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Correios colocam 21 imóveis à venda e miram arrecadar até R$ 1,5 bilhão com plano de reestruturação

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Os Correios iniciaram uma nova etapa do seu plano de reestruturação e já colocaram à venda 21 imóveis próprios em diferentes estados do país. Os primeiros leilões estão marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro, em formato digital, com participação aberta a pessoas físicas e jurídicas.

A iniciativa faz parte de um conjunto de medidas voltadas à reorganização das contas da estatal, que enfrenta dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos. A expectativa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro com a venda de ativos imobiliários que não estão sendo utilizados nas operações.

Correios coloca imóveis à venda em reestruturação
Segundo a empresa, os recursos obtidos serão direcionados para reforçar o caixa, investir na estrutura logística e garantir a continuidade dos serviços no longo prazo | Foto: Reprodução / Divulgação / Correios

Imóveis espalhados pelo país e valores variados

Nesta primeira fase, os 21 imóveis já estão liberados para negociação imediata. Outros bens considerados ociosos seguem em fase de preparação para futuras ofertas.

As propriedades estão localizadas nos estados da Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. A lista inclui prédios administrativos, áreas operacionais desativadas, terrenos, galpões, lojas e unidades funcionais.

Os valores iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, o que abre espaço tanto para pequenos investidores quanto para empresas interessadas em estruturas maiores. A estatal afirma que a venda desses imóveis não altera a prestação dos serviços postais à população.

Os editais, fotos, regras de participação e o calendário completo estão disponíveis nos canais oficiais da companhia.

Plano para enfrentar déficits e modernizar a estatal

A alienação dos imóveis (transferência da propriedade para outra pessoa ou instituição) é apenas uma das frentes do plano de reestruturação anunciado no fim de dezembro. O objetivo central é reduzir os déficits registrados desde 2022 e reorganizar financeiramente a companhia.

Entre as medidas previstas está o fechamento de cerca de 16% das agências próprias, com aproximadamente mil unidades entre as seis mil existentes, além da implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV).

O PDV é uma iniciativa que permite ao funcionário se desligar da empresa de forma voluntária, recebendo incentivos financeiros. A meta é alcançar até 15 mil adesões até 2027. Segundo a direção dos Correios, a economia anual estimada com a redução do quadro pode chegar a R$ 2,1 bilhões.

Três etapas para reorganizar a empresa

O plano foi estruturado em três fases principais:

1. Recuperação de liquidez (curto prazo):
Liquidez é a capacidade de pagar compromissos financeiros no prazo. Nessa etapa, a estatal utiliza recursos captados por empréstimos para manter as operações funcionando e melhorar indicadores de qualidade.

2. Reorganização e modernização (médio prazo):
Inclui metas de produtividade a partir de 2026, revisão de planos de previdência, venda de imóveis, modernização da logística e fechamento de unidades deficitárias, respeitando a obrigação legal de universalização do serviço postal, ou seja, a garantia de atendimento em todo o território nacional.

3. Modernização estrutural (longo prazo):
Envolve a contratação de consultoria externa para estudar alternativas de reorganização societária. Uma das possibilidades é transformar a companhia em empresa de economia mista, modelo no qual parte do capital pertence ao governo e parte a investidores privados.

Privatização está descartada, mas parcerias são avaliadas

Apesar das discussões sobre mudanças no formato da empresa, a direção afirmou que não há proposta de privatização no momento. Atualmente, os Correios são 100% públicos. A ideia em análise é a possibilidade de parcerias específicas, inclusive societárias, em áreas como serviços financeiros e seguridade. Empresas de economia mista, como a Petrobras e o Banco do Brasil, são exemplos de modelos semelhantes, nos quais o governo mantém controle, mas há participação de investidores privados.

Empréstimo bilionário e desafio no caixa

Para reforçar a estrutura financeira, a estatal contratou em dezembro um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos. Ainda assim, a direção busca alternativas para levantar outros R$ 8 bilhões necessários para equilibrar as contas até 2026.

Um diagnóstico interno apontou déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025.

Patrimônio líquido negativo significa que as dívidas superam o valor dos ativos da empresa, situação que exige ajustes rápidos para evitar agravamento do quadro.

Impacto para a população

Embora as medidas incluam fechamento de agências e redução de despesas, a companhia afirma que o compromisso com a entrega de cartas e encomendas em todo o país será mantido. A reestruturação busca tornar a empresa mais eficiente e preparada para competir em um mercado cada vez mais disputado, especialmente com o avanço do comércio eletrônico e a entrada de operadores privados no setor logístico.

Para quem acompanha o cenário econômico, o movimento dos Correios representa um esforço de ajuste semelhante ao que ocorre em grandes empresas públicas quando enfrentam desequilíbrios financeiros: venda de ativos, corte de despesas, reorganização operacional e busca por novas fontes de receita.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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