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Investir em imóveis de luxo: vale a pena para todos?

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O mercado imobiliário de alto padrão cresceu no Brasil nos últimos anos e vem chamando a atenção de quem busca diversificar o patrimônio. Quando falamos em carteira imobiliária de luxo, estamos nos referindo a um conjunto de imóveis — casas, apartamentos ou espaços comerciais — de alto valor, comprados tanto para morar quanto para alugar ou revender no futuro.

Para parte dos investidores, a ideia é aproveitar a valorização do imóvel ao longo do tempo e ainda ter uma renda extra com aluguel. Em alguns casos, há quem compre imóveis por financiamento e consiga equilibrar a parcela do banco com o valor do aluguel, fazendo com que o próprio imóvel “se pague” ao longo dos anos.

Um exemplo é o da criadora de conteúdo Mariana Menezes, que comprou casas financiadas em Alphaville, região de alto padrão em São Paulo. “Eu financiei a casa, coloquei para alugar por R$ 4 mil reais e a parcela do financiamento é o mesmo valor. Mesmo que demore 20 anos para quitar, daqui a 20 anos ela se pagou sozinha”, contou.

Investimento em imóveis de luxo como estratégia para retorno e proteção do patrimônio | Foto: Reprodução/Canva

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Investimento em imóveis de luxo como estratégia para retorno e proteção do patrimônio | Foto: Reprodução/Canva

Vale a pena financiar para investir?

Para quem não tem todo o dinheiro à vista, o financiamento pode ser uma porta de entrada. Porém, especialistas em finanças alertam que é preciso ter cuidado. A ideia de “o aluguel paga a parcela” funciona quando o imóvel está sempre ocupado. Caso o inquilino saia ou atrase o pagamento, o proprietário ainda precisa arcar com a parcela do banco.

Além disso, imóveis de luxo têm custos de manutenção mais altos, como condomínio, IPTU e reformas. Por isso, antes de entrar nesse tipo de investimento, é importante fazer as contas e ter uma reserva financeira para imprevistos.

Um dos nomes de destaque nesse mercado é a AG7, incorporadora brasileira especializada em imóveis de luxo e no conceito de wellness building. Esse termo, traduzido como “prédio do bem-estar”, significa construções projetadas para melhorar a qualidade de vida dos moradores, com espaços de saúde, lazer e ambientes sustentáveis.

Segundo o CEO e fundador da empresa, Alfredo Gulin Neto, o mercado de imóveis de luxo deixou de ser visto apenas como oportunidade para férias e passou a ser uma forma de investimento sólido. “A posse de três ou mais imóveis deixou de ser apenas curtir férias. Virou uma opção inteligente para investir com flexibilidade, escala e menor risco”, afirmou.

Ele explica que é comum investidores comprarem imóveis ainda na fase de construção. Em um projeto avaliado em R$ 10 milhões, por exemplo, o comprador pode aportar 50% durante a obra e o restante na entrega. Nesse período, já há tendência de valorização patrimonial, o que garante possibilidade de ganho antes mesmo da finalização.

Explicando os termos do mercado

O setor imobiliário de alto padrão costuma usar muitos termos estrangeiros ou técnicos. Veja alguns deles explicados de forma simples:

Henley & Partners: consultoria internacional especializada em cidadania e residência por investimento. Além disso, publica relatórios sobre migração de milionários no mundo, apontando tendências de saída e chegada de fortunas em diferentes países.

Smart home: são casas ou apartamentos com automação residencial. Isso significa que você pode controlar luzes, fechaduras, ar-condicionado ou câmeras pelo celular, ou por comando de voz.

Ativos tangíveis: é tudo aquilo que tem valor e pode ser tocado, como imóveis, terrenos, obras de arte e até ouro. Diferente de ações ou criptomoedas, que são digitais e intangíveis.

Wellness building: são prédios projetados para o bem-estar dos moradores. Podem ter espaços de meditação, academias, áreas verdes, sistemas de purificação de ar e luz natural. A ideia é unir saúde e moradia.

Leia também: Brasil se torna principal destino de investimentos chineses fora da Europa

O mercado no Brasil

De acordo com a consultoria Brain Inteligência Estratégica, o valor geral de vendas (VGV) do mercado de luxo no Brasil chegou a R$ 38 bilhões em 2024, um crescimento de 46% em relação ao ano anterior. Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maior parte das vendas, mas cidades como Balneário Camboriú (SC), Angra dos Reis (RJ) e Trancoso (BA) também são destaques.

Em São Paulo, só em 2024, foram vendidas 5,4 mil unidades de alto padrão, movimentando R$ 23 bilhões, praticamente metade do mercado nacional.

Esse crescimento reflete a busca por imóveis que unem valorização e qualidade de vida, mesmo em um cenário em que parte dos milionários brasileiros deixa o país. Segundo relatório da Henley & Partners, 1.200 milionários devem sair do Brasil em 2025, o que representa uma perda estimada de R$ 46 bilhões. Ao mesmo tempo, investidores que permanecem no país seguem apostando no setor imobiliário de luxo como forma de proteção contra inflação e incertezas.

Sustentabilidade como exigência

Empreendimentos de luxo já não vendem apenas espaço, mas também tecnologia e sustentabilidade. Hoje é comum encontrar prédios com sistemas de reaproveitamento de água da chuva, isolamento acústico com materiais recicláveis e automação integrada.

Um exemplo é o projeto Eco Royal Gessele, em Itapema (SC), que recebeu certificações internacionais de qualidade e meio ambiente (ISO 9001 e ISO 14001). Esses selos são cada vez mais exigidos pelos compradores, que veem neles garantia de durabilidade e valorização.

Um setor em crescimento

Mesmo representando apenas 3,1% das unidades lançadas no Brasil em 2025, o segmento de luxo concentrou 22,5% do valor total de vendas do mercado imobiliário no primeiro trimestre, segundo dados da Brain. Isso mostra como o setor, embora restrito, tem forte peso econômico e continua atraindo investidores.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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