A Caixa Econômica Federal divulgou seu resultado do terceiro trimestre de 2025 e mostrou que o banco público teve um período de crescimento, mesmo em um cenário de endividamento maior no país. Entre julho e setembro, o lucro líquido, o dinheiro que sobra após descontar todas as despesas, foi de R$ 3,8 bilhões, aumento de 15,4% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
Em relação ao trimestre anterior, o avanço foi de 2,2%. Somando tudo o que o banco ganhou desde janeiro, o lucro chega a R$ 13,5 bilhões, um crescimento de 50,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Outro indicador importante é o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que mede o quanto o banco consegue lucrar com os recursos que tem. O ROE ficou em 11,93%, ligeiramente acima do registrado no trimestre anterior e 2,6 pontos percentuais maior que em 2024.
Crédito cresce e financiamentos imobiliários puxam a alta
A Caixa encerrou setembro com uma carteira total de crédito de R$ 1,334 trilhão, o que representa aumento de 10,3% em um ano e de 3,1% em relação a junho. Essa carteira é o conjunto de todos os empréstimos e financiamentos feitos pelo banco.
O crescimento foi puxado principalmente pelo setor imobiliário, que avançou 11,4% em doze meses e somou R$ 905 bilhões. Esse segmento representa quase 70% de todo o crédito da instituição, reforçando a posição da Caixa como o maior financiador habitacional do país.
Outros setores também cresceram:
- Crédito comercial para pessoas físicas: +10,9% em um ano;
- Crédito comercial para empresas: +10,8%;
- Saneamento e infraestrutura: +4,1%;
- Agronegócio: +3,7%.
Somente no terceiro trimestre, foram liberados R$ 185,1 bilhões em empréstimos e financiamentos, 13,3% mais que no mesmo período de 2024.
O banco afirmou ainda que os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também cresceram. O FGTS é formado por depósitos feitos todo mês pelos empregadores e é usado, entre outras funções, para financiar casas populares.
Atrasos aumentam e Caixa reforça provisão contra calotes
Apesar do avanço do crédito, a inadimplência (quando o cliente atrasa o pagamento por mais de 90 dias) também subiu. O índice chegou a 3,01%, aumento de 0,74 ponto percentual em comparação a setembro de 2024.
Os maiores atrasos estão em dois grupos:
- Empresas: inadimplência de 12,5%;
- Agronegócio: 11,2%.
No agronegócio, a situação piorou especialmente após a quebra da safra de soja 2023/2024, que deixou muitos produtores em dificuldade.
Com esse cenário, o banco aumentou suas reservas de segurança, reservando R$ 5,1 bilhões, valor 64,5% maior que no ano passado. No total, a Caixa acumula R$ 59,3 bilhões guardados para essa finalidade. O índice de provisão chegou a 4,44%, sinalizando que o banco está mais cauteloso.
Margem financeira sobe e loterias têm arrecadação recorde
A margem financeira, que é o dinheiro que o banco ganha com juros e outras operações, chegou a R$ 16,5 bilhões entre julho e setembro, aumento de 14% em comparação ao ano anterior. No acumulado de 2025, ela soma R$ 49,2 bilhões, avanço de 8,8%.
As Loterias Caixa também apresentaram crescimento. A arrecadação do trimestre foi de R$ 6,4 bilhões, alta de 9,9%. Desse valor, R$ 2,4 bilhões foram repassados para programas sociais do governo nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte, segurança pública e seguridade social.
Além disso, como operador dos programas sociais federais, o banco pagou R$ 332,8 bilhões em benefícios entre janeiro e setembro.
Captação cresce e poupança ganha força
O total de recursos depositados na Caixa, incluindo poupança, investimentos e outras aplicações, atingiu R$ 1,907 trilhão, aumento de 13% em um ano.
A poupança, sozinha, chegou a R$ 391,9 bilhões, com crescimento de 2,9% e participação de quase 40% no mercado brasileiro. Já as letras de crédito, títulos usados para financiar setores como habitação e agronegócio, cresceram 40,7% e somaram R$ 272,7 bilhões.


