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Mercado de trabalho avança pouco na América Latina; renda cresce 18% em 30 anos

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As condições do mercado de trabalho e dos trabalhadores melhoraram pouco nas últimas três décadas na América Latina. A renda real do trabalho cresceu apenas 18% no período, cerca de metade do ritmo registrado nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados estão no relatório “Fazer os mercados de trabalho funcionarem”, divulgado na última segunda-feira, três de agosto, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O estudo aponta alguns avanços no período, como a entrada de mais mulheres na força de trabalho, a redução da diferença entre homens e mulheres no mercado e o aumento do emprego formal, embora de maneira modesta.

SEgundo o estudo, as principais melhorias, porém, perderam ritmo desde meados da década de 2010 | Foto: Reprodução / Canva

A produtividade do trabalho, que indica quanto é produzido pelos trabalhadores, permanece praticamente estagnada há décadas na região. Segundo o relatório, são necessários quase quatro trabalhadores latino-americanos para produzir o mesmo que um trabalhador nos Estados Unidos.

Empresas pequenas concentram quase metade dos trabalhadores

A estrutura dos mercados de trabalho da América Latina também mudou pouco nas últimas décadas. Em 2024, 46% dos trabalhadores eram autônomos ou estavam empregados em microempresas. O relatório classifica as empresas pequenas e o trabalho por conta própria entre os segmentos de baixa produtividade.

O estudo também aponta a falta de empresas de médio porte na região, fenômeno chamado de “elo intermediário ausente”. Ao mesmo tempo, a informalidade continua muito presente e a estabilidade dos empregos é baixa.

Apenas cerca de 28% dos trabalhadores da América Latina têm o que o relatório chama de emprego “padrão”: uma ocupação assalariada em uma empresa privada com cobertura de seguridade social.

Segundo o BID, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da região nas últimas décadas ocorreu principalmente pela acumulação de fatores, e não por aumentos da produtividade geral.

O relatório também aponta que as habilidades dos trabalhadores estão defasadas em relação às demandas dos empregadores. David S. Kaplan, um dos autores do estudo, destacou a necessidade de atenção à formação profissional.

Mulheres avançaram, mas desigualdades permanecem

A entrada de mais mulheres na força de trabalho contribuiu para o aumento da participação no mercado nas últimas três décadas. A diferença entre homens e mulheres também diminuiu, enquanto o emprego formal cresceu, ainda que de maneira modesta.

Apesar desses avanços, o mercado de trabalho continua desigual entre diferentes grupos da população. O relatório identifica diferenças relacionadas a sexo, idade, escolaridade, origem étnica e deficiência no acesso ao emprego, à formalização e aos rendimentos.

Parte dessas diferenças está relacionada ao nível de escolaridade e à experiência. Ainda assim, o estudo aponta que permanecem desigualdades importantes relacionadas a gênero e grupo étnico mesmo quando são comparadas pessoas com o mesmo nível de educação e experiência.

Os baixos níveis de renda também são associados pelo relatório à baixa produtividade. O estudo afirma ainda que, em alguns casos, os trabalhadores não recebem integralmente a parte do valor que geram.

Tecnologia e envelhecimento trazem novos desafios

O mercado de trabalho da região também passa por mudanças relacionadas à tecnologia e à demografia. Novas formas de trabalho, como o teletrabalho e as atividades realizadas por plataformas digitais, estão se expandindo, mas ainda são limitadas e têm acesso desigual.

A automação também aumenta os riscos para os trabalhadores, segundo o relatório. Ao mesmo tempo, o bônus demográfico está chegando ao fim, enquanto o envelhecimento da população e o menor crescimento da força de trabalho aumentam a pressão sobre os sistemas de emprego, a produtividade e a proteção social.

O BID recomenda investimentos em formação profissional, seguridade social e sistemas de aposentadoria. O relatório também propõe medidas para incentivar as contratações.

Segundo o estudo, os desafios atuais se somam a problemas que permanecem há décadas nos mercados de trabalho da América Latina, como a baixa produtividade, a informalidade, a desigualdade entre grupos e a concentração de trabalhadores em empresas pequenas e no trabalho por conta própria.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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