Mal podíamos esperar que as classes que há dez anos tiveram desconto sobre as linhas brancas, seriam taxadas na compra das ‘blusinhas’, através das gigantes Shopee, AliExpress e Shein, após uma votação simbólica, mas ainda sim, com efeitos, da cobrança de impostos sobre a importação. Mas o quê isso significa na vida familiar?
Do que temos, a inclusão de 20% sobre os produtos comprados por qualquer pessoa, no valor de até US$ 50, o que amplia o pagamento de tributações, pois já existe a taxa de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 17%, jogando pra cima a taxação final. Resumo: a conta fica maior.
Quer ver só? 50 dólares são hoje cerca de R$265. Aqui, o tributo incide no total, incluindo, sem deixar de somar, o frete. Já o ICMS é calculado por dentro, e deixa de ficar 17%, finalizando a conta em 20,48%.
É muito número? Sim, mas isso reflete no seu dia a dia, por entender que comprar aquele item que tanto quer e parece barato, sairá mais caro. E a pergunta que fica é só uma: vai valer mais a pena comprar por aqui ou do ‘’estrangeiro’’?

Uma camisa que saia a R$90 com frete de R$10, já com o ICMS, fica com R$120. Após o aumento dos impostos, a mesma compra de R$90 sai em R$100, anexados os impostos, fica R$144.
25 reais te fazem falta, não faz? Paga-se, ao menos, um litro de leite, um quilo de açúcar e feijão, os básicos dos básicos.
É preciso nivelar, novamente, os preços do comércio brasileiro – que tanto lutou para que a lei ‘andasse’ – e entender quais serão os benefícios (se é que existirão) com uma aquisição ‘made in Brazil’. Do contrário, o que se fez foi mais espantar a clientela que gosta do BBB (bom, bonito e barato) tanto sobre a produção brasileira, quanto da que vem de fora.
Diminui-se a liberdade se comprar a preços mais acessíveis, ainda que um pouco mais demorados para chegar, e aumenta a correria por itens que logo pareçam mais ‘em conta’. Não por coincidência, brasileiros correram às prateleiras virtuais para suas últimas compras que coubessem no bolso.
Num resumo ainda mais econômico, quem paga não são as ‘gigantes’, mas sim, você, consumidor ou empreendedor de pequeno porte.
Aumentar a taxação é mole, taxar jatinho ou diminuir o que se arrecada para a classe média baixa, não fazem.


