O show gratuito da cantora norte-americana Lady Gaga, realizado no sábado, 3 de maio, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, reuniu aproximadamente 2,1 milhões de pessoas, segundo estimativas divulgadas pela prefeitura.
A apresentação, realizada no Posto 2 da orla carioca, superou a projeção inicial de 1,6 milhão de espectadores e passou a figurar entre os cinco maiores públicos já registrados em shows ao ar livre no mundo.
De acordo com informações divulgadas pelo prefeito Eduardo Paes na rede social X (antigo Twitter), nesta segunda-feira, 5, o evento gerou uma receita de R$ 98.065.260 em publicidade para a cidade. A cifra, convertida a partir de US$ 17.234.668 com base na cotação do dólar no dia da divulgação (R$ 5,69), ultrapassou o custo total do show, estimado em R$ 92 milhões.

O prefeito compartilhou os dados acompanhados de imagens com gráficos sobre o impacto financeiro do evento. Em sua publicação, afirmou: “Impacto Econômico do Show da Lady Gaga! Só em publicidade o show rendeu para o Rio R$ 98.065.260 Mi. Só multiplicar os números nas imagens. Entenderam ou precisa desenhar?”.
O evento também resultou em uma nova marca de público para apresentações femininas no país. Até então, o maior público registrado havia sido o da cantora Madonna, que se apresentou em Copacabana em 2024, atraindo cerca de 1,6 milhão de pessoas. Com isso, Lady Gaga se tornou a artista feminina com o maior público em um único show na história.
Estrutura ampliada e retorno financeiro
O evento fez parte do projeto “Todo Mundo no Rio”, idealizado para promover apresentações gratuitas de grandes nomes da música mundial nas praias da cidade. A produção foi organizada pela Bonus Track, que trouxe Lady Gaga ao Brasil 13 anos após sua última apresentação no país. Desta vez, a estrutura foi ampliada em relação à edição anterior com Madonna: o palco teve 50% a mais de tamanho, 16 telões de LED de 9 metros de altura foram espalhados pela areia, e um telão central de 800 m² foi instalado.
Mais de 300 profissionais compuseram a equipe da artista, entre bailarinos, técnicos e seguranças, além de 7 mil convidados VIPs. A produção trouxe ao Brasil 70 toneladas de equipamentos. Para garantir a segurança do público, mais de 5 mil agentes de policiamento foram mobilizados, além da distribuição gratuita de 30 mil litros de água pela Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) e a instalação de postos de atendimento médico.
O investimento público foi dividido entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura do Rio, que aportaram, cada um, R$ 15 milhões. Outros R$ 62 milhões vieram do setor privado, com cotas de patrocínio adquiridas por marcas como Corona, Santander, LATAM, Zé Delivery, Guaraná Antarctica e Beats. Empresas como C&A, TRESemmé, 99, Eventim e Kefler atuaram como apoiadoras, enquanto a Deezer foi novamente o player oficial do evento, como já havia ocorrido no show de Madonna.
Apesar do cachê de Lady Gaga não ter sido oficialmente divulgado, estimativas baseadas em suas participações anteriores em festivais internacionais indicaram valores superiores a US$ 1 milhão.
A movimentação econômica na cidade foi expressiva. A Prefeitura do Rio havia projetado um impacto de R$ 600 milhões na economia local, número sustentado por uma média de gastos de R$ 515,84 por dia por turista nacional, R$ 590,40 por estrangeiro e R$ 133,60 por carioca.
A ocupação hoteleira chegou a 86,6% no dia 30 de abril, e o Airbnb registrou aumento de 2,5 vezes nas buscas em relação ao mesmo período do ano anterior. O comércio carioca também foi impulsionado, com previsão de crescimento de 2% nas vendas durante o feriado, segundo o CDLRio e o SindilojasRio.
O sucesso do evento reabriu o debate sobre o uso de dinheiro público em megaeventos culturais. Eduardo Paes, no entanto, defendeu a iniciativa em entrevistas e redes sociais. “’Vai gastar dinheiro público com a Lady Gaga?’ Vou. Com a Madonna gastei também. Sabe por quê? Porque enche todos os hotéis, enche todos os restaurantes”, afirmou durante participação no podcast PodK Liberados.
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