Filha do ditador Alberto Fujimori chega ao poder na quarta tentativa
A eleição representa a primeira vitória de Keiko Fujimori depois de três derrotas consecutivas em disputas presidenciais. Esta foi sua quarta candidatura ao cargo e também a primeira realizada após a morte de seu pai, Alberto Fujimori, em 2024.
Keiko, de 51 anos, lidera o partido Força Popular e construiu sua trajetória política ligada ao legado do ex-presidente peruano. Alberto Fujimori governou o Peru entre 1990 e 2000. Em 1992, fechou o Congresso, suspendeu a Constituição, interveio no Poder Judiciário e passou a governar por decreto com apoio das Forças Armadas. O episódio ficou conhecido como “autogolpe” e marcou o início de um regime ditatorial. Posteriormente, ele foi condenado por crimes contra a humanidade e corrupção, permanecendo cerca de 16 anos preso.
Durante a campanha, Keiko voltou a defender o legado político do pai, principalmente na área econômica e no combate à violência. Ao mesmo tempo, sua candidatura manteve vivo o debate sobre o período em que Alberto Fujimori esteve no poder, lembrado por apoiadores pela estabilização da economia e pelo enfrentamento ao grupo Sendero Luminoso, mas também criticado pelas violações de direitos humanos, pelo autoritarismo e por casos de corrupção.
A trajetória política da nova presidente também foi marcada por investigações judiciais. Ela chegou a ser acusada de lavagem de dinheiro em um processo relacionado à construtora brasileira Odebrecht e permaneceu presa por mais de um ano. Em 2025, porém, o Tribunal Constitucional arquivou o caso, decisão que permitiu sua candidatura nas eleições deste ano.

