O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ajudou a alavancar o mercado imobiliário brasileiro, que alcançou resultados históricos em 2025, mesmo com os juros elevados. Ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, avanço de 10,6% em relação ao ano anterior. Já o número de imóveis vendidos chegou a 426.260, alta de 5,4%, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O setor registrou forte crescimento, com aumento nos lançamentos e nas vendas, ampliando o acesso à moradia, principalmente para famílias de renda menor. Criado pelo governo federal, o Minha Casa, Minha Vida oferece financiamento com condições facilitadas, como taxas de juros menores e prazos mais longos para pagamento. Isso permite que famílias que vivem de aluguel ou ainda não têm imóvel próprio consigam comprar a casa própria.

Mercado movimenta mais de R$ 260 bilhões em vendas
O desempenho positivo também aparece no volume financeiro movimentado. O Valor Geral de Vendas, indicador que soma o total negociado, atingiu R$ 264,2 bilhões em 2025. Já o Valor Geral de Lançamentos, que representa o valor estimado dos imóveis novos, chegou a R$ 292,3 bilhões.
Esses números mostram que o setor segue forte, mesmo com a taxa básica de juros, chamada Selic, em 15% ao ano. A Selic é o principal índice usado como referência para empréstimos e financiamentos. Quando está elevada, as parcelas ficam mais caras, o que normalmente dificulta a compra. Ainda assim, o interesse dos compradores se manteve elevado.
Recursos do FGTS ampliam financiamentos habitacionais
Um dos fatores que ajudaram o avanço foi o aumento dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), valor depositado mensalmente pelas empresas em nome dos trabalhadores com carteira assinada e que pode ser usado na compra do imóvel.
Em 2025, os recursos destinados ao financiamento habitacional somaram R$ 142,3 bilhões, o maior volume já registrado. Esse dinheiro é essencial para garantir crédito com condições mais acessíveis, principalmente dentro do Minha Casa, Minha Vida.
O impacto foi mais intenso em regiões como Sudeste e Norte, onde o programa respondeu por mais da metade das vendas no fim do ano.
Ritmo de vendas mostra força da procura por imóveis
O mercado manteve ritmo acelerado, especialmente nos últimos meses do ano. Somente no quarto trimestre, foram comercializadas 109.439 unidades, movimentando R$ 67,2 bilhões, o que representa uma média de 1.215 imóveis vendidos por dia no país.
Além disso, a quantidade de imóveis disponíveis cresceu 8% e terminou o ano com mais de 347 mil unidades prontas para venda. Esse aumento da oferta ajuda a atender a demanda de famílias interessadas em comprar.
Queda dos juros pode facilitar a compra da casa própria
As perspectivas para 2026 são favoráveis, principalmente por causa da expectativa de redução da taxa Selic. Quando os juros diminuem, o financiamento fica mais barato, o que facilita a aprovação do crédito e reduz o valor das parcelas.
Além disso, metade dos brasileiros afirma que pretende comprar um imóvel nos próximos dois anos, segundo levantamento do setor. Os principais motivos são sair do aluguel, ter mais espaço e conquistar independência.
O governo também pretende ampliar o número de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida, o que deve manter o programa como peça-chave para o setor. Com crédito mais acessível e alta procura, o cenário deve continuar positivo, aumentando as oportunidades para famílias que desejam conquistar o primeiro imóvel.


