A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice representa um crescimento de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, quando estava em 6,1%.
Com isso, o número de brasileiros desocupados subiu para 7,5 milhões, um aumento de 10,4% (mais 701 mil pessoas) na comparação trimestral. Apesar da alta recente, o dado ainda representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o desemprego atingia 8,1 milhões de pessoas.
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Menos vagas e informalidade em alta
O levantamento do IBGE também aponta que a população ocupada encolheu, somando 102,7 milhões de trabalhadores no período, uma queda de 1,2% em comparação ao trimestre anterior. Isso significa que menos pessoas estão conseguindo se manter no mercado de trabalho.
A taxa de informalidade continua sendo um desafio para o país. Atualmente, 38,1% da população ocupada trabalha sem carteira assinada ou em atividades sem registro formal, o que equivale a 39,1 milhões de brasileiros. Esse número cresceu em relação ao mesmo período de 2024, quando a informalidade atingia 38,7% da população.
Setor privado e público sentem os impactos do desemprego
Entre os trabalhadores do setor privado, os números mostram um cenário misto. O total de empregados com carteira assinada (exceto domésticos) cresceu 1,1% no trimestre, atingindo um recorde de 39,6 milhões de pessoas. No entanto, o número de trabalhadores sem carteira caiu 6%, chegando a 13,5 milhões.
O setor público, por sua vez, teve um recuo no número de empregados. No trimestre encerrado em fevereiro, havia 12,4 milhões de trabalhadores no setor público, o que representa uma queda de 3,9% na comparação com os três meses anteriores.
Já os trabalhadores por conta própria se mantiveram estáveis, totalizando 25,9 milhões de brasileiros, enquanto o número de trabalhadores domésticos caiu para 5,7 milhões.
Subutilização e desalento aumentam
Outro ponto preocupante da pesquisa é o crescimento da subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais horas, mas não encontram oportunidade. Esse grupo somava 18,3 milhões de brasileiros em fevereiro, um aumento de 2,8% no trimestre (mais 491 mil pessoas).
Além disso, a população desalentada — aqueles que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não encontrarão uma vaga — chegou a 3,2 milhões de pessoas, um aumento de 6,9% no trimestre. O índice de desalento ficou em 2,9%.
Renda média dos trabalhadores
Apesar do aumento do desemprego, a renda média dos trabalhadores apresentou um crescimento. O rendimento real habitual foi de R$ 3.378, enquanto a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 342 bilhões, um novo recorde. No acumulado do ano, houve um crescimento de 6,2%, o que representa mais de R$ 20 bilhões injetados na economia.
Perspectivas para o mercado de trabalho
O aumento do desemprego no início do ano é comum devido à sazonalidade do mercado de trabalho, principalmente após o período de contratações temporárias no final do ano. No entanto, especialistas alertam que o cenário econômico ainda apresenta desafios, como os impactos da política monetária e as incertezas fiscais do país.
Para os próximos meses, analistas acreditam que a taxa de desemprego pode apresentar alguma estabilidade, mas o crescimento do mercado formal dependerá do ritmo da economia e do ambiente de negócios no Brasil.
Em um cenário de incerteza, a qualificação profissional continua sendo um fator essencial para quem busca uma recolocação no mercado de trabalho. A expectativa é que setores como tecnologia, saúde e serviços continuem gerando oportunidades, ainda que em ritmo moderado.


