IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

O que aconteceu com Nicolás Maduro e como fica o poder na Venezuela?

Por

·

A captura de Nicolás Maduro, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, abriu um novo capítulo na crise política venezuelana. O episódio envolve acusações criminais antigas, uma operação militar sem precedentes recentes na América Latina e uma disputa aberta de narrativas entre Washington e Caracas sobre legalidade, soberania e poder.

Segundo o governo dos Estados Unidos, Maduro foi capturado na madrugada de 3 de janeiro, durante uma operação militar conduzida em Caracas, capital da Venezuela.

Captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores
A ação, chamada de Operação Resolução Absoluta, teria sido planejada por meses e envolveu aeronaves, tropas especiais e agências de inteligência americanas | Foto: Reprodução / Wikimedia

De acordo com autoridades americanas, o objetivo foi cumprir mandados judiciais já existentes contra o presidente venezuelano, acusado de crimes como conspiração para tráfico internacional de drogas, associação com grupos armados e posse ilegal de armamentos. Esses processos tramitam na Justiça dos EUA há mais de uma década, e Maduro figura formalmente como réu há pelo menos seis anos.

Após a captura, ele e a esposa, Cilia Flores, foram levados para o território americano e apresentados a um tribunal federal em Nova York. Na primeira audiência, Maduro se declarou inocente, afirmou continuar sendo o presidente legítimo da Venezuela e classificou a ação como um sequestro internacional.

Do ponto de vista jurídico americano, a prisão foi apresentada como uma operação de aplicação da lei. Já para o governo venezuelano e seus aliados, trata-se de uma violação direta da soberania nacional.

A resposta do governo venezuelano e a sucessão no poder

Horas após a divulgação da prisão, a Suprema Corte do país declarou que, diante da “ausência forçada” do presidente, a vice-presidente Delcy Rodríguez deveria assumir interinamente a chefia do Estado, conforme previsto na Constituição.

Rodríguez tomou posse em cerimônia na Assembleia Nacional e passou a exercer funções executivas, mantendo também o cargo de ministra do Petróleo (cargo equivalente ao do ministro de Minas e Energia brasileiro, por exemplo). O movimento foi rapidamente respaldado pelo ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, que declarou apoio das Forças Armadas à presidente interina.

Esse apoio militar é considerado decisivo, já que, na Venezuela, a sustentação do governo depende diretamente do alinhamento entre o poder político e o alto comando das Forças Armadas. Até o momento, não há sinais públicos de ruptura interna nesse setor.

Ao mesmo tempo, Rodríguez condenou formalmente a ação dos EUA, classificando-a como ilegal e ilegítima, e reafirmou que Maduro segue sendo o presidente constitucional do país.

O papel dos Estados Unidos e a disputa de narrativas

O presidente americano Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão supervisionar a Venezuela até que ocorra uma “transição segura e criteriosa”. No entanto, não foram apresentados prazos, regras claras ou um modelo definido de transição.

Declarações posteriores do governo americano indicaram que Washington, capital dos EUA, não pretende administrar o dia a dia do país, mas manter controle sobre áreas estratégicas, especialmente o setor de petróleo e o bloqueio a embarcações sancionadas.

Essas falas geraram incerteza e críticas internacionais, já que sugerem uma intervenção prolongada em um Estado soberano, algo sensível do ponto de vista do direito internacional.

Como a oposição venezuelana reagiu?

A oposição, que já se encontrava fragmentada, apresentou posições divergentes. A principal líder da oposição venezuelana e símbolo da resistência ao governo de Nicolás Maduro, María Corina Machado, defendeu que Edmundo González, reconhecido por alguns países como vencedor das eleições de 2024, deveria assumir imediatamente o governo.

No entanto, o governo americano não demonstrou confiança em relação à capacidade da oposição de formar um governo estável no curto prazo, o que enfraqueceu a possibilidade de uma transição imediata liderada por esse grupo.

Repercussão internacional e riscos regionais

A prisão de Maduro provocou reações em diferentes partes do mundo. Países como Brasil, Chile, Colômbia, México, Espanha e Uruguai divulgaram notas conjuntas alertando para os riscos do uso da força e para o precedente perigoso que a ação pode representar na América Latina.

View this post on Instagram

A post shared by Governo do Brasil (@govbr)

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a operação como inaceitável e destacou a necessidade de respeitar a soberania venezuelana. A União Europeia pediu moderação e diálogo.

Aliados do governo venezuelano, como China, Rússia, Irã e Cuba, condenaram a operação de forma mais dura, classificando-a como agressão armada. Cuba afirmou que cidadãos cubanos morreram durante os ataques, o que elevou ainda mais a tensão diplomática.

O que pode acontecer a partir de agora?

Do ponto de vista interno, a permanência de Delcy Rodríguez no comando depende da manutenção do apoio militar e da capacidade administrativa do governo interino. Externamente, o futuro da Venezuela será influenciado pelas decisões judiciais envolvendo Maduro nos EUA, pelas sanções econômicas e pelo posicionamento da comunidade internacional.

Para a população venezuelana, o impacto imediato é mais um período de incerteza política somado a uma crise econômica já prolongada. Independentemente das narrativas em disputa, os próximos meses devem ser decisivos para redefinir o equilíbrio de poder no país e suas relações com o restante do mundo

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade