No Brasil, o empreendedorismo feminino tem sido uma alternativa para muitas mulheres que buscam independência financeira, flexibilidade de horários e uma melhor qualidade de vida para suas famílias. No entanto, a informalidade ainda é um desafio significativo, dificultando o acesso ao crédito, à capacitação e a outros recursos essenciais para o crescimento dos negócios.

O perfil das empreendedoras brasileiras
De acordo com especialistas, a maioria das mulheres empreendedoras no Brasil são mães (70%) e atuam no setor informal, com um faturamento médio de aproximadamente R$ 2 mil. Muitas dessas mulheres iniciam seus negócios por necessidade, seja devido à falta de oportunidades no mercado formal de trabalho ou pela necessidade de conciliar a carreira com o cuidado dos filhos e da família.
A professora Daiane Batista, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), explica que grande parte dessas mulheres foi oprimida no mercado de trabalho tradicional e viu no empreendedorismo uma maneira de conquistar autonomia.
“Elas acreditam que a flexibilidade de horários do empreendedorismo permite uma maior dedicação à família, mas acabam se deparando com desafios estruturais que dificultam a profissionalização de seus negócios”, destaca Batista.
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Os desafios do empreendedorismo feminino
Segundo um estudo do Instituto da Rede Mulher Empreendedora, os principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras incluem:
- Falta de acesso ao crédito: muitas mulheres iniciam seus negócios com recursos próprios ou contando com o apoio de familiares e amigos. O acesso a linhas de crédito é limitado, e os juros altos dificultam o investimento no crescimento da empresa.
- Gestão financeira: a falta de capacitação na área financeira impede muitas empreendedoras de expandirem seus negócios de forma estruturada.
- Jornada dupla ou tripla: além de administrar seus negócios, as mulheres também são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos, idosos e a casa, o que limita o tempo dedicado ao empreendimento.
- Desigualdades raciais e regionais: mulheres negras e moradoras de regiões periféricas enfrentam barreiras adicionais, como maior dificuldade no acesso a financiamentos e redes de apoio.
Soluções para impulsionar o setor
O governo federal tem implementado estratégias para incentivar o empreendedorismo feminino. Durante o painel “Vozes do Empreendedorismo Feminino: Conectando Saberes e Ações”, realizado nesta terça-feira, 18 de março, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou a importância de facilitar o acesso a crédito e capacitação.
Um dos avanços nesse sentido é o programa Acredita, que oferece o financiamento Procred 360. Essa linha de crédito permite que empresas lideradas por mulheres possam financiar até 50% do faturamento do ano anterior, um percentual maior que o oferecido para outros perfis de empreendedores.
Além disso, diversas instituições privadas e organizações da sociedade civil têm promovido cursos de gestão financeira, marketing digital e planejamento estratégico, ajudando a formalizar e fortalecer pequenos negócios femininos.
O papel das redes de apoio
Para muitas mulheres, as redes de apoio são fundamentais para o sucesso de seus negócios. Grupos de empreendedoras, mentorias e comunidades online têm ajudado mulheres a trocarem experiências, divulgarem seus produtos e adquirirem conhecimentos que antes não estavam acessíveis.
A colaboração também é uma forma de driblar a falta de investimento. “Muitas vezes, essas mulheres não têm capital inicial, então recorrem a parcerias, vendas em conjunto e outras estratégias criativas para impulsionar seus negócios”, explica Caroline Moreira de Aguiar, do Instituto da Rede Mulher Empreendedora.
O empreendedorismo feminino tem grande potencial para movimentar a economia e promover autonomia financeira para milhares de mulheres no Brasil. No entanto, a informalidade ainda é um obstáculo que precisa ser superado.
Facilitar o acesso ao crédito, oferecer capacitação e garantir redes de apoio são medidas essenciais para garantir que essas mulheres possam transformar seus pequenos negócios em empreendimentos sustentáveis. Somente assim será possível construir um cenário mais igualitário e justo para todas.
*Entrevistas concedidas a Agência Brasil


