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Datafolha: 59% preferem ser autônomos no Brasil

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Em um país com alto índice de informalidade e mudanças constantes no mercado de trabalho, o brasileiro vem demonstrando uma preferência clara: trabalhar por conta própria. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada pela Folha de S. Paulo no dia 20 de junho de 2025, 59% dos brasileiros afirmam preferir ser autônomos, enquanto apenas 39% se sentem mais confortáveis em empregos formais, com carteira assinada.

A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 11 de junho, com 2.026 entrevistados em 136 municípios brasileiros. Os dados revelam uma tendência que vai muito além da simples escolha profissional — ela reflete a realidade econômica e os desafios do mercado de trabalho no Brasil atual.

A escolha entre ser autônomo ou ter a carteira assinada vai além de uma simples preferência: envolve fatores como idade, renda, gênero e percepção de estabilidade | Foto: Reprodução/Canva datafolha
A escolha entre ser autônomo ou ter a carteira assinada vai além de uma simples preferência: envolve fatores como idade, renda, gênero e percepção de estabilidade | Foto: Reprodução/Canva

Datafolha revela que autonomia atrai mais os jovens

O desejo por independência é ainda mais evidente entre os jovens de 16 a 24 anos: 68% deles preferem trabalhar por conta própria, enquanto somente 29% optam por um emprego com vínculo formal. A diferença é expressiva e aponta uma possível mudança geracional na relação com o trabalho.

Já entre os trabalhadores com mais de 60 anos, metade (50%) ainda prefere a autonomia, embora 45% sigam valorizando a estabilidade do emprego com carteira assinada.

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Aceitar informalidade por mais renda

Outro dado relevante levantado pela pesquisa do Datafolha é a disposição a aceitar empregos sem registro formal em troca de um salário mais alto. Em 2022, 21% dos entrevistados afirmavam estar abertos a essa condição. Em 2025, esse número subiu para 31%, indicando um aumento no número de pessoas que aceitam abrir mão dos direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para ganhar mais.

Dentro desse grupo que aceitaria trabalhar sem registro, a preferência pelo trabalho autônomo chega a 85%. Ou seja, para boa parte desses brasileiros, vale mais ter liberdade e um rendimento maior do que garantias como INSS, FGTS e 13º salário.

Mulheres valorizam mais o vínculo formal

A segmentação por gênero revela que as mulheres valorizam mais o vínculo empregatício formal do que os homens. 71% das mulheres preferem ter carteira assinada, contra 62% dos homens. Essa diferença pode ser explicada pelo fato de que mulheres enfrentam maior vulnerabilidade no mercado de trabalho, especialmente em situações como licença-maternidade e estabilidade no emprego.

Segurança da CLT é mais valorizada entre os mais pobres

Entre os brasileiros que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.824 em 2025), 72% preferem o emprego formal com carteira assinada. Já entre quem ganha mais de dez salários mínimos (mais de R$ 14.120), essa preferência cai para 56%, o que pode indicar que quanto maior a renda, maior a confiança na estabilidade financeira mesmo sem os direitos da CLT.

A renda média per capita no Brasil em 2024 foi de R$ 1.893, segundo dados do IBGE, o que reforça o peso da informalidade para uma parte significativa da população que vive com orçamentos apertados.

O que os dados revelam sobre o mercado de trabalho

A pesquisa do Datafolha traz à tona um retrato importante do mercado de trabalho brasileiro em 2025. O crescimento da preferência por trabalhos autônomos, mesmo sem garantias formais, revela uma mudança no perfil profissional da população, mas também expõe a fragilidade das condições trabalhistas no país.

Mesmo com programas de formalização e incentivos para microempreendedores individuais (MEIs), o trabalho informal ainda representa cerca de 39,2% da população ocupada no Brasil, conforme dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE no primeiro trimestre de 2025.

Liberdade ou segurança?

A escolha entre ser autônomo ou ter a carteira assinada vai além de uma simples preferência: envolve fatores como idade, renda, gênero e percepção de estabilidade. A maioria dos brasileiros, sobretudo os jovens, vê no trabalho por conta própria uma oportunidade de maior autonomia financeira.

No entanto, o crescimento da disposição para trabalhar sem registro também levanta um sinal de alerta: a informalidade pode ser uma armadilha, especialmente para os mais vulneráveis, que ficam sem acesso à aposentadoria, benefícios trabalhistas e amparo legal.

O desafio agora é criar políticas públicas e estratégias do setor privado que reconheçam a mudança de comportamento do trabalhador, sem deixar de garantir direitos mínimos e proteção social para todos, inclusive os que optam por trilhar o caminho do empreendedorismo ou do trabalho independente.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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