Prejuízos no setor
Atualmente, estima-se que cerca de metade dos produtores de leite no Rio Grande do Sul foram afetados pelas recentes inundações. As estradas bloqueadas e as mais de 50 pontes destruídas ou danificadas prejudicaram significativamente a logística de coleta de matéria-prima.
De acordo com Guilherme Portella, presidente do Sindilat e diretor da Lactalis, a captação de leite já sofreu uma queda de 30% devido às chuvas. Para contornar essa situação, a indústria local e as cooperativas estão se mobilizando para encontrar alternativas de transporte.
Em alguns casos, quando um laticínio não consegue acessar determinada área, empresas concorrentes com acesso por rotas alternativas assumiram a responsabilidade de coletar o leite, demonstrando uma colaboração essencial para evitar uma queda ainda maior na captação de matéria-prima.
Além dos desafios logísticos, os problemas no fornecimento de energia elétrica estão causando sérios impactos no setor leiteiro. Sem eletricidade, produtores e indústrias dependem de geradores para manter o leite resfriado.
No entanto, quando não há equipamentos disponíveis ou quando o combustível dos geradores se esgota, não resta outra opção senão descartar o leite. Estimativas preliminares indicam que a indústria deixou de receber entre 3 e 4 milhões de litros de leite por dia no estado.
Para lidar com esses desafios, o Sindilat solicitou ao Ministério da Agricultura e à Secretaria da Agricultura do estado uma flexibilização das regras para coleta de leite e inspeção de produtos de origem animal. Essa medida ajudou a reduzir os prejuízos em cerca de 10%, conforme relatado por Portella.
Apesar dos esforços para minimizar os impactos das inundações na atividade, muitos produtores perderam infraestrutura essencial para a produção, incluindo galpões, ordenhadeiras, tanques, pastagem e até mesmo parte do rebanho.


