Entrou em vigor às 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira, 22 de julho, a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A cobrança já havia sido oficializada na semana passada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e passa a valer para parte das exportações do Brasil.
A medida faz parte de uma investigação aberta pelo governo norte-americano após o anúncio do primeiro pacote de tarifas contra o Brasil, em julho de 2025.

Enquanto o governo brasileiro tenta reverter a decisão por meio de negociações, também prepara ações para reduzir os impactos sobre empresas e trabalhadores que dependem das exportações.
Por que os Estados Unidos criaram a nova tarifa?
A tarifa de 25% foi aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo usado pelo governo norte-americano para investigar e responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Desde junho deste ano, o governo dos EUA defendia a cobrança da nova taxa sobre produtos brasileiros. Mesmo após audiências públicas em que representantes da sociedade civil se manifestaram contra a medida, o USTR decidiu manter a cobrança.
Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos estão questionamentos sobre regras brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, concessão de patentes, combate à pirataria, mercado de etanol e ações contra o desmatamento ilegal. Segundo o órgão, esses fatores gerariam insegurança jurídica e concorrência considerada desleal para empresas americanas.
Durante as negociações, representantes brasileiros classificaram as exigências apresentadas pelos Estados Unidos como desfavoráveis para a indústria e o agronegócio nacionais. Também relataram dificuldades para avançar nas conversas por falta de clareza sobre os pedidos feitos pelo governo norte-americano.
Brasil aposta em negociação e busca novos mercados
Após a entrada em vigor da tarifa, o governo brasileiro informou que continuará buscando uma solução por meio do diálogo com os Estados Unidos. A estratégia também prevê ampliar a articulação com o setor produtivo para abrir novos mercados aos produtos brasileiros afetados e adotar medidas para reduzir os impactos sobre empresas exportadoras.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, reforçaram que o governo pretende manter as negociações.
Segundo Elias Rosa, o objetivo é continuar dialogando tanto com o governo norte-americano quanto com os setores atingidos no Brasil para encontrar alternativas diante da nova cobrança.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo trabalha com cautela. Segundo ele, o Brasil pretende proteger os setores afetados sem provocar novos aumentos de tarifas ou impactos nos preços para os consumidores.
Embora o governo tenha afirmado anteriormente que poderia recorrer à Lei da Reciprocidade, o discurso passou a ser de prudência. Alckmin também afirmou que a intenção não é adotar medidas de retaliação.
Nova cobrança sobre importações pode ampliar disputa comercial
Além da tarifa de 25% que começou a valer nesta quarta-feira, o governo dos Estados Unidos prepara uma nova cobrança sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o Brasil.
A previsão é que seja anunciada uma tarifa entre 10% e 12,5% sobre bens importados de 86 países, a partir da investigação sobre a possível utilização de trabalho forçado nas cadeias de produção.
A investigação também alcança os países da União Europeia e faz parte da estratégia do governo dos Estados Unidos para substituir outros mecanismos tarifários que tiveram seu uso limitado pela Suprema Corte americana.
Esse novo modelo pode aumentar a complexidade das disputas comerciais, já que, em cadeias globais de produção, é difícil comprovar se houve ou não utilização de trabalho forçado durante a fabricação dos produtos.


