O mercado de fast food no Brasil está aquecido e cada vez mais competitivo, com novas redes internacionais chegando ao país e as marcas já estabelecidas buscando ampliar sua presença. Segundo o ranking Brand Footprint Out of Home – Quick Service Restaurant (QSR), da Kantar, o McDonald’s segue líder absoluto, mas o Burger King tem se aproximado, especialmente ao conquistar o público das gerações mais jovens, como a Geração Z e os Alphas.

De acordo com o levantamento, o McDonald’s, presente no Brasil desde 1979, manteve a liderança com 76,4 milhões de CRPs (Consumer Reach Points, em português, traduz-se como “Pontos de Alcance do Consumidor”). Esse indicador considera o número de consumidores, a penetração e a frequência de compra. Convertendo esses dados em volume de interações, são aproximadamente 76,4 milhões de contatos com consumidores no período analisado.
Na vice-liderança, o Burger King, que chegou ao Brasil em 2004, alcançou 68,5 milhões de CRPs, reduzindo significativamente a distância para o McDonald’s. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, de agosto a dezembro, o Burger King conquistou mais de cinco milhões de novos consumidores, enquanto o McDonald’s somou cerca de 1,5 milhão de novos clientes.
Esse avanço representa um crescimento notável e evidência a mudança no perfil de consumo, especialmente entre as gerações mais jovens. O Burger King já lidera entre as gerações Alpha e Z, enquanto o McDonald’s mantém sua força principalmente entre as gerações Y, X e os baby boomers.
A chegada de novos concorrentes
O mercado brasileiro de fast food atrai cada vez mais investimentos internacionais bilionários. A chinesa Mixue, gigante de sorvetes e bebidas geladas, anunciou planos de investir cerca de R$ 3,2 bilhões (aproximadamente US$ 640 milhões) no Brasil. A expectativa é que a rede, que possui mais de 45 mil lojas no mundo, gere cerca de 25 mil empregos no país até 2030.
Outro exemplo recente é a chegada da norte-americana Krispy Kreme, tradicional marca de donuts. A empresa inaugurou sua primeira unidade no Brasil, em São Paulo, por meio de uma joint venture com a AmPm, rede de conveniência dos Postos Ipiranga. A expansão do mercado também inclui a Firehouse Subs, rede norte-americana de sanduíches, que revelou planos para abrir mais de 500 restaurantes no país nos próximos dez anos, com início já em 2025.
Essa operação será realizada por meio de uma joint venture entre a Restaurant Brands International (RBI), mesma controladora do Burger King, e Iuri Miranda, ex-CEO da Zamp, operadora da marca no Brasil.
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Além do McDonald’s e Burger King, a concorrência entre as maiores redes do Brasil aumentam
Além do McDonald’s e do Burger King, outras redes se destacam no mercado brasileiro. A Pizza Hut ocupa a terceira posição no ranking, com 26,3 milhões de CRPs. Em seguida, aparecem o Habib’s, com 19,8 milhões, e o Giraffas, com 16,5 milhões.
Na sequência do ranking estão redes tradicionais como Subway (10,9 milhões), China In Box (10,9 milhões), Bob’s (10,1 milhões), Cabana (6 milhões), Madero (5,8 milhões), Ragazzo! (5,4 milhões), Jeronimo (5,3 milhões), Bullguer (5,2 milhões), KFC (4,1 milhões) e Popeyes (3,3 milhões).
Das 15 redes presentes no ranking, apenas quatro registraram queda de penetração e frequência: Subway, Ragazzo, Jeronimo e KFC. Em contrapartida, McDonald’s, Burger King, Bob’s e Popeyes foram as únicas que cresceram tanto em penetração quanto em frequência.
O impacto geracional no consumo
Um dos principais fatores que explicam a aproximação do Burger King do McDonald’s é a preferência dos mais jovens. Entre a Geração Alpha (nascidos a partir de 2010) e a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), o Burger King lidera o ranking de consumo, superando o McDonald’s.
Já entre as gerações mais velhas – Geração Y (millennials), Geração X e os baby boomers – o McDonald’s segue na liderança. Esse padrão evidencia uma transformação de comportamento, com os consumidores mais jovens buscando marcas que dialoguem melhor com seus valores, preferências e estilos de vida.
Além disso, a estratégia de marketing do Burger King tem apostado em campanhas irreverentes e com forte presença digital, justamente para dialogar com esses novos públicos. O McDonald’s, por sua vez, mantém sua liderança tradicional, apoiada em uma presença de marca consolidada há décadas e em um modelo de negócios estável.
O futuro do setor de fast food no Brasil
O avanço do Burger King sobre o McDonald’s no Brasil reflete um movimento maior de transformação do setor de fast food no país. A entrada de novas marcas internacionais, os investimentos bilionários e as mudanças de comportamento dos consumidores, especialmente entre os mais jovens, estão redesenhando o cenário competitivo.
Além disso, a expectativa é de que, com a expansão de redes como Mixue e Firehouse Subs, o consumidor brasileiro tenha cada vez mais opções e experiências diversificadas, enquanto as marcas tradicionais terão de se reinventar para manter sua fatia de mercado.
Com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e uma economia em constante transformação, o Brasil se consolida como um dos mercados mais atraentes para as grandes redes globais de alimentação rápida.


