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Taxa de desemprego repete mínima histórica no Brasil; entenda

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A taxa de desemprego no Brasil se manteve em 5,6% no trimestre encerrado em setembro de 2025, repetindo a mínima histórica registrada nos dois trimestres anteriores, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 30 de outubro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice representa cerca de 6 milhões de pessoas desocupadas no país.

O resultado veio levemente acima da mediana das estimativas de mercado, que esperavam 5,5%. Há um ano, o mesmo trimestre registrava 6,4%, o que indica melhora significativa no mercado de trabalho.

De acordo com o economista sênior do Inter, André Valério, o dado mostra um mercado ainda aquecido, mas próximo de um ponto de estabilidade. “Vemos o terceiro mês consecutivo de estabilidade, o que sugere que não há muito espaço para continuar caindo”, afirmou em entrevista ao InfoMoney.

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Comércio aquecido e aumento de empregos formais refletem estabilidade do mercado de trabalho brasileiro mesmo em cenário de juros altos | Foto: Reprodução/Canva
Comércio aquecido e aumento de empregos formais refletem estabilidade do mercado de trabalho brasileiro mesmo em cenário de juros altos | Foto: Reprodução/Canva

Emprego formal sustenta o resultado

O relatório do IBGE aponta que o emprego formal cresceu 2,7% em relação a 2024, enquanto o emprego informal apresentou retração de 4%. Segundo Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, a melhora dos índices está diretamente ligada à formalização do trabalho e à reabertura de vagas com carteira assinada.

Os rendimentos médios também avançaram. No mercado formal, houve alta de 2%, enquanto no informal o crescimento foi de 6,5%, ambos acima da inflação acumulada no período, que ficou em 4,8%, segundo o IPCA (Índice de preços ao consumidor).

Apesar da desaceleração na criação de vagas observada no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho, o número de novas admissões segue positivo. Até setembro, o Brasil registrou 1,57 milhão de novos empregos com carteira assinada, um aumento de 0,5% em relação ao mesmo período de 2024.

Contexto macroeconômico influencia o cenário

A estabilidade do índice ocorre em meio a um ambiente econômico desafiador. A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o que encarece o crédito e tende a desacelerar a abertura de novas vagas. Mesmo assim, o país mantém um nível de atividade considerado robusto.

De acordo com o economista Igor Cadilhac, do PicPay, os indicadores mostram que o Banco Central deve seguir cauteloso na política monetária. “Os dados sugerem uma demanda ainda aquecida, com o hiato do produto se fechando mais lentamente. Esperamos que o ritmo de desaceleração se intensifique apenas em 2026”, afirmou em nota.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,9% no segundo trimestre de 2025, na comparação com o trimestre anterior, segundo o IBGE. O resultado reforça a leitura de que a economia segue sustentando o emprego, mesmo com juros elevados.

Demografia e qualificação ajudam a manter índices baixos

Um dos fatores que explicam a manutenção da taxa em patamar historicamente baixo é a mudança demográfica no mercado de trabalho. Conforme aponta o pesquisador Daniel Buarque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o envelhecimento da população ativa e o aumento da qualificação profissional contribuem para a menor rotatividade e maior estabilidade nas ocupações.

“O trabalhador brasileiro está mais velho e mais qualificado do que há 10 ou 20 anos. Isso ajuda a manter o desemprego baixo, pois há menos pessoas ingressando no mercado e mais estabilidade no emprego formal”, explicou Buarque.

O Brasil possui atualmente 100,6 milhões de pessoas ocupadas, número recorde na série histórica do IBGE. Desse total, cerca de 37,3 milhões têm carteira assinada, enquanto 25,2 milhões atuam por conta própria.

Para o economista Leonardo Costa, da ASA Investments, os dados sinalizam que o mercado de trabalho atingiu seu ponto de equilíbrio. “O desemprego pode ter chegado ao piso estrutural, e daqui em diante devemos ver uma leve reversão, embora gradual”, avaliou.

O Inter projeta que a taxa de desemprego deve encerrar 2025 em 5,5%, enquanto a XP Investimentos estima média anual de 6%, com possibilidade de alta no início de 2026 devido à desaceleração econômica.

Ainda assim, o cenário é considerado positivo em comparação aos últimos anos. Em 2021, a taxa de desocupação chegou a 13,7%, o equivalente a cerca de 14,8 milhões de pessoas sem trabalho, conforme o IBGE. Desde então, a melhora contínua reflete tanto a retomada pós-pandemia quanto o avanço de setores de serviços, construção civil e tecnologia.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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