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Shein e Temu anunciam aumento de preços com pressão de taxas de Trump

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As plataformas chinesas Temu, voltada para comércio eletrônico, e Shein, especializada em moda rápida, anunciaram que aumentarão os valores de seus produtos na próxima semana. O reajuste ocorre em resposta à intensificação das medidas adotadas pelo presidente Donald Trump contra importações de baixo custo e à ampliação das tarifas, que elevaram os custos operacionais de companhias conhecidas por seus preços acessíveis.

Shein
Atualmente, Shein e Temu — duas das maiores companhias chinesas de comércio eletrônico — estão entre as mais impactadas pelas tarifas impostas por Washington  |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Em comunicados enviados aos clientes nesta semana, ambas as empresas informaram que os reajustes entrarão em vigor no dia 25 de abril e recomendaram aos consumidores que aproveitem os preços atuais enquanto ainda estão em vigor.

“Devido a mudanças recentes nas regras de comércio internacional e ao aumento de tarifas, nossos custos de operação subiram. Para continuarmos oferecendo os itens que você aprecia, sem comprometer a qualidade, faremos alterações nos preços a partir de 25 de abril de 2025”, afirmaram as empresas.

Tanto a Shein quanto a Temu, que oferecem desde brinquedos até eletrônicos, expandiram rapidamente sua atuação nos Estados Unidos graças à isenção aduaneira conhecida como “de minimis”, que permite a entrada de mercadorias com valor inferior a US$ 800 sem cobrança de tributos.

Contudo, esse modelo passou a ser ameaçado por um novo decreto assinado por Trump, que fecha essa brecha e impõe tributação a pacotes vindos da China e de Hong Kong com valor abaixo desse limite.

A nova regra entra em vigor em 2 de maio. Até o momento, Shein e Temu não se pronunciaram sobre o assunto além dos comunicados já enviados.

Shein tem queda de quase 40% no lucro em 2024

O lucro da plataforma chinesa de varejo online Shein apresentou uma redução significativa em 2024, recuando mais de um terço na comparação com o ano anterior. Esse desempenho financeiro abaixo do esperado intensificou os desafios da companhia no momento em que ela se prepara para sua entrada na Bolsa de Valores de Londres, segundo revelou o Financial Times em fevereiro.

Pessoas com conhecimento direto do tema disseram ao jornal que o lucro líquido da Shein caiu perto de 40%, ficando próximo de US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões) no último ano. Apesar de a receita anual ter avançado 19%, alcançando US$ 38 bilhões (R$ 217,74 bilhões), os resultados não atingiram as metas internas. Os números são baseados em estimativas iniciais antes do encerramento oficial das demonstrações financeiras.

A Shein ainda não divulgou projeções oficiais sobre seu desempenho financeiro. No entanto, de acordo com o Financial Times, os dados de 2024 ficaram bem abaixo das expectativas anteriores. Em uma apresentação obtida pelo jornal, a empresa previa anteriormente um lucro líquido de US$ 4,8 bilhões (R$ 27,50 bilhões) e uma receita em torno de US$ 45 bilhões (R$ 257,85 bilhões) para o período.

Além dos obstáculos financeiros, a companhia também enfrenta dificuldades em avançar com seu processo de abertura de capital. O IPO (sigla para Oferta Pública Inicial) marca o momento em que uma empresa passa a negociar suas ações publicamente, permitindo a participação de investidores.

Segundo a agência Reuters, a Shein pode reduzir em quase 25% o valor estimado para sua listagem em Londres, podendo ser avaliada em cerca de US$ 50 bilhões (R$ 286,50 bilhões). Já a Bloomberg informou recentemente que a pressão para cortar ainda mais essa estimativa está crescendo, e a empresa pode passar a valer aproximadamente US$ 30 bilhões (R$ 171,90 bilhões).

Como as tarifas afetam a Shein e a Temu?

A disputa comercial entre China e Estados Unidos continua gerando efeitos nos mercados internacionais, especialmente nas áreas de tecnologia e moda. A tensão iniciou durante o primeiro governo de Donald Trump, que impôs tarifas sobre produtos chineses para corrigir o desequilíbrio comercial entre os países. Essa estratégia, no entanto, desencadeou uma série de retaliações, resultando em um ciclo de sanções que afetam diversas empresas globalmente.

Atualmente, Shein e Temu — duas das maiores companhias chinesas de comércio eletrônico — estão entre as mais impactadas pelas tarifas impostas por Washington. O endurecimento das medidas pode dificultar suas operações nos EUA, comprometendo tanto o crescimento quanto a competitividade dessas marcas.

Como resposta, o governo chinês também tomou medidas contra empresas ocidentais. A PVH Corp, dona de marcas como Calvin Klein e Tommy Hilfiger, foi colocada na lista chinesa de “entidades não confiáveis”, uma retaliação às sanções comerciais dos EUA.

Esse cenário é resultado direto da guerra comercial que vem se intensificando nos últimos anos. O confronto entre as duas principais economias do planeta tem afetado diretamente companhias de ambos os lados, gerando incertezas no mercado global e dificultando o planejamento de estratégias internacionais.

O fator Trump

No início de fevereiro, Donald Trump assinou uma ordem que impõe uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados da China. A medida tem grande impacto no comércio eletrônico americano, atingindo mais de 80% das compras feitas por consumidores dos EUA em plataformas digitais.

Entre os principais efeitos está o fim da política chamada de “minimis”, que permitia a entrada de produtos com valor inferior a US$ 800 (R$ 3.960) por remessa diária sem a cobrança de taxas alfandegárias.

Shein e Temu foram duas das empresas que mais aproveitaram essa regra, expandindo rapidamente suas operações nos Estados Unidos sem arcar com altos custos tributários. Esse modelo de negócio se tornou um rival direto da Amazon no mercado norte-americano.

Durante o primeiro mandato de Trump, essa brecha foi uma das principais impulsionadoras do crescimento do comércio eletrônico entre China e EUA. As exportações chinesas passaram de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões em 2018) para US$ 66 bilhões (R$ 330 bilhões em 2023).

Shein e Temu tiveram papel essencial nesse avanço, representando atualmente cerca de 17% das encomendas enviadas aos Estados Unidos. A Shein, apesar de não estar sediada na China, mantém sua produção em fábricas chinesas e envia seus produtos diretamente aos consumidores globais.

Para tentar contornar os efeitos negativos das tarifas, sua controladora está registrada em Singapura, o que ajuda a amenizar algumas barreiras comerciais impostas pelos EUA. Já a Temu optou por transferir sua sede legal para a Irlanda, buscando fortalecer sua presença na Europa e reduzir o impacto das novas tarifas americanas.

Reações da China

Enquanto os Estados Unidos seguem aumentando as restrições, a China vem reagindo com sanções contra empresas ocidentais, atingindo algumas das marcas mais conhecidas do planeta. Um exemplo recente foi a inclusão da PVH Corp na lista de “entidades não confiáveis”.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a decisão foi tomada com base em supostas atitudes discriminatórias da empresa contra companhias chinesas, afetando seus direitos comerciais.

A medida pode estar relacionada à posição da PVH no boicote ao algodão produzido em determinada região chinesa — uma prática investigada por autoridades do país desde setembro de 2024.

Com a inclusão nessa lista, a PVH pode enfrentar penalizações severas, como sanções financeiras, bloqueios comerciais e até a perda de autorizações para estrangeiros trabalharem na China.

A China representa um mercado estratégico para a PVH. Em 2023, cerca de 6% de sua receita global e 16% de seu lucro operacional vieram das operações no país. Com as sanções, a empresa já sente os impactos nas vendas e nos investimentos, podendo reduzir sua atuação na região de forma significativa.

Leia também: Política comercial de Trump afeta ações globais de tecnologia

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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