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Uso celular recua pela primeira vez entre crianças de 10 a 13 anos, aponta IBGE

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Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, a proporção de crianças de 10 a 13 anos com telefone celular para uso pessoal apresentou queda no Brasil. O dado, divulgado nesta quinta-feira, 2 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma mudança inédita no comportamento das famílias diante da crescente preocupação com os riscos do ambiente digital e a exposição precoce às telas.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), 55,2% das crianças nessa faixa etária possuíam celular, contra 56,7% no ano anterior.

Essa foi a única faixa de idade que registrou retração na posse do aparelho em todo o país. Em todas as demais idades analisadas, o percentual permaneceu estável ou apresentou crescimento.

Pela primeira vez, proporção de crianças de 10 a 13 anos com celular próprio recuou no país, chegando a 55,2% em 2025 | Foto: Reprodução/ Pexels
Pela primeira vez, proporção de crianças de 10 a 13 anos com celular próprio recuou no país, chegando a 55,2% em 2025 | Foto: Reprodução/ Pexels

Segurança digital em primeiro lugar

O IBGE destaca que, entre os responsáveis pelas crianças que não possuem o dispositivo, a preocupação com segurança e privacidade foi o motivo mais citado. O dado indica que os pais estão revendo o momento adequado para entregar o primeiro smartphone aos filhos.

O recuo reflete um cenário de maior conscientização sobre os impactos do uso precoce de eletrônicos. Nos últimos anos, o debate ganhou força com alerta de profissionais de saúde e discussões sobre a proibição de celulares em ambientes escolares.

Entre os principais fatores que têm adiado a compra do aparelho estão o receio com:

  • Cyberbullying e contato com conteúdos inadequados;
  • Exposição a golpes virtuais e coleta de dados pessoais;
  • Impactos na saúde mental e prejuízos ao aprendizado.


Brasil bate recorde de conectividade

Apesar do recuo pontual entre o público infantil, o panorama mostra que o Brasil segue acelerando na inclusão digital. O uso da internet no país ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 90% da população com 10 anos ou mais.

Os números da Pnad TIC:

  • 167,4 milhões de brasileiros possuem celular próprio (89,8% da população acima de 10 anos);
  • 97,4% dos domicílios do país contam com pelo menos um telefone móvel;
  • Evolução rápida: Em dois anos, o total de pessoas com celular saltou de 87,6% para os atuais 89,8%.

Por outro lado, cerca de 19,1 milhões de pessoas ainda não têm celular no país. Para este grupo, o principal empecilho é não saber usar o aparelho (31,1%), seguido pela falta de necessidade (21,1%) e pelo custo elevado do equipamento (14,9%).

Mudança de comportamento

Na avaliação de especialistas e analistas de mercado, a retração observada exclusivamente entre as crianças não sinaliza um retrocesso na digitalização do país, mas sim um amadurecimento das decisões de consumo.

A tendência aponta para um mercado onde os critérios de maturidade, segurança e supervisão parental passaram a vir antes do impulso de compra, abrindo espaço para o crescimento de ferramentas de controle digital e softwares de proteção familiar.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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