Mesmo com a redução no número de novos lançamentos, os jogos para celular registraram aumento nos gastos por parte dos usuários em 2024. Segundo levantamento da consultoria Appfigures, houve um crescimento de 4% nas receitas geradas por jogos móveis em comparação com o ano anterior, alcançando US$ 65,7 bilhões (R$ 370,4 bilhões). O dado contrasta com a queda de 43% no volume de novos títulos disponibilizados nas lojas digitais, o que indica uma maior concentração do mercado em torno de poucos sucessos já consolidados.
O relatório revela que, embora o número de lançamentos tenha diminuído, os jogos que conseguiram romper a barreira de US$ 1 milhão (R$ 5,64 milhões) em faturamento chegaram a essa marca em tempo recorde: em média, em apenas 106 dias.
Esse desempenho acelerado mostra o poder de mobilização de jogos com campanhas de marketing bem estruturadas ou pertencentes a franquias já conhecidas. Ainda assim, somente 399 títulos atingiram esse patamar em 2024, o que sugere um ambiente de negócios mais competitivo, seletivo e menos aberto à inovação ou apostas arriscadas.

A concentração de receita em poucos títulos também reflete as dificuldades enfrentadas pela indústria para encontrar um modelo econômico sustentável no cenário pós-pandemia. Com o aumento dos custos de desenvolvimento, de aquisição de usuários e de marketing, muitos estúdios optaram por reduzir suas equipes, enxugar operações e cancelar projetos considerados de alto risco.
No segmento de consoles, esse cenário se traduz em reajustes de preço, como o lançamento dos primeiros jogos vendidos a US$ 80 (R$ 451,20) por parte de empresas como Nintendo e Microsoft, sinalizando um reposicionamento de valor nos principais mercados.
Jogos antigos dominam faturamento global
No setor mobile, a maior parte da receita continua vindo de jogos já estabelecidos. Segundo a Appfigures, menos de US$ 4 bilhões (R$ 22,6 bilhões) do total movimentado em 2024 foram gerados por lançamentos do próprio ano.
O restante foi dominado por títulos que já ocupam o topo das listas há anos, como Honor of Kings e Peacekeeper Elite, da gigante chinesa Tencent. A empresa lidera com folga o ranking global de faturamento, com receitas quatro vezes maiores que as da segunda colocada, a americana Scopely, responsável por Monopoly Go!.
Entre os jogos lançados em 2024 que alcançaram destaque tanto em receita quanto em número de downloads, oito foram desenvolvidos por estúdios chineses. Entre eles está Zenless Zone Zero, novo título da Mihoyo. Além disso, dois dos dez jogos mais bem-sucedidos do ano vieram de empresas japonesas, o que reforça o protagonismo asiático na indústria de jogos móveis. Esse domínio regional reflete tanto o poder de investimento quanto a capacidade de inovação técnica e narrativa desses estúdios.
Para compensar a escassez de novos lançamentos e manter o engajamento dos jogadores por longos períodos, os estúdios têm apostado em estratégias de retenção baseadas em eventos sazonais e colaborações com marcas populares de outras áreas do entretenimento. Parcerias com franquias de filmes, séries, quadrinhos e até do mundo da moda se tornaram comuns, principalmente em jogos multiplayer com atualizações constantes e sistemas de monetização contínua.
De acordo com a Appfigures, a monetização por meio de colaborações com marcas conhecidas evoluiu e passou a ser uma parte essencial da estratégia comercial dos principais jogos do mercado. Essas ações, além de atrair novos públicos e reforçar a presença da marca, aumentam significativamente o gasto médio dos usuários, tornando-se uma das principais fontes de receita para os desenvolvedores.
O cenário atual indica uma indústria mais conservadora, voltada à manutenção e expansão de grandes títulos em vez da experimentação com novos formatos. A tendência é que os investimentos continuem focados na ampliação do ciclo de vida dos jogos populares, enquanto novos estúdios enfrentam crescentes barreiras de entrada. Ainda assim, o crescimento no gasto dos jogadores mostra que o setor permanece promissor, ainda que de forma mais concentrada e estratégica.
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