Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, a proporção de crianças de 10 a 13 anos com telefone celular para uso pessoal apresentou queda no Brasil. O dado, divulgado nesta quinta-feira, 2 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma mudança inédita no comportamento das famílias diante da crescente preocupação com os riscos do ambiente digital e a exposição precoce às telas.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), 55,2% das crianças nessa faixa etária possuíam celular, contra 56,7% no ano anterior.
Essa foi a única faixa de idade que registrou retração na posse do aparelho em todo o país. Em todas as demais idades analisadas, o percentual permaneceu estável ou apresentou crescimento.

Segurança digital em primeiro lugar
O IBGE destaca que, entre os responsáveis pelas crianças que não possuem o dispositivo, a preocupação com segurança e privacidade foi o motivo mais citado. O dado indica que os pais estão revendo o momento adequado para entregar o primeiro smartphone aos filhos.
O recuo reflete um cenário de maior conscientização sobre os impactos do uso precoce de eletrônicos. Nos últimos anos, o debate ganhou força com alerta de profissionais de saúde e discussões sobre a proibição de celulares em ambientes escolares.
Entre os principais fatores que têm adiado a compra do aparelho estão o receio com:
- Cyberbullying e contato com conteúdos inadequados;
- Exposição a golpes virtuais e coleta de dados pessoais;
- Impactos na saúde mental e prejuízos ao aprendizado.
Brasil bate recorde de conectividade
Apesar do recuo pontual entre o público infantil, o panorama mostra que o Brasil segue acelerando na inclusão digital. O uso da internet no país ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 90% da população com 10 anos ou mais.
Os números da Pnad TIC:
- 167,4 milhões de brasileiros possuem celular próprio (89,8% da população acima de 10 anos);
- 97,4% dos domicílios do país contam com pelo menos um telefone móvel;
- Evolução rápida: Em dois anos, o total de pessoas com celular saltou de 87,6% para os atuais 89,8%.
Por outro lado, cerca de 19,1 milhões de pessoas ainda não têm celular no país. Para este grupo, o principal empecilho é não saber usar o aparelho (31,1%), seguido pela falta de necessidade (21,1%) e pelo custo elevado do equipamento (14,9%).
Mudança de comportamento
Na avaliação de especialistas e analistas de mercado, a retração observada exclusivamente entre as crianças não sinaliza um retrocesso na digitalização do país, mas sim um amadurecimento das decisões de consumo.
A tendência aponta para um mercado onde os critérios de maturidade, segurança e supervisão parental passaram a vir antes do impulso de compra, abrindo espaço para o crescimento de ferramentas de controle digital e softwares de proteção familiar.


