Saiba como o Índice Equus de Precificação da Selic (IEPS) analisa as probabilidades de alteração da Selic
O Boletim Focus, elaborado pelo Departamento de Relacionamento com Investidores do Banco Central, divulga semanalmente o resultado de uma pesquisa com 120 instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos, utilizando a mediana dessas estimativas.

No caso da Selic, essa metodologia baseada na mediana dificulta determinar a probabilidade exata atribuída pelo mercado para cada previsão, conforme observado por Felipe Uchida, head do departamento de análises quantitativas e sócio da Equus Capital.
Paralelamente, a Equus Capital elabora semanalmente o Índice Equus de Precificação da Selic (IEPS), utilizando Inteligência Artificial para coletar e analisar dados para estimar a probabilidade indicada pelo mercado de alteração na próxima reunião do Copom.
O que deve acontecer no próximo Copom?
Atualmente, o IEPS indica uma probabilidade de aumento de 50 pontos-base de 63,9%, frente aos 64,1% da semana anterior e aos 15,0% precificado pelo mercado no dia anterior à última reunião do Copom, como aponta Uchida.
Esta semana, houve uma redução no número de contratos em aberto no mercado de opções de Copom, passando de 27.490 para 26.832. O IEPS indica uma probabilidade de 63,9% de aumento de 50 pontos-base (0,5%) da taxa Selic.
“Nesta semana, o mercado foi impactado por dados robustos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, indicando uma economia forte, com aumento dos salários e queda do desemprego. No cenário externo, a alta do petróleo, alimentada pelas tensões no Oriente Médio, também trouxe preocupações inflacionárias. Diante desse contexto, o IEPS prevê uma probabilidade de 63,9% uma alta de 50 pontos-base (0,5%) na Selic na próxima reunião do COPOM.” explica.
Origem do nome Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. O nome “Selic” é a abreviação de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, utilizado pelo Banco Central para registrar as operações de compra e venda de títulos públicos federais entre os participantes do mercado financeiro.
Essa taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e serve como referência para diversas operações financeiras no país. A Selic influencia diretamente o custo do crédito, os investimentos financeiros, a inflação e o controle da oferta de moeda na economia.
Basicamente, quando o Copom aumenta a taxa Selic, o objetivo é conter a inflação, reduzindo o consumo e os investimentos. Por outro lado, quando reduz a Selic, busca estimular a atividade econômica, aumentando o consumo e os investimentos.
Quem faz parte do Copom?
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne a cada 45 dias, ou seja, aproximadamente 8 vezes ao ano. Essas reuniões têm o objetivo de definir a taxa básica de juros da economia, a Selic, que é um instrumento essencial para controlar a inflação e influenciar o crescimento econômico do país.
A estrutura do Copom inclui membros da alta cúpula do Banco Central. O comitê é composto pelo presidente do Banco Central e pelos oito diretores da instituição, que representam áreas como política econômica, política monetária, regulação e fiscalização. Todos têm direito a voto nas decisões.
As reuniões do Copom ocorrem em dois dias consecutivos. No primeiro dia, os membros apresentam as análises sobre a conjuntura econômica, tanto nacional quanto internacional, como inflação, atividade econômica e variáveis do mercado financeiro. No segundo dia, os membros discutem essas análises e votam na definição da Selic. A decisão sai publicamente logo após o término da reunião.
Essa periodicidade regular das reuniões e a composição técnica do comitê garantem que as decisões sejam baseadas em uma visão ampla e bem fundamentada da economia, o que promove a estabilidade financeira do país.


