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Queda do número de filhos tem alguma relação com o futuro da economia?

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Em um contexto geral, como os especialistas explicam esse comportamento?

O resultado pode ser recorrente a uma série de traumas, que desencadeou alguns bloqueios. “Essas razões podem variar amplamente e são frequentemente influenciadas por fatores pessoais, sociais, econômicos, culturais e psicológicos.”, explica Ana Silvia Sanseverino Rennó, psicóloga clinica e professora universitária, mestre em síndrome de Burnout e especialista em ansiedade.

Fatores como violência doméstica, experiências de abuso sexual, físico e psicológico podem ser dominantes no momento da escolha entre gerar ou não uma criança. Além disso, os traumas psicológicos de infância ou eventos estressantes podem gerar uma percepção negativa sobre a capacidade de cuidar de uma criança, ou de lidar com as demandas da maternidade.

“Essas razões podem se sobrepor e variar de mulher para mulher, lembrando que a história de vida de cada uma, fará grande diferença na decisão de gestar e maternar”, afirma a psicóloga.

De acordo com Ricardo Vieira de Carvalho, formado em psicologia pela UNIP, treinado por Helder Kamei em psicologia positiva, os millennials (nascidos entre 1982 e 1994), são as principais pessoas em idade reprodutiva, mas vivem uma sequência de traumas:

Foi uma geração marcada por crise no começo da vida adulta até agora, o preparo e o estudo desta geração, que estudou e se preparou mais que as anteriores, não se traduziu em maior renda ou oportunidade de emprego, o que traz muita insegurança e revolta, que se exprime no senso da impossibilidade de ter filhos, pela pessoa se sentir incapaz de poder pagar as despesas de uma criança, para ter uma vida equivalente, bem visão de mundo hostil. A geração millennial e mais novas tem muita dificuldade de lidar com a frustração e problemas de relacionamento, o que dificulta a construção de relacionamentos maritais sólidos, que sejam mais propícios para a reprodução.

Além dos fatores citados pelos especialistas, atualmente, as mulheres têm conquistado outro lugar na sociedade, onde além de terem a liberdade de escolha sobre ter ou não filhos, estão lutando por suas carreiras e sonhos.

A psicóloga Aline Sampaio, explica que temos uma mudança da mulher na sociedade, desde uma dupla jornada, até a maternidade.

Hoje, elas priorizam a carreira e estar mais seguras em suas relações para gerar. Desejam um parceiro que faça uma boa troca, que possam confiar. Diante também dessas possibilidades e expectativas quanto à sua carreira, a maternidade acaba sendo mais tardia. Pois para instabilizar a carreira demanda um tempo. E a idade que normalmente vemos isso acontecer, é após 35 ou 40 anos. Pois, na atualidade a carreira tem cada vez mais demandas, você precisa estar cada vez mais preparado, tendo uma trajetória nesse caminho. Antes era só faculdade, hoje é pós-graduação, mestrado, doutorado e assim vai! Essa mudança já tem percepções desde a revolução industrial, acentuou com revolução feminista. E as mudanças do mercado de trabalho.

E onde ficam os homens nesse lugar?

“Homens também tiveram mudanças nesse período, eles também priorizam a carreira cada vez mais. Já faziam isso, mas eles ganharam mais cobranças no meio familiar, e na sociedade, por conta das questões femininas, eles precisam estar mais presentes como pais. Há estudos de décadas que indicam que eles sempre tiveram filhos mais tarde, pois por conta do contexto social, eles acabam amadurecendo mais tardiamente”, reflete Aline.

A psicóloga explica ainda com base em estudos, que os homens estavam desenvolvendo uma forma melhor de se inteirar com sua família, fazendo uma troca mais profunda, para isso precisa estar melhor resolvido com sua vida. “Vejo homens mais interativos, cuidando de seus filhos, trocando fraldas, dando alimentos, etc. Eles estão mais ativos nas rotinas diárias dos filhos. Algo que não víamos em décadas, pois isso era somente função das mães”, exemplifica.

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Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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