As ações de grandes empresas de tecnologia caíram nesta quarta-feira, 16 de abril, em todo o mundo após o governo dos Estados Unidos anunciar novas medidas comerciais. Essas decisões seguem a linha da política do presidente Donald Trump, que decidiu restringir a venda de chips avançados para a China. A preocupação maior está nas empresas que produzem chips — componentes fundamentais para inteligência artificial (IA) — como a Nvidia, líder nesse setor.

Com isso, empresas como a Nvidia, que vende em larga escala para o mercado chinês, deve ter um prejuízo considerável. A Nvidia, informou que pode deixar de ganhar cerca de 5,5 bilhões de dólares porque um de seus chips mais modernos não poderá mais ser exportado para a China.
Além da Nvidia, a AMD também foi afetada. Um dos seus chips, o modelo MI308, foi incluído nas restrições. Isso preocupa porque o setor de semicondutores — que fabrica esses chips usados em celulares, computadores, carros e equipamentos de IA — vinha crescendo muito nos últimos dois anos. Agora, empresas temem novas tarifas e que as grandes companhias passem a gastar menos com tecnologia.
A ASML, uma empresa da Holanda que fabrica máquinas essenciais para produzir esses chips, também demonstrou preocupação com as novas regras. Isso mostra que a decisão dos Estados Unidos já está impactando o comércio global de tecnologia.
Os reflexos no mercado foram imediatos. As ações da Nvidia caíram 6,3% antes mesmo da bolsa americana abrir, o que representa uma perda de mais de 160 bilhões de dólares em valor de mercado. A AMD caiu 6,6%. Outras empresas ligadas à produção de chips, como Arm Holdings, Broadcom, Marvell Technology e Micron, também tiveram queda, entre 3,5% e 4,6%.
Mesmo com as dificuldades atuais, a China ainda é um mercado importante para essas empresas. No último ano fiscal, 13% da receita da Nvidia veio da China — cerca de 17 bilhões de dólares. Apesar disso, o valor foi 21% menor do que no ano anterior, mostrando que o país já vinha perdendo espaço nas vendas.
Em entrevista à Reuters, o analista Stacy Rasgon, da empresa de investimentos Bernstein, 12 bilhões de dólares dessa receita vieram de um chip específico, o modelo H20. Para ele, a perda do mercado chinês não deve causar um prejuízo enorme para a Nvidia. Mas ele alerta que, com as novas restrições, empresas chinesas como a Huawei podem crescer e ganhar espaço no setor.
Rasgon também comentou que muitos investidores foram pegos de surpresa pelas novas medidas. Na semana anterior, as ações da Nvidia tinham subido 18%, com rumores de que Trump poderia afrouxar as restrições, especialmente depois que o presidente da empresa jantou com o ex-presidente americano.
Pouco depois, a Nvidia anunciou que pretende investir até 500 bilhões de dólares nos próximos quatro anos para construir servidores de inteligência artificial dentro dos Estados Unidos. Analistas acreditam que a empresa quer mostrar que está alinhada com o governo e tentar proteger seus interesses no mercado americano.
Por enquanto, chips e outros equipamentos eletrônicos ainda não estão incluídos na nova lista de produtos com tarifas extras. No entanto, Trump já afirmou que pretende divulgar em breve taxas específicas para cada setor. Segundo a agência de notícias Reuters, essas tarifas podem custar mais de 1 bilhão de dólares por ano para empresas americanas que produzem as máquinas utilizadas na fabricação de chips.
Efeito colateral na Nvidia
As últimas notícias sobre as novas restrições dos Estados Unidos à exportação de chips da Nvidia provocaram uma reação em cadeia no mercado financeiro. Investidores do mundo todo passaram a vender ações de empresas do setor de tecnologia, o que fez com que os papéis dessas companhias perdessem valor nas bolsas.
Na Coreia do Sul, por exemplo, a Samsung, que é uma das maiores fabricantes de eletrônicos do mundo, teve uma queda de aproximadamente 3% no valor de suas ações. Outra empresa sul-coreana do setor, a SK Hynix, caiu ainda mais: cerca de 4%.
Na Europa, a situação foi parecida. As empresas ASM International, da Holanda, e Infineon Technologies, da Alemanha, que produzem componentes eletrônicos como semicondutores, também viram suas ações caírem em torno de 2%. No Japão, a empresa Advantest — que fornece equipamentos para testar chips e é parceira da Nvidia — teve um dos piores desempenhos da bolsa japonesa, com desvalorização de 5%.
Mesmo com esse cenário difícil, alguns analistas lembram que a Nvidia ainda está crescendo. Isso acontece porque, mesmo com a queda nas vendas para a China, a empresa continua sendo muito procurada por companhias que oferecem serviços de computação em nuvem — ou seja, aquelas que armazenam dados e rodam sistemas online, como os usados em inteligência artificial.
Especialistas da empresa de investimentos TD Cowen disseram à Reuters que, apesar dos prejuízos no curto prazo, a Nvidia tem uma grande vantagem competitiva com sua nova geração de chips, chamada de linha Blackwell. Esses chips estão sendo enviados para grandes empresas que trabalham com tecnologia de ponta. Segundo os analistas, esse segmento é o que mais impulsiona os resultados da Nvidia atualmente.
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