IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Mercado de trabalho vem dando sinais de desaceleração; entenda

Por

·

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrou em agosto de 2025 a criação de 147.358 vagas de trabalho formal segundo o governo federal. Esse número ficou abaixo das expectativas de analistas e representa queda de 38,4% em comparação com agosto de 2024.

No acumulado dos últimos 12 meses até agosto, o saldo foi de 1.438.243 empregos com carteira assinada, montante também inferior ao observado em doze meses anteriores.

Esses recuos sugerem que a pulsação do mercado formal está perdendo ímpeto após um período de velocidade maior, situação que exige atenção, especialmente para quem depende da dinamização desse segmento.

Leia também: Empreendedorismo feminino supera 10 milhões no Brasil

Com desaceleração no ritmo de geração de vagas e possível leve alta do desemprego, a massa salarial pode crescer de forma mais moderada em 2026 | Foto: Reprodução/Canva

trabalho
Com desaceleração no ritmo de geração de vagas e possível leve alta do desemprego, a massa salarial pode crescer de forma mais moderada em 2026 | Foto: Reprodução/Canva

Taxa de desemprego estaciona em patamar baixo

A Pnad Contínua registrou taxa de desemprego de 5,6% para o trimestre móvel encerrado em julho de 2025, o menor indicador da série histórica desde 2012. Esse nível igualou o registrado no trimestre até junho.

No trimestre anterior (abril a junho), a taxa havia sido de 5,8%, já visto como recorde naquele momento.

A estabilidade da taxa de desemprego num contexto de redução de criação de postos sugere que fenômenos como queda na taxa de participação ou ajustes estruturais no mercado de trabalho podem estar compensando a perda de ritmo das contratações.

O que dizem os economistas?

Segundo Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, os resultados do Caged e da Pnad mostram um mercado de trabalho “ainda bastante aquecido”, mas em trajetória de desaceleração. Ele destaca que embora o Caged ainda gere vagas, o ritmo já começa a perder força.

Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, o que observa nos dados pode ser o prenúncio de alta na taxa de desemprego nos próximos meses, sobretudo no primeiro semestre de 2026.

Gustavo Rostelato, da Armor Capital, acredita que há “perda de tração” induzida pela política de juros elevados, com reflexos mais evidentes a partir de dezembro de 2025 e início de 2026.

A economista Laura Moraes, da Neo Investimentos, chama a atenção para o fato de que a desaceleração formal nas contratações está ocorrendo justamente no setor formal, contrariando a expectativa de que recuos apareceriam antes no trabalho informal.

Setores em destaque e participação na força de trabalho

A Pnad mostra que os ganhos de emprego recentes vieram majoritariamente por setores acíclicos, como administração pública, saúde e educação, e safras agrícolas, setores menos sensíveis à política monetária.

Já o Caged evidencia que a desaceleração na criação de vagas ocorre de forma ampla, atingindo diversos setores da economia. Isso indica que os juros elevados começam a impactar todos os segmentos produtivos.

Outro ponto de atenção é que a taxa de participação da força de trabalho (percentual da população ativa que está empregada ou procurando emprego) ainda não recuperou níveis pré-pandemia. Esse fenômeno contribui para manter a taxa de desemprego baixa, mesmo quando as contratações perdem fôlego.

Projeções para 2026: quais cenários?

Menor massa salarial e pressão menor sobre preços

Com desaceleração no ritmo de geração de vagas e possível leve alta do desemprego, a massa salarial pode crescer de forma mais moderada em 2026. Isso sugere menor pressão salarial e, por consequência, menor risco de inflação elevada por esse canal.

Desemprego pode subir com moderação

Economistas entrevistados esperam que a taxa de desemprego tenha leve elevação em 2026, sem que haja um colapso no mercado de trabalho. O desafio está em equilibrar essa transição suave sem gerar choque de emprego.

Salários: aceleração ou moderação?

Dois cenários são apontados por Moraes:

  1. Se os salários não desacelerarem, isso indicaria restrição de oferta de trabalho, não demanda.
  2. Se os salários desacelerarem, isso reforçaria que a política monetária está surtindo efeito sobre a pressão inflacionária ligada ao trabalho.

O risco apontado é que estímulos adicionais relacionados ao ciclo eleitoral impulsionem a atividade justamente quando o mercado já mostra indícios de desaceleração, inviabilizando o controle da inflação.

*Entrevistas concedidas ao InfoMoney.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade