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Empreendedorismo feminino supera 10 milhões no Brasil

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A Pesquisa Empreendedorismo Feminino do Sebrae, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou que o número de mulheres donas de negócios atingiu 10,3 milhões no Brasil no terceiro trimestre de 2022. Esse patamar marca um recorde na série histórica da pesquisa.

Nesse contexto, as mulheres passaram a representar 34,4% do universo de donos de negócios no país. Historicamente, já se observava participação significativa: segundo estudo do Sebrae, em 2022 cerca de 10 milhões de mulheres empreendem no Brasil.

As empreendedoras estão presentes predominantemente nos setores de serviços, moda e alimentação, conforme tendências recentes destacadas pelo Sebrae.

Leia também: Saúde íntima da mulher: por que falar sobre isso é tão importante?

Pesquisa Empreendedorismo Feminino do Sebrae aponta recorde de 10,3 milhões de mulheres com negócios, desafios de renda e crédito | Foto: Reprodução/Canva
Pesquisa Empreendedorismo Feminino do Sebrae aponta recorde de 10,3 milhões de mulheres com negócios, desafios de renda e crédito | Foto: Reprodução/Canva

Distribuição e perfil das empreendedoras

As mulheres representam cerca de 45% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) no país, de acordo com pesquisa Perfil do MEI do Sebrae 2022.

Nos segmentos mais femininos entre MEIs destacam-se os setores de beleza (95,9%), serviços domésticos (95,6%) e confecção (94,8%).

Escolaridade e renda

Em termos de escolaridade, 72,4% das mulheres donas de negócios têm ensino médio completo ou mais, e quase 29% possuem nível superior (incompleto ou completo).

Apesar da escolaridade, o rendimento médio real das mulheres empreendedoras no quarto trimestre de 2024 foi de R$ 2.867, valor 24,4% inferior à média dos homens que empreendem.

O quanto maior escolaridade das mulheres empreendedoras em comparação aos homens não tem se traduzido em igualdade de ganhos.

Carga de trabalho e jornada dupla

A média de horas semanais dedicadas ao negócio pelas mulheres empreendedoras tem se mantido em torno de 35 horas.

Além disso, muitas enfrentam a sobrecarga da chamada “jornada dupla” — o trabalho formal +atividades domésticas e cuidado familiar, o que limita a energia remanescente para a gestão do negócio.

Desafios persistentes para o avanço

Acesso ao crédito

Mulheres empreendedoras frequentemente enfrentam condições de crédito menos favoráveis, taxas mais altas ou exigências mais rigorosas, mesmo quando têm perfil de risco semelhante ao dos homens.

Mulheres que sofreram preconceito

Cerca de 25% das empreendedoras relatam já ter sofrido preconceito por serem mulheres em seu negócio. Além disso, 42% já presenciaram outra mulher passando por discriminação no ambiente empresarial.

Permanência e mortalidade de negócios

Embora o número de empreendedoras tenha crescido, muitos empreendimentos fecham por falta de gestão, marketing ou capacitação para lidar com dificuldades operacionais. Segundo relatos e estudos do Sebrae, a sobrevivência de microempresas lideradas por mulheres é afetada pela limitação de recursos e rede de apoio.

Setores concentrados e risco de saturação

A predominância feminina em setores como moda, beleza e serviços implica maior concorrência e menor margem de expansão, quando comparados a setores industriais ou tecnológicos.

Ações de fomento e iniciativas do Sebrae

O Sebrae mantém o programa Empreendedorismo Feminino / Sebrae Delas, que oferece capacitação, mentorias e redes de apoio para mulheres que já têm ou querem iniciar negócios.

Mais de 16,9 milhões de mulheres já foram atendidas por ações do Sebrae Delas nos últimos anos e cerca de 3,8 milhões de CNPJs com mulheres sócias ou proprietárias foram beneficiados pelos programas.

Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

O Prêmio reconhece mulheres empreendedoras com perfil inovador, visão para escalabilidade, estratégia de gestão e impacto social. Mais de 100 mil candidatas já participaram e centenas foram premiadas.

Recentemente, foram incluídas categorias de tecnologia/ inovação e negócios internacionais, refletindo o avanço das mulheres também nesses campos.

Visibilidade e cultura

Ao destacar histórias de mulheres empreendedoras, o Sebrae busca aumentar a visibilidade desses negócios e reforçar relatos positivos, fomentando inspiração, redes de apoio e mudança cultural de percepção.

Impacto socioeconômico e tendências futuras

Com mulheres liderando 34,4% dos negócios no país e mais de 10 milhões de donas de empreendimento, o empreendedorismo feminino assume papel central na estrutura econômica brasileira.

O avanço da tecnologia, digitalização e comércio online favorece especialmente negócios menores e regionais, nos quais muitas mulheres já operam.

Contudo, para expandir ainda mais sua relevância, será necessário superar barreiras de capital, suporte gerencial e equidade de condições com os empreendedores homens

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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