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Bolsa Família não afasta mulheres do trabalho e pode ajudar economia a crescer, aponta estudo do FMI

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Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), organismo internacional que analisa a economia global e orienta políticas públicas, concluiu que o Bolsa Família não reduz a participação das mulheres no mercado de trabalho, contrariando uma crítica frequente ao programa social brasileiro.

Bolsa Família não afasta mulheres do trabalho
A pesquisa mostra que o benefício não desestimula o emprego na maior parte dos casos, embora exista uma redução temporária entre mães com filhos pequenos, principalmente de até seis anos | Foto: Reprodução / Canva

Criado para transferir renda a famílias de baixa renda, o Bolsa Família é hoje o principal programa social do Brasil, atendendo milhões de lares e tendo como foco combater a pobreza e garantir condições básicas, como alimentação, saúde e educação.

Segundo o levantamento do FMI, a menor presença feminina no emprego formal ou informal não ocorre devido ao benefício em si, mas está ligada principalmente à necessidade de cuidar dos filhos e da casa, uma responsabilidade que ainda recai mais sobre as mulheres no país.

Cuidado com os filhos pesa mais que o benefício

O estudo identificou que o principal fator que afasta mulheres do trabalho é o nascimento dos filhos. Conforme os dados, metade das mães deixa de trabalhar fora até dois anos depois do nascimento do primeiro filho, o que demonstra que a dificuldade está relacionada à falta de apoio, como creches acessíveis e rede de cuidados.

Além disso, o levantamento revela uma diferença significativa na divisão das tarefas domésticas. Em média, as mulheres dedicam cerca de dez horas a mais por semana do que os homens ao trabalho não remunerado dentro de casa, incluindo limpeza, organização e cuidados com familiares.

Essa sobrecarga dificulta a permanência ou o retorno ao emprego, principalmente nos primeiros anos de vida das crianças, período em que a demanda por cuidados é maior. O próprio FMI aponta que ampliar o acesso a creches e estimular políticas de apoio à maternidade pode ajudar a aumentar a presença feminina no mercado, reduzindo esse afastamento.

Mulheres são maioria entre responsáveis pelo Bolsa Família

Outro dado importante mostra que as mulheres são as principais responsáveis pela gestão do dinheiro nas famílias beneficiadas. Segundo o estudo, cerca de 85% dos lares que recebem o Bolsa Família têm uma mulher como chefe de família.

Isso significa que são elas que decidem como o recurso será utilizado, geralmente priorizando despesas essenciais, como alimentação, material escolar, roupas e cuidados com os filhos. Essa característica é considerada positiva por especialistas, porque aumenta as chances de o benefício ser aplicado diretamente na melhoria das condições de vida da família.

Além disso, o fato de o valor ser pago diretamente à mulher ajuda a fortalecer sua autonomia financeira, mesmo quando ela não está empregada formalmente.

Maior participação feminina pode impulsionar a economia

O estudo também destaca que aumentar a presença das mulheres no mercado pode gerar efeitos positivos para toda a economia brasileira. Segundo os cálculos do FMI, se a diferença entre a participação masculina e feminina no mercado cair de 20 para 10 pontos percentuais, o crescimento econômico do país pode aumentar em cerca de 0,5 ponto percentual até 2033.

Isso acontece porque mais pessoas trabalhando significa maior produção, mais consumo e aumento da renda das famílias, o que movimenta diversos setores.

Além disso, quando mais mulheres conseguem trabalhar, há redução da dependência de programas sociais no longo prazo, já que as famílias passam a ter maior autonomia financeira. Esse cenário também contribui para melhorar indicadores sociais, como educação e qualidade de vida.

Bolsa Família ajuda, mas não resolve todos os desafios

O FMI conclui que o Bolsa Família cumpre um papel importante no combate à pobreza sem causar efeitos negativos relevantes sobre o emprego feminino. No entanto, o estudo ressalta que o programa, sozinho, não é suficiente para resolver todas as barreiras que dificultam o acesso das mulheres ao trabalho.

  • Entre os principais desafios apontados estão:
  • Falta de creches públicas suficientes;
  • Diferenças salariais entre homens e mulheres;
  • Dificuldade de conciliar trabalho e maternidade;
  • Alta carga de tarefas domésticas.

Por isso, o relatório recomenda que o país invista em políticas complementares, como expansão da rede de educação infantil e incentivo à igualdade salarial. Essas medidas podem ajudar mais mulheres a entrar ou retornar ao mercado, aumentando a renda familiar e fortalecendo a economia.

Impacto vai além do emprego

Além dos efeitos econômicos, o estudo mostra que o Bolsa Família tem impacto social relevante, pois reduz a pobreza, melhora a alimentação e contribui para que crianças permaneçam na escola.

Ao garantir uma renda mínima, o programa permite que muitas famílias tenham mais estabilidade, mesmo em períodos de dificuldade econômica. Para o FMI, esse tipo de política social pode caminhar junto com o crescimento econômico, desde que seja acompanhado por investimentos que ampliem as oportunidades de trabalho.

O levantamento reforça que o desafio não está no programa social, mas na necessidade de criar condições para que as mulheres possam trabalhar com segurança e apoio, especialmente durante os primeiros anos de vida dos filhos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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