Presidente-executiva da plataforma social X (antigo Twitter), Linda Yaccarino anunciou que vai deixar a liderança da plataforma. O anúncio, que era inesperado, foi realizado na última quarta-feira, 9 de julho, pela própria rede.
Linda assumiu o cargo em 2023, com a missão de concretizar a visão de negócios de Elon Musk, atual proprietário da empresa, para a rede social. Grande aliada do empresário, Yaccarino não detalhou os motivos da sua saída.
Tradução:
Após dois anos incríveis, decidi deixar o cargo de CEO da 𝕏. Quando @elonmusk e eu conversamos pela primeira vez sobre sua visão para a X, eu sabia que seria a oportunidade de uma vida inteira para realizar a extraordinária missão desta empresa. Sou imensamente grata a ele por ter confiado a mim a responsabilidade de proteger a liberdade de expressão, dar uma guinada na empresa e transformar o X no Everything App.
Estou incrivelmente orgulhosa da equipe do X – a reviravolta histórica nos negócios que realizamos juntos foi nada menos que notável.
Começamos com o trabalho inicial crítico necessário para priorizar a segurança de nossos usuários – especialmente crianças – e para restaurar a confiança dos anunciantes. Essa equipe trabalhou incansavelmente em inovações revolucionárias, como o Community Notes e, em breve, o X Money, para trazer as vozes e o conteúdo mais icônicos para a plataforma. Agora, o melhor ainda está por vir, pois o X entra em um novo capítulo com @xai . O X é realmente uma praça digital para todas as vozes e o sinal cultural mais poderoso do mundo. Não teríamos conseguido isso sem o apoio de nossos usuários, parceiros comerciais e da equipe mais inovadora do mundo.
Estarei torcendo por todos vocês enquanto continuam a mudar o mundo.
Como sempre, vejo vocês no 𝕏
Linda Yaccarino tem vasta experiência no mercado publicitário
Antes de assumir o X, Linda Yaccarino teve uma longa carreira na NBCUniversal, onde liderou a área de publicidade global e modernizou o modelo de negócios da empresa. Foi responsável por grandes negociações, como transmissões do Super Bowl e das Olimpíadas, além do lançamento do streaming Peacock.
Ela também coordenou campanhas institucionais de grande alcance, como a parceria com a Casa Branca para promover a vacinação contra a covid-19, que contou com a participação do Papa Francisco. Sua capacidade de articular interesses públicos e privados foi um dos fatores que chamaram a atenção de Elon Musk.
2 anos de mudanças e incertezas
Elon Musk trouxe a executiva em 2023 para comandar o Twitter, plataforma adquirida por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 228,8 bilhões, em valores de 2022). Após transformações radicais, como políticas de moderação mais flexíveis, a mudança de nome para “X”, a venda do selo de verificação, entre outras – a plataforma perdeu prestígio, o que fez muitos anunciantes, funcionários e usuários abandonarem a rede.

Linda entrou em contato com Musk, ainda na NBCUniversal, empresa na qual atuava em xxx, para manter os anúncios da empresa, mesmo com a debandada de outras marcas – foi esse o início do contato que resultou no convite para assumir o cargo na X.
Em seu novo desafio, ela precisava retomar o relacionamento com diversos públicos, além de precisar lidar com o comportamento imprevisível de Musk, conhecido por palavrões e xingamentos públicos a anunciantes, e com tensões internas – especialmente com o CFO Reza Banki, segundo fontes ouvidas pelo New York Post. Os atritos chegaram a governos estrangeiros, como no Brasil, com o bloqueio da plataforma por 40 dias em agosto de 2024.
A plataforma voltou a registrar crescimento no ano passado, com a vitória de Donald Trump nas eleições americanas. Yaccarino reforçou a postura profissional, retomou anunciantes – cerca de 96% dos principais voltaram – e aproveitou a proximidade de Musk com Trump. Mas, segundo a Folha, a relação entre Musk e o ex-presidente já dava sinais de desgaste, pressionando a segurança da CEO dentro da empresa.
Polêmicas recentes levantaram questionamentos sobre a plataforma
Na terça-feira, 8 de julho, o Grok, chatbot de IA da xAI (empresa de Musk ligada ao X), passou a espalhar conteúdo antissemita após uma atualização “politicamente incorreta”: citou Hitler e fez menções ofensivas, como “celebrar… mortes de crianças brancas”, além de associar judeus a ativismo extremo — cenas que geraram revolta e foram removidas rapidamente. Representantes da companhia confirmaram que estavam “cientes das publicações e trabalhando ativamente para removê-las”.
A renúncia de Yaccarino ocorreu poucas horas depois, num momento em que ela já enfrentava forte pressão interna e do mercado por não ter controle real sobre a empresa — agravada pelo perfil cada vez mais centralizador de Musk e pelas crises geradas por sua IA.
Em paralelo à crise de imagem, Musk anunciou a fusão entre o X e a xAI. Segundo documentos internos, o X foi avaliado em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 180 bilhões), enquanto a xAI, de inteligência artificial, foi avaliada em US$ 45 bilhões (cerca de R$ 245 bilhões).
Com isso, Musk passou a controlar 60% da nova companhia combinada. A mudança aumenta o poder dele e reduz ainda mais o espaço de manobra para outros executivos — incluindo a então CEO, que já vinha sendo criticada por não ter influência nas decisões estratégicas.
Contexto conturbado entre Elon e Trump
A relação antes estratégica entre Musk e Trump azedou recentemente — Musk chegou a anunciar o “America Party” e se distanciou publicamente do ex-presidente. Isso aumentou o desgaste sobre Yaccarino, que dependia desse alinhamento político para manter a confiança de anunciantes e lideranças do X.


