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Mulheres empreendedoras enfrentam taxas de juros mais altas que homens

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Um estudo recente do Sebrae, divulgado em agosto de 2024, trouxe à tona um problema que afeta diretamente o empreendedorismo feminino: as mulheres, ao buscar crédito para seus negócios, pagam em média 40% ao ano em taxas de juros, enquanto os homens enfrentam encargos menores, de 36%. A diferença, embora pareça pequena em números percentuais, representa uma enorme barreira na prática, refletindo a desigualdade de gênero no mercado financeiro.

Desigualdade de gênero no empreendedorismo

Desigualdade de gênero impacta o acesso ao crédito, mas a educação financeira é um caminho para mudar esse cenário.


Mulheres
Desigualdade de gênero impacta o acesso ao crédito, mas a educação financeira é um caminho para mudar esse cenário. Foto: Reprodução/Canva

A desigualdade de gênero no mundo dos negócios não é um tema novo, mas a diferença nas taxas de juros pagas por mulheres empreendedoras chama a atenção por reforçar ainda mais essa disparidade. Segundo o levantamento do Sebrae, as mulheres encontram maiores dificuldades na hora de conseguir financiamento para seus projetos, seja devido a uma percepção enviesada de risco por parte das instituições financeiras, seja por falta de informação sobre as melhores opções de crédito disponíveis.

Além disso, a exclusão financeira de mulheres é mais um reflexo de um sistema que ainda prioriza o homem como o perfil ideal de empreendedor. De acordo com a consultora Júlia Lázaro, especialista em Planejamento Financeiro, essa situação é injusta e precisa ser combatida. Ela ressalta que não há justificativas objetivas para que mulheres paguem taxas de juros mais altas do que os homens em condições similares de crédito. “Não há razões concretas para impor às mulheres empreendedoras taxas de juros mais elevadas”, afirma.

Educação financeira: chave para a mudança

Uma das soluções apontadas por especialistas, como Júlia Lázaro, para reverter essa desigualdade é a promoção da educação financeira entre as mulheres. Com mais conhecimento sobre o funcionamento do mercado financeiro, as empreendedoras podem se preparar melhor para identificar as melhores linhas de crédito e entender quais delas são mais vantajosas para seus negócios.

“Com educação financeira, a mulher empreendedora vai saber, por exemplo, identificar diferentes linhas de crédito disponíveis no mercado. Isso possibilita que ela veja qual linha se encaixa às suas necessidades e qual oferece melhores condições”, explica Júlia. Além disso, o conhecimento possibilita que as empreendedoras argumentem e negociem taxas de juros mais justas, não aceitando propostas que as desfavoreçam por conta de seu gênero.

A especialista também ressalta a importância de as mulheres não terem receio de negociar. Se elas perceberem que o fato de serem mulheres está influenciando negativamente a análise de risco e as taxas impostas, devem questionar e buscar alternativas. Esse empoderamento só é possível através do acesso à educação financeira.

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Empreendedorismo feminino e o impacto social

A educação financeira, além de permitir uma maior autonomia nas negociações, tem o potencial de impulsionar o empreendedorismo feminino de forma mais ampla. A consultora Júlia Lázaro, que também é sócia fundadora e CEO da fintech Mitfokus, especializada em soluções financeiras para negócios da área de saúde, destaca que a promoção do conhecimento financeiro entre as mulheres é essencial para que elas possam assumir o controle de seus negócios e obter sucesso em suas empreitadas.

A Mitfokus, inclusive, tem se dedicado a oferecer cursos e palestras voltados ao planejamento financeiro para mulheres empreendedoras, ajudando-as a tomar decisões mais conscientes e assertivas em relação às finanças de seus negócios. Para Júlia, esse é o caminho para que mais mulheres alcancem a tão necessária autonomia financeira e para que o mercado reconheça o potencial das empreendedoras, oferecendo condições mais justas e equitativas para o crescimento de seus negócios.

O desafio da desigualdade entre homens e mulheres

Embora o cenário ainda seja desafiador para muitas mulheres, especialmente aquelas que estão começando suas trajetórias no mundo dos negócios, iniciativas voltadas para a educação e conscientização financeira podem ser o primeiro passo para reduzir a disparidade de gênero no empreendedorismo. A luta por equidade nas condições de financiamento é um reflexo de um problema estrutural mais amplo, que precisa ser enfrentado não apenas pelas empreendedoras, mas também pelas instituições financeiras e pelos formuladores de políticas públicas.

A desigualdade no acesso ao crédito afeta diretamente a capacidade de crescimento dos negócios liderados por mulheres. Sem o apoio financeiro adequado, muitas delas acabam desistindo de empreender ou enfrentam dificuldades para expandir seus projetos. Assim, além de garantir educação financeira para mulheres, é fundamental que o setor financeiro como um todo reveja suas políticas de concessão de crédito, promovendo uma análise mais justa e equilibrada entre gêneros.

A diferença nas taxas de juros entre homens e mulheres empreendedoras reflete uma desigualdade de gênero ainda presente no mercado financeiro. Embora seja um desafio significativo, a promoção da educação financeira pode ajudar as mulheres a enfrentar esse cenário com mais segurança e conhecimento, permitindo que negociem condições mais justas e consigam empreender com mais autonomia.

A educação financeira é uma ferramenta poderosa para que as mulheres possam se posicionar melhor no mercado, exigindo seus direitos e recusando condições que as coloquem em desvantagem. Iniciativas como as da fintech Mitfokus, liderada por Júlia Lázaro, mostram que o caminho para a igualdade de condições passa pelo conhecimento e pela conscientização.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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