O cenário digital brasileiro em 2026 assemelha-se a um campo de batalha onde as estatísticas são as primeiras vítimas. Os dados da SaferNet Brasil, apresentados no 18º Dia da Internet Segura, em fevereiro, revelam uma realidade brutal: um aumento de 54% nos crimes de ódio e uma explosão de 224,9% nos casos de misoginia online. Este fenômeno não ocorre no vácuo; ele ecoa nos corredores do poder e nos consultórios de psiquiatria, exigindo uma resposta que transite entre a lei e a sala de aula.
Em recente viagem à Espanha, o presidente Lula elevou o tom contra a falta de restrições nas mídias sociais. Ao lado de Pedro Sánchez, o líder brasileiro foi enfático: a violência digital deve ter a mesma punição aplicada à violência no mundo real. Para Lula, a ausência de regras permite que as big techs instituam uma era de “colonialismo digital”, onde dados são monetizados para concentrar poder nas mãos de bilionários.

Para o médico psiquiatra Dr. Paulo Rezinski, o que estamos vivenciando é uma “síndrome de patologia social”. Em sua análise, ele utiliza a analogia médica para explicar que o ódio “ao diferente” é um sintoma subjetivo, enquanto as agressões e exclusões são sinais objetivos dessa “doença” social.
Rezinski aponta que a raiz dessa patologia está na transformação da diferença natural em uma “diferença patológica”, alimentada por um sentimento de superioridade e pelo desejo de subordinar o próximo.


