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Jogos e contas digitais ensinam finanças aos jovens

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Falar sobre dinheiro com crianças e adolescentes ainda é um desafio para muitas famílias brasileiras. Mas essa realidade está começando a mudar com a ajuda da tecnologia e da criatividade. Em busca de um público consumidor cada vez mais jovem, grandes bancos estão apostando em jogos, plataformas digitais e contas digitais adaptadas para ensinar, de forma lúdica, os principais conceitos da educação financeira.

Em 2024, o PagBank lançou o Duelo dos Investimentos, um jogo de cartas em parceria com a B3, inspirado no clássico Super Trunfo. Nele, cada carta representa uma modalidade de investimento ou forma de poupar.

Ainda no mesmo ano, a fintech reformulou o Banco Imobiliário em colaboração com a Estrela, incorporando meios de pagamento digitais como cartões e maquininhas. Já em 2025, o Crushing Cripto foi disponibilizado na plataforma da bolsa de valores, ensinando o funcionamento das criptomoedas por meio de uma jornada por ilhas temáticas.

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Essas iniciativas mostram que os bancos estão atentos às mudanças geracionais e apostam em uma relação mais próxima, educativa e digital com os clientes do futuro | Foto: Reprodução/Canva

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Essas iniciativas mostram que os bancos estão atentos às mudanças geracionais e apostam em uma relação mais próxima, educativa e digital com os clientes do futuro | Foto: Reprodução/Canva

A Caixa Econômica Federal também investiu no universo dos games. Em março, lançou o Universo CAIXA dentro da plataforma Roblox. Os participantes acumulam moedas digitais chamadas CAIXA Coins, que podem ser usadas para simular operações como poupar, investir ou liberar novas fases do jogo.

Outra instituição que embarcou na tendência foi o Banco do Brasil. Em junho, a empresa lançou o Rolê que Rende, também no Roblox, um tabuleiro digital com desafios do cotidiano financeiro. O game ensina o jogador a pagar impostos, receber Pix, administrar recursos e investir. Segundo o banco, o jogo já soma 4 mil usuários ativos, com sessões médias entre 60 e 90 minutos. A iniciativa está conectada à conta BB Cash, voltada para jovens de 8 a 17 anos. A instituição estuda a possibilidade de remover o limite de idade, permitindo que os pais abram a conta assim que o filho nascer.

Segundo Aglailton Soares, executivo do Banco do Brasil, o engajamento com o jogo é medido por pesquisas de satisfação como o Net Promoter Score (NPS), além de métricas de rejuvenescimento da base de clientes. A intenção é criar uma jornada digital que prepare os jovens para a vida financeira adulta.

Educadores financeiros apontam que essas estratégias gamificadas são eficazes. Para Thiago Godoy, conhecido como Papai Financeiro nas redes sociais, esse tipo de abordagem aproxima os jovens dos temas financeiros de forma divertida e intuitiva. “Eu sou a favor de qualquer iniciativa que seja saudável e alinhada à faixa etária do jovem”, afirma.

Aline Soaper, também educadora financeira, reforça que o ato de juntar moedas no jogo simula o conceito dos juros compostos. “À medida que você poupa, o dinheiro começa a render e atrair mais, o que ensina o valor do tempo e da paciência para o crescimento patrimonial.”

Porém, especialistas alertam: os jogos devem ser vistos como um complemento. A educação financeira infantil precisa estar integrada à vivência familiar e escolar. “Criança aprende muito mais com o exemplo do que com o discurso”, destaca Godoy. Ele explica que o período entre 0 e 7 anos é crucial, pois é quando ocorre a socialização econômica – fase em que a criança começa a formar sua percepção sobre dinheiro.

Soaper, por sua vez, recomenda que os pais deem semanadas em vez de mesadas, para facilitar o controle e ensinar responsabilidade em ciclos menores. Ela também sugere dividir o dinheiro em três partes: uma para gastar com o que quiser, outra para guardar e realizar sonhos, e uma terceira, chamada de “dinheiro do tesouro”, voltada para investimentos de longo prazo.

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Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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