagas

O salário médio de admissão chegou a R$ 2.304,31, valores 0,8% maior do que o registrado em setembro. Trabalhadores contratados em vagas tradicionais receberam, em média, R$ 2.348,20, enquanto aqueles que entraram em contratos considerados não típicos, como trabalho intermitente ou jornada reduzida, tiveram salário médio de R$ 1.974,07.

As mulheres foram responsáveis por grande parte das novas contratações, com 65.913 vagas, especialmente no setor de serviços. Os homens preencheram 19.234 postos. A participação dos jovens também foi expressiva: pessoas entre 18 e 24 anos responderam por mais de 80 mil contratações, e adolescentes de até 17 anos somaram 23.586 novos vínculos formais.

Esses grupos costumam ocupar funções de atendimento ao público, vendas, alimentação, comércio e atividades gerais, áreas que seguem com alta demanda mesmo em períodos de desaceleração econômica.

Ministro atribui ritmo menor a juros altos e pede mudança na política do Banco Central

A queda no ritmo de criação de empregos reacendeu a discussão sobre o impacto da taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central do Brasil (BC). Em 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, patamar considerado alto pelo governo.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a política atual de juros está “segurando investimentos” e dificultando a expansão das empresas. Para ele, o custo elevado do crédito faz com que negócios adiem projetos e reduzam contratações.

Marinho disse que desde o meio do ano alerta para o risco de desaceleração da economia. Segundo ele, quando os juros permanecem muito altos por um período longo, “a economia começa a perder força até parar”, o que acaba afetando diretamente o mercado de trabalho. O ministro defendeu que o Banco Central reveja sua estratégia para estimular o crescimento e evitar novas quedas no ritmo de contratações.

Apesar da desaceleração, o governo considera que o mercado de trabalho continua mostrando resistência. No entanto, a continuidade desse movimento depende da recuperação do crédito, da redução dos juros e da retomada do investimento privado.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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