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F1 será transmitida pela TV Globo a partir da temporada de 2026

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A Fórmula 1 será novamente transmitida pela TV Globo a partir da temporada de 2026. O retorno da principal categoria do automobilismo à emissora acontece mesmo com uma proposta financeira inferior e um pacote de exibição reduzido em relação aos concorrentes. A decisão da Liberty Media, empresa que detém os direitos comerciais da F1, foi baseada na promessa de maior exposição e não no volume de transmissões.

Segundo informações divulgadas por veículos especializados, a Globo ofereceu US$ 8 milhões por ano, valor equivalente a aproximadamente R$ 43,5 milhões considerando a cotação do dólar a R$ 5,44 em julho de 2025. O montante é menor do que o oferecido por Band e Record, que também disputavam os direitos e se comprometeram a transmitir todas as corridas da temporada em TV aberta, além das sessões de classificação e aquecimento.

Mesmo assim, a Globo venceu a disputa. A emissora irá exibir 15 das 24 etapas da temporada na TV aberta, enquanto todas as corridas, treinos e classificações serão transmitidas pelos canais SporTV. O conteúdo também será integrado ao catálogo do Globoplay, ampliando o alcance da F1 para o público digital.

A relevância da F1 depende da presença em todas as frentes, inclusive no digital | Foto: Reprodução/Colin McMaster
A relevância da F1 depende da presença em todas as frentes, inclusive no digital | Foto: Reprodução/Colin McMaster

Como a Globo se destaca entre os concorrentes e quais os benefícios para a F1?

De acordo com especialistas em mídia esportiva, o principal diferencial da proposta da Globo está na capacidade de gerar impacto. A audiência consolidada das manhãs de domingo da emissora, combinada com sua força de distribuição em diversas plataformas, foi determinante. Programas como “Esporte Espetacular” frequentemente registram médias superiores a 8 pontos de audiência na Grande São Paulo, enquanto a Band, atual detentora dos direitos, oscilava entre 2 e 4,5 pontos, mesmo com cobertura completa da temporada.

O COO da Roc Nation Sports Brasil, Thiago Freitas, explicou que a valorização da transmissão pela Globo ultrapassa o alcance de uma corrida. “A audiência dobra ou triplica quando o conteúdo é exibido na Globo. Isso influencia até na negociação de patrocínios, como o valor de um espaço no boné de um piloto”, afirmou.

A estrutura de comunicação do Grupo Globo também pesou. A emissora conta com presença forte na TV aberta, por assinatura e no digital. Para a Liberty Media, esse ecossistema garante uma exposição contínua da marca Fórmula 1 em diferentes canais e horários, o que tende a aumentar o engajamento e o retorno comercial.

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Julianne Cerasoli, jornalista especializada que cobre a F1 há mais de uma década, destaca que o Brasil é o maior mercado fora da Europa em termos de base de fãs. “Mesmo com valores contratuais baixos, o Brasil é relevante por gerar audiência global. O contrato da F1 com a Sky Sports no Reino Unido, por exemplo, vale cerca de 1,1 bilhão de libras por cinco anos, o que dá algo próximo de R$ 7,7 bilhões. Já a Globo pagará cerca de R$ 43,5 milhões por ano. O valor, portanto, está na vitrine que a emissora representa”, explicou.

A cobertura atual da Band não tem conseguido elevar significativamente os números da categoria no Brasil. Em 2025, os GPs com maior audiência, como o da Áustria, alcançaram picos de 4,6 pontos. A média de outras etapas ficou em torno de 3 pontos. A falta de pilotos brasileiros competitivos no grid também tem contribuído para o distanciamento do público.

Com a estreia do jovem Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 em 2025, há uma nova expectativa de retomada do interesse nacional. Bortoleto, que foi campeão da Fórmula 3 em 2023, ainda não disputa posições de ponta, mas já começa a figurar entre os principais nomes da nova geração.

Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, acredita que o retorno da F1 à Globo é uma jogada estratégica. “A Band não entregava o alcance necessário. A Globo tem uma liderança consolidada nas manhãs de domingo e um ecossistema completo que pode recolocar a Fórmula 1 no imaginário coletivo do brasileiro.”

A escolha pela Globo também acompanha uma mudança no comportamento do consumidor de esportes. A categoria precisa dialogar com diferentes plataformas, do streaming às redes sociais, passando por transmissões tradicionais. A Globo oferece essa integração, o que pode ajudar a F1 a se reposicionar como entretenimento de massa no Brasil.

Joaquim Lo Prete, executivo da Absolut Sport, aponta que a disputa hoje vai além da televisão. “A relevância da F1 depende da presença em todas as frentes, inclusive no digital. A Globo oferece essa base de sustentação, mas o desafio continuará sendo manter o público engajado em um cenário cada vez mais fragmentado.”

Mesmo transmitindo menos corridas, a expectativa da Liberty é que a audiência cresça com a força da emissora. E isso pode gerar um efeito cascata positivo em patrocínios, engajamento de novos fãs e valorização global da marca.

*Entrevistas concedidas ao InfoMoney.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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