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Servidores seguem em greve após reajuste de 2,6%

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Mesmo com a aprovação do reajuste salarial de 2,6% pela Câmara Municipal de São Paulo, os servidores municipais decidiram, em assembleia nesta quarta-feira, 30 de abril, manter a greve que já se estende desde 14 de abril. A categoria reivindicava um aumento de 44% para os profissionais da educação, além da incorporação de abonos, revisão da alíquota previdenciária e pagamento integral dos dias parados.

A proposta aprovada pela Câmara prevê um reajuste escalonado: 2,60% em maio de 2025 e mais 2,55% em maio de 2026. Apesar de 34 vereadores votarem a favor da medida, o índice ficou muito aquém da inflação acumulada nos últimos 12 meses, que foi de 5,65%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Ato de funcionários municipais em frente à Câmara Municipal impacta diferentes setores e Câmara anuncia reajustes | Foto: Reprodução/ Bervelin Albuquerque/g1
Ato de funcionários municipais em frente à Câmara Municipal impacta diferentes setores e Câmara anuncia reajustes | Foto: Reprodução/ Bervelin Albuquerque/g1

A aprovação do Projeto de Lei 416/2025 não foi suficiente para acalmar os ânimos dos grevistas. Em frente à Prefeitura de São Paulo, servidores se reuniram na manhã do dia 30 com sindicatos e entidades representativas, reforçando a insatisfação com a proposta e pedindo novas rodadas de negociação.

“Queremos respeito com o funcionalismo. O reajuste aprovado não cobre nem a inflação, e os abonos concedidos nos últimos anos não foram incorporados ao salário base”, afirmou um dos líderes sindicais durante a assembleia.

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Pauta de reivindicações vai além do reajuste

Além da recomposição salarial de 44% para os profissionais da educação, os servidores pedem a incorporação de abonos concedidos entre 2021 e 2024, que somam 31,77%, 3% e 5,67%. Outra reivindicação é a revogação do chamado “confisco previdenciário”, além da redução da alíquota da contribuição de 14% para 11%.

Os servidores também exigem que não haja descontos nos salários pelos dias parados durante a greve, uma medida considerada essencial para garantir a adesão da base ao movimento. Até o momento, não houve avanço nessa negociação.

Greve dos servidores afeta escolas e pais de alunos

A paralisação tem afetado diretamente o funcionamento das escolas municipais. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 1,1% das unidades educacionais – o equivalente a aproximadamente 18 escolas – ficaram totalmente sem atendimento no dia 29 de abril. No entanto, relatos de pais e responsáveis indicam que a ausência de professores é mais extensa.

Adriana Alves, mãe de uma aluna da EMEF Theodomiro Monteiro do Amaral, no Capão Redondo, relata que sua filha está sem aulas regulares há mais de três semanas. “Na semana anterior à greve, já teve poucos dias de aula. Desde o início da paralisação, praticamente não houve mais atividades”, disse.
A greve não se restringe à área da educação. Trabalhadores da Saúde também protestam, especialmente no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM). As principais queixas envolvem a substituição de profissionais concursados por terceirizados com pouca experiência, o que, segundo os sindicatos, compromete a qualidade do atendimento.

A categoria pede a realização de novos concursos públicos e denuncia tentativas de privatização do serviço público municipal de saúde.

Prefeito está fora do país

A proposta aprovada pela Câmara ainda aguarda a sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que está em viagem oficial à Ásia. A ausência do chefe do Executivo municipal no momento de crise tem gerado críticas dos sindicatos e de parte da oposição na Câmara.

Enquanto isso, os servidores seguem mobilizados. A expectativa é que novas assembleias aconteçam nos próximos dias para decidir os rumos da paralisação. O impasse pode se prolongar, já que não há previsão para uma nova proposta de reajuste por parte do Executivo.

A greve dos servidores municipais de São Paulo segue sem resolução, mesmo após a aprovação de um reajuste considerado insuficiente pela categoria. O movimento revela uma insatisfação profunda com as políticas salariais e previdenciárias adotadas nos últimos anos, além de levantar um debate sobre a valorização do funcionalismo público. Com o prolongamento da paralisação, os impactos no dia a dia da população – especialmente nas áreas de educação e saúde – tendem a se intensificar, aumentando a pressão sobre o governo municipal.

*Entrevistas concedidas ao G1

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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