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Pensando em loja física, Casas Bahia foca em Black Friday presencial

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A Casas Bahia anunciou nesta sexta feira, 24 de outubro, em uma coletiva de imprensa em São Paulo, sua estratégia para a Black Friday de 2025. A varejista manterá o conceito “Super Black ao Vivo”, que já foi utilizado em 2024, mas com uma grande aposta: levar o consumidor de volta para dentro das lojas físicas.

A campanha deste ano será híbrida, misturando o digital com o presencial. A empresa usará dados de pesquisas e o monitoramento de redes sociais em tempo real para descobrir quais produtos os consumidores mais desejam.

A partir daí, aplicará os descontos de forma direcionada, conectando o site, o marketing e o aplicativo, mas usando tudo isso como uma isca para fortalecer o movimento nas suas centenas de lojas espalhadas pelo Brasil.

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O movimento no varejo se intensifica com a proximidade da data mais esperada pelo comércio no ano | Foto: Reprodução/Divulgação Casas Bahia
O movimento no varejo se intensifica com a proximidade da data mais esperada pelo comércio no ano | Foto: Reprodução/Divulgação/Casas Bahia

O plano “Super Black ao Vivo”

Segundo Amanda Assis, gerente executiva de marketing do Grupo Casas Bahia, a estratégia é focar onde a marca é mais forte. “Ao invés de pulverizar as ofertas, identificamos em que somos fortes e o que o consumidor busca. Temos dados para observar em tempo real o que o cliente quer”, afirmou a executiva durante o evento.

A empresa definiu dois objetivos principais para esta Black Friday. O primeiro, naturalmente, é vender. O segundo é criar uma campanha que seja a “cara” da Casas Bahia, algo que o público reconheça imediatamente. “Temos que nos destacar de uma forma diferente. Com a Black ao Vivo conseguimos criar isso, sempre falando de ofertas de uma forma que a nossa mensagem fique clara para o consumidor”, disse Amanda Assis.

A meta é superar os números da campanha de 2024. No ano passado, as transmissões ao vivo (lives) promovidas pela varejista alcançaram mais de 6,5 milhões de pessoas, com mais de 500 conteúdos diferentes sendo publicados.

Famosos na rua e na internet

Para colocar o plano em prática, a Casas Bahia escalou um time de influenciadores populares. A empresa terá uma central de dados em sua sede, na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Deste local, Bia do Brás, uma das embaixadoras da campanha, fará entradas ao vivo em diversas plataformas para anunciar as ofertas.

Enquanto isso, o jornalista Marcio Canuto, também embaixador, terá a missão de rodar o Brasil visitando as lojas físicas da marca. Canuto irá negociar ofertas e produtos diretamente com os consumidores presentes na loja, no estilo “ao vivo”, que também serão disponibilizadas durante a ação “Corre que acaba”.

A comunicação contará ainda com Marcia Sensitiva. Toda segunda-feira, ela publicará em suas redes sociais as “Previsões da Semana”, que na verdade darão acesso a descontos e ofertas especiais. A estratégia digital também usará um time de outros influenciadores, como Bomtalvão e Fabão, e permitirá a negociação de condições de pagamento diretamente pelo WhatsApp.

Casas Bahia focará no investimento em mídia tradicional

Apesar do foco nos dados e nas redes sociais, a Casas Bahia não deixará de lado a mídia tradicional, que fala diretamente com o público das classes C e D. Gustavo Pimenta, diretor-executivo comercial, marketing e digital da varejista, explicou que a empresa quer trabalhar a campanha num aspecto híbrido.

“Sabemos que o ao vivo reflete muito a um ambiente digital, mas queremos colocar as lojas físicas com um papel central nas nossas estratégias”, afirmou Pimenta.

Para garantir que a mensagem chegue a todos, a empresa planeja um investimento robusto. São esperadas mais de 510 inserções de comerciais nas quatro maiores emissoras de televisão do Brasil (Band, Globo, Record e SBT). Além disso, estão previstas mais de 3 mil inserções em rádios, com ações de “blitz” nas portas das lojas, e mais de mil horas de anúncios em carros de som circulando pelos bairros.

Nas ruas, a campanha terá anúncios em pontos de ônibus e relógios (conhecidos como out-of-home) e até mesmo “lockers” (armários) expostos em pontos estratégicos, que trarão cupons de desconto para gerar curiosidade no público.

A grande aposta no crediário

O ano de 2025 marcou a segunda fase do Plano de Transformação que a varejista iniciou em 2023. A primeira fase, segundo a empresa, focou em estabilizar o caixa. Agora, a companhia trabalha na revisão de negociações com fornecedores para voltar a crescer.

Esse ajuste incluiu uma “limpeza” na base de produtos. A empresa teve uma queda de 16% na receita bruta, o que, segundo a direção, foi um movimento intencional para deixar de vender itens que não faziam parte do seu foco principal (eletrodomésticos, eletrônicos e móveis) e focar no que traz mais rentabilidade.

Para a Black Friday, a maior aposta financeira está no crediário. Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, anunciou que a meta é aumentar em 20% as vendas por crediário em relação ao ano passado. O objetivo é atingir R$ 1,2 bilhão (um bilhão e duzentos milhões de reais) vendidos apenas nesta modalidade de pagamento.

Para se ter uma ideia do tamanho da meta, a produção atual de crediário do grupo, em um mês normal, está em cerca de R$ 850 milhões (oitocentos e cinquenta milhões de reais).

Olhando para 2026 e novas parcerias

O CEO da companhia também apontou as três “alavancas” (pilares) que a empresa usará para impulsionar os resultados no próximo ano. A primeira é a Copa do Mundo, período em que a venda de televisores e produtos relacionados historicamente aumenta.

A segunda alavanca será o período eleitoral. Segundo o executivo, essa é uma ocasião em que costuma haver uma certa injeção de dinheiro na economia. “A população está empregada, mas endividada, e esse impulso nos ajuda com as vendas”, argumentou Franklin. O terceiro pilar é focado nas estratégias internas e em novos canais de venda.

Neste último ponto, a Casas Bahia anunciou na quinta-feira, 23, uma parceria de longo prazo com o Mercado Livre. O acordo permitirá que a Casas Bahia venda seus produtos, como eletrodomésticos e móveis, dentro da plataforma do Mercado Livre, começando já em novembro deste ano.

O CEO explicou que entende a importância de estar em plataformas de comércio eletrônico, afirmando que a vontade do consumidor é soberana e que a marca precisa estar em todos os pontos de contato.

“Agora podemos explorar mais um canal de vendas que é relevante e está crescendo no Brasil. Temos todos para pegar uma parte boa nessa pizza, para ampliar a nossa renda”, disse Franklin.

*Entrevista concedida ao Meio&Mensagem

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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