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Itaú demite funcionários por baixa produtividade no trabalho remoto

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O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, promoveu na última segunda-feira, 8 de setembro, uma rodada de demissões que atingiu principalmente empregados em regime de trabalho remoto ou híbrido. A instituição justificou os desligamentos pela “baixa produtividade” de parte dos trabalhadores, após uma revisão interna sobre a conduta no home office.

Nas redes sociais, circularam relatos que apontavam desde mil até 5 mil cortes, o que gerou forte repercussão entre funcionários e ex-colaboradores | Foto: Reprodução/ Wikimedia

O Itaú, porém, negou que tenha ocorrido demissão em massa. Em nota, o banco declarou que os desligamentos foram feitos “de forma individual e criteriosa” e que a medida não representa uma reestruturação ampla.

Segundo a instituição, os casos analisados envolviam registros de jornada e padrões de trabalho considerados incompatíveis com os valores da empresa. “Em alguns casos, foram identificados comportamentos que não condizem com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis”, afirmou o banco. O Itaú reforçou que as decisões “fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar a cultura organizacional e a relação de confiança com clientes, colaboradores e a sociedade”.

Reação do sindicato

A decisão provocou forte reação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A entidade classificou a medida como inaceitável, especialmente pelo fato de o banco ter registrado lucros bilionários nos últimos trimestres.

“É inaceitável que uma instituição que lucra de forma consistente promova demissões sob a justificativa de produtividade. Os avanços tecnológicos e os ganhos da digitalização poderiam ser revertidos em melhores condições de trabalho e em mais empregos, não em cortes”, afirmou o sindicato em comunicado.

A entidade também criticou a ausência de diálogo entre a direção do banco e os representantes dos trabalhadores. Segundo a nota, os empregados foram dispensados sem qualquer aviso prévio, advertência ou negociação. “Houve um claro desrespeito à categoria bancária e ao movimento sindical”, concluiu o sindicato.

Números divergentes

Enquanto o Itaú evita divulgar o total de desligamentos, o sindicato fala em aproximadamente mil demissões, ainda sem número exato confirmado. Nas redes sociais, a percepção de que milhares de trabalhadores teriam sido atingidos aumentou a polêmica, embora até o momento não haja confirmação oficial de cortes em larga escala.

O Itaú tem atualmente cerca de 95,7 mil empregados no Brasil e em outros países da América Latina. Apenas no território nacional, são aproximadamente 85,8 mil trabalhadores. De acordo com dados do sindicato, nos últimos 12 meses já haviam sido encerrados 518 postos de trabalho, antes mesmo dos desligamentos desta segunda-feira.

Lucros e contexto do setor

O anúncio das demissões ocorre em um momento de resultados positivos para o banco. No segundo trimestre deste ano, o Itaú registrou lucro líquido de R$ 11,5 bilhões, reforçando sua posição como a maior instituição financeira privada do país.

Nos últimos anos, o setor bancário tem passado por transformações significativas com a digitalização dos serviços e a popularização do trabalho remoto. Esse processo reduziu a necessidade de grandes estruturas físicas e levou os bancos a repensarem a forma de organizar equipes.

No caso do Itaú, parte das atividades passou a ser executada de forma híbrida, com funcionários dividindo o tempo entre o escritório e o home office. A produtividade nesse modelo, no entanto, tornou-se ponto de discussão. Segundo a instituição, em alguns casos os registros de jornada não correspondiam às horas efetivamente trabalhadas, o que motivou os desligamentos.

A decisão do Itaú reacende o debate sobre os desafios do trabalho remoto no setor financeiro. Se por um lado o home office trouxe mais flexibilidade e reduziu custos, por outro levantou questionamentos sobre controle de produtividade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e confiança entre empresas e empregados.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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