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Plano Brasil Soberano: governo reduz regras e amplia crédito a empresas

O governo federal ampliou o alcance do Plano Brasil Soberano, programa criado para apoiar empresas brasileiras afetadas por choques econômicos internacionais. A principal mudança, que entrou em vigor nesta segunda-feira, 8 de junho, reduz de 5% para 1% o percentual mínimo de impacto no faturamento necessário para que empresas solicitem financiamento por meio das linhas especiais de crédito do programa.

Na prática, a alteração permite que um número significativamente maior de empresas tenha acesso aos recursos disponibilizados pelo governo e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fortalecendo setores produtivos afetados pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos econômicos decorrentes dos conflitos no Oriente Médio.

Plano Brasil Soberano, o que é?

O Plano Brasil Soberano foi criado para diminuir os impactos econômicos provocados pelas sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e por outras instabilidades internacionais que afetam o comércio exterior do país.

O objetivo é preservar empregos, manter a competitividade das empresas e estimular investimentos produtivos. Em sua nova fase, o programa conta com R$ 15 bilhões em recursos adicionais, administrados pelo BNDES, destinados a financiar empresas estratégicas para a economia brasileira.

As taxas de juros variam conforme o perfil do projeto, utilizando indexadores competitivos atrelados à Taxa de Longo Prazo (TLP) ou taxas fixas para investimentos em inovação.

Nova fase do Plano Brasil Soberano flexibiliza regras de financiamento para proteger a indústria brasileira e os exportadores afetados por crises internacionais | Foto: Reprodução/ Pexels
Nova fase do Plano Brasil Soberano flexibiliza regras de financiamento para proteger a indústria brasileira e os exportadores afetados por crises internacionais | Foto: Reprodução/ Pexels

Quem pode ser beneficiado?

As novas regras ampliam o acesso para empresas enquadradas nos grupos 1 e 3 do programa.

Grupo 1: empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos

Inclui:

  • Exportadores de bens industriais;
  • Fornecedores dessas empresas;
  • Negócios impactados pelas tarifas aplicadas pelos EUA.

Entre os setores contemplados estão:

  • Aço;
  • Alumínio;
  • Cobre;
  • Automotivo;
  • Moveleiro.

Grupo 3: exportadores com operações no Oriente Médio

Podem participar empresas exportadoras e fornecedores que mantêm relações comerciais com países da região afetados pelos conflitos geopolíticos, incluindo:

  • Arábia Saudita;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Catar;
  • Bahrein;
  • Kuwait;
  • Omã;
  • Iraque;
  • Irã.

Grupo 2: setores estratégicos da indústria brasileira

As regras deste grupo permanecem inalteradas. São contempladas empresas consideradas essenciais para a competitividade nacional, como:

  • Têxtil;
  • Químico;
  • Farmacêutico;
  • Automotivo;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Eletrônicos e informática;
  • Borracha e plástico;
  • Equipamentos de transporte;
  • Minerais críticos.

Mudanças nas regras

A principal mudança nas regras foi a flexibilização do critério de elegibilidade. Pois antes era necessário comprovar impacto mínimo de 5% no faturamento bruto e agora basta comprovar impacto de 1% no faturamento bruto para solicitar acesso às linhas de crédito.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a mudança busca ampliar a proteção às empresas brasileiras diante das turbulências econômicas globais.

Financiamentos disponíveis

O Plano Brasil Soberano oferece recursos para diversas necessidades empresariais:

  • Capital de giro;
  • Produção destinada à exportação;
  • Compra de máquinas e equipamentos;
  • Ampliação da capacidade produtiva;
  • Modernização industrial;
  • Investimentos em inovação tecnológica;
  • Adaptação de produtos e processos produtivos.

Para projetos de investimento, os financiamentos podem chegar a prazos de até 20 anos, com período de carência de até quatro anos. Para mitigar o risco de crédito e facilitar a aprovação dos contratos, as operações contam com o suporte de fundos garantidores parceiros, reduzindo a exigência de garantias reais pesadas por parte das empresas.

Como solicitar o crédito?

As empresas dos grupos 1 e 3 devem realizar uma consulta de elegibilidade por meio da plataforma oficial do programa, utilizando certificado digital vinculado à conta Gov.br da empresa. Após a validação, o sistema informa quais linhas de crédito podem ser acessadas.

Já as empresas do grupo 2 precisam verificar se sua Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) está entre os setores contemplados pela regulamentação federal.

Após a confirmação da elegibilidade, a recomendação é procurar a instituição financeira parceira com a qual a empresa já possui relacionamento ou, em operações de maior valor, buscar atendimento diretamente junto ao BNDES.

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