IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Ataque em escola no Canadá reacende debate sobre impacto econômico e social da violência armada

Por

·

Um ataque a tiros deixou ao menos oito pessoas mortas em uma escola de ensino médio e em uma residência na cidade de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, oeste do Canadá, na última terça-feira, 10 de fevereiro. A suspeita do crime também foi encontrada morta, enquanto outras vítimas permanecem hospitalizadas.

Ataque em escola no Canadá traz debates sobre o custo da violência
O episódio, considerado um dos mais letais da história recente do país, voltou a chamar atenção para os efeitos sociais e financeiros da violência com armas de fogo | Foto: Reprodução / Canva

Seis vítimas foram encontradas dentro da escola e duas em uma casa ligada ao caso. Autoridades locais informaram que outras pessoas sofreram ferimentos graves e leves. As aulas foram suspensas temporariamente, alterando a rotina da pequena comunidade, que tem cerca de 2,4 mil moradores.

Massacres dessa dimensão são considerados incomuns no Canadá, país que mantém regras rigorosas para aquisição e posse de armas de fogo. O contraste com outras regiões do mundo evidencia como episódios desse tipo provocam impactos que vão além da segurança pública, alcançando áreas como saúde, produtividade econômica e assistência social.

Violência armada gera custos prolongados para governos e sociedade

Ataques com armas de fogo costumam exigir respostas imediatas do sistema público, incluindo atendimento hospitalar, acompanhamento psicológico, reforço na segurança e programas de suporte para famílias atingidas.

No Brasil, onde a violência armada ocorre com maior frequência, ferimentos provocados por disparos consumiram R$ 556 milhões em recursos federais destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2015 e 2024, de acordo com o levantamento do Instituto Sou da Paz.

Somente em 2024, os gastos chegaram a R$ 42,3 milhões, valor direcionado ao atendimento de aproximadamente 15,8 mil internações, segundo o estudo baseado em informações do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

A pesquisa também aponta que o tratamento dessas vítimas costuma exigir mais recursos. O custo médio de cada internação causada por arma de fogo foi de R$ 2.680 em 2024, quantia 159% superior ao gasto federal médio com outros tipos de atendimentos hospitalares no mesmo período.

Redução de atendimentos não elimina peso financeiro

O número de hospitalizações por disparos apresentou queda ao longo da última década no Brasil. Em 2015, foram registrados cerca de 24 mil atendimentos. Em 2024, o volume recuou para 15,8 mil casos.

Apesar da diminuição, o impacto financeiro permanece significativo. O levantamento do instituto aponta que o gasto médio anual com esse tipo de atendimento foi de R$ 56,6 milhões nos últimos dez anos, refletindo a complexidade dos tratamentos e a necessidade de cuidados prolongados.

Além das despesas médicas, existem custos indiretos, como afastamento do trabalho, reabilitação física e tratamento psicológico, fatores que podem comprometer a renda familiar e reduzir a produtividade econômica.

Alta taxa de mortalidade amplia perdas sociais

Outro aspecto que eleva o impacto da violência armada é o elevado índice de letalidade. Segundo o Ministério da Saúde, ao longo da última década, o número de mortes provocadas por armas de fogo no Brasil manteve-se aproximadamente duas vezes superior ao total de internações.

Em 2024, foram registradas 29,9 mil mortes relacionadas a disparos, número inferior ao pico observado em 2017, quando o país contabilizou quase 50 mil vítimas. Mortes precoces geram perdas econômicas expressivas, principalmente pela redução da força de trabalho e pelo aumento da demanda por assistência social destinada às famílias atingidas.

Regras sobre armas influenciam frequência dos ataques

O Canadá tem uma legislação considerada mais restritiva para controle de armamentos, já que a compra de fuzis de assalto, por exemplo, é proibida, e o processo para obtenção de licenças envolve avaliações detalhadas.

Dados do projeto internacional Small Arms Survey sobre armas e violência armada indicam que o país possui cerca de 35 armas de fogo para cada 100 habitantes. Nos Estados Unidos, essa proporção ultrapassa 120 unidades para o mesmo número de moradores, cenário frequentemente associado à maior incidência de ataques em massa. Isso porque políticas mais rígidas tendem a reduzir a frequência desses episódios e, consequentemente, os custos sociais e econômicos associados à violência.

Comunidades pequenas enfrentam impactos ampliados

Em cidades de menor porte, como Tumbler Ridge, os efeitos de tragédias costumam ser ainda mais intensos. O fechamento temporário de escolas altera rotinas familiares, compromete serviços locais e amplia a necessidade de investimentos em segurança e apoio psicológico.

As autoridades canadenses ainda investigam as motivações do ataque, mas o caso já reforça debates sobre estratégias capazes de reduzir episódios violentos e seus efeitos econômicos e sociais de longo prazo.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade