A Fenix International Ltd, proprietária da popular plataforma de conteúdo adulto OnlyFans, está em negociações para vender a empresa a um grupo de investidores, segundo informações obtidas pela agência Reuters. A transação pode chegar a aproximadamente US$ 8 bilhões — o equivalente à cerca de R$ 42 bilhões, considerando a cotação média de R$ 5,25 por dólar.
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, as tratativas estão sendo lideradas pela Forest Road Company, uma empresa de investimentos com sede em Los Angeles. Contudo, os demais investidores envolvidos no grupo não foram identificados até o momento.

Criado para conectar criadores de conteúdo diretamente com seus fãs, o OnlyFans ganhou fama principalmente no setor de conteúdo adulto, permitindo que produtores monetizem suas publicações por meio de assinaturas pagas. A plataforma retém cerca de 20% dos ganhos dos criadores, consolidando-se como um modelo de negócios altamente lucrativo.
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Crescimento impulsionado pela pandemia
A popularidade do OnlyFans explodiu durante a pandemia de Covid-19, quando muitas pessoas recorreram ao ambiente online como forma de renda alternativa. Esse crescimento acelerado se refletiu diretamente nos números financeiros da empresa: no ano fiscal encerrado em novembro de 2023, o OnlyFans registrou receita de US$ 6,6 bilhões — cerca de R$ 34,65 bilhões. O montante representa um salto significativo em relação aos US$ 375 milhões (aproximadamente R$ 1,96 bilhão) obtidos em 2020.
O rápido avanço da plataforma chamou a atenção de diversos investidores, motivando a atual rodada de negociações para uma possível venda ou até mesmo uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Segundo fontes próximas às tratativas, as negociações estão em andamento desde março e podem resultar em um acordo nas próximas semanas. Entretanto, as mesmas fontes alertam que ainda não há garantia de que a venda será concluída.
Histórico e desafios do OnlyFans
O OnlyFans foi adquirido em 2018 pelo empresário ucraniano-americano Leonid Radvinsky, que atualmente é o único acionista da empresa. Desde a compra, ele já pagou a si mesmo pelo menos US$ 1 bilhão em dividendos — aproximadamente R$ 5,25 bilhões, de acordo com documentos divulgados por reguladores britânicos.
Apesar do sucesso financeiro, a plataforma enfrenta desafios significativos relacionados à reputação e ao compliance. Reportagens investigativas publicadas pela Reuters em 2024 documentaram casos de conteúdo ilegal no site, incluindo material de abuso sexual infantil e pornografia não consensual, que surgiram a partir de 2019. Além disso, foram identificados episódios de tráfico sexual utilizando a plataforma como meio de exploração.
Essas questões tornam o OnlyFans um ativo sensível para muitos grandes bancos e investidores institucionais, uma vez que os processos de due diligence (verificação prévia) podem encontrar conteúdos ilegais, o que gera riscos financeiros e de imagem.
Quem são os potenciais compradores?
A Forest Road Company, que lidera as negociações, é uma empresa de investimentos criada em 2017. Com foco em mídia, energia renovável e ativos digitais, a Forest Road tem ampliado sua atuação nos últimos anos. Em 2024, adquiriu uma participação majoritária no ACF Investment Bank, expandindo também seus negócios de consultoria.
Entre os empreendimentos da Forest Road está uma equipe na Fórmula E, categoria do automobilismo dedicada a veículos elétricos, demonstrando o apetite da empresa por negócios inovadores e de rápido crescimento.
A experiência prévia de alguns executivos da Forest Road com tentativas anteriores de levar o OnlyFans à bolsa de valores reforça o interesse da empresa na plataforma. Em 2022, integrantes da atual equipe estiveram envolvidos em negociações para abrir o capital do OnlyFans por meio de uma empresa de aquisição de propósito específico (SPAC).
Além da Forest Road, outras empresas e fundos de investimento também estariam interessadas na compra, segundo fontes ligadas às negociações. A sede da Fenix International em Londres tem sido procurada por diversos interessados nos últimos meses, o que demonstra o valor estratégico do OnlyFans no mercado de conteúdo digital.
O futuro do OnlyFans
Embora o New York Post tenha informado recentemente que a Fenix International estaria explorando ativamente a possibilidade de venda, fontes afirmam que uma oferta pública inicial também está sendo considerada como alternativa.
O que está claro é que o OnlyFans, fundado em 2016, se consolidou como um dos negócios mais rentáveis e controversos da era digital. A plataforma transformou a relação entre criadores e público, desafiou tabus e criou um novo modelo de monetização direta. Por outro lado, enfrenta questões jurídicas e éticas que podem influenciar o desfecho das negociações em curso.
Caso a venda por cerca de R$ 42 bilhões seja concretizada, será uma das maiores transações já realizadas no setor de conteúdo digital e poderá redefinir o futuro da plataforma. Até lá, investidores e o mercado acompanham de perto os próximos passos deste negócio bilionário.


