A interrupção no fornecimento de energia elétrica em São Paulo provocou uma corrida por soluções alternativas para manter o funcionamento de estabelecimentos comerciais e empresas. A busca por geradores de energia no estado aumentou em até 5.000% nos últimos dias, impulsionada pelos prejuízos causados pelo apagão que atingiu milhões de imóveis.
A Tecnogera, empresa especializada na locação de geradores, informou que os pedidos diários saltaram de um patamar médio de até 50 solicitações para cerca de 2.500 em apenas uma semana. A fila de espera por equipamentos ultrapassa, neste momento, 1.000 pedidos ativos, número que ilustra a dimensão da demanda represada.
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Perfil dos equipamentos mais procurados
De acordo com dados da Tecnogera, a maior parte da procura concentra-se em geradores com potência entre 100 kVA e 300 kVA. Esses modelos são amplamente utilizados por restaurantes, buffets, bares, mercados e outros comércios de médio porte que dependem de energia contínua para manter suas operações básicas.
Esses equipamentos permitem o funcionamento de câmaras frias, freezers, iluminação, sistemas de pagamento eletrônico e parte da estrutura operacional dos estabelecimentos. Em um cenário de apagão prolongado, a ausência desse suporte pode resultar em perdas imediatas de faturamento e descarte de mercadorias.
Impacto direto no comércio e nos serviços
Os setores de comércio e serviços estão entre os mais afetados pela falta de energia. Sem eletricidade, muitos estabelecimentos enfrentam dificuldades para atender clientes, especialmente no período noturno, quando a iluminação e a segurança são fatores decisivos para o funcionamento.
Além disso, a impossibilidade de conservar produtos perecíveis tem causado prejuízos expressivos. Existem diversos casos de mercados na região central da capital paulista que perderam geladeiras inteiras de sorvetes e manteigas. Em um açougue visitado pela reportagem, a perda em estoque de carnes congeladas chegou a R$ 100 mil, valor significativo para um único estabelecimento.
Prejuízos bilionários em poucos dias
O impacto econômico do apagão vai além dos casos individuais. Segundo levantamento da Fecomércio-SP, apenas entre a quarta-feira, dia 10, e a quinta-feira, dia 11, os prejuízos acumulados pelos setores de serviços e comércio em São Paulo superaram R$ 1,5 bilhão.
Esse montante inclui perdas de vendas, descarte de produtos, interrupção de serviços e custos adicionais para adaptação emergencial, como a contratação de geradores e mão de obra extra. Para pequenos e médios empresários, esse tipo de impacto compromete o fluxo de caixa e pode gerar dificuldades financeiras nos meses seguintes.
Geradores como custo emergencial
Embora o aluguel de geradores seja visto como uma solução imediata, ele representa um custo adicional relevante para os empresários. O valor da locação varia conforme a potência do equipamento, o tempo de uso e a disponibilidade no mercado. Em momentos de alta demanda, como o atual, a pressão sobre os preços tende a aumentar, tornando o acesso mais difícil para pequenos negócios.
Ainda assim, muitos comerciantes avaliam que o custo do gerador é menor do que o prejuízo causado pela paralisação total das atividades ou pela perda de estoques perecíveis, especialmente em segmentos como alimentação e hotelaria.
Distribuição de energia e medidas emergenciais
A responsabilidade pelo fornecimento de energia na capital paulista e em outras regiões do estado é da Enel. A empresa informou que trabalha para restabelecer o serviço e que a previsão mais recente é de normalização até o fim do dia de domingo, dia 14.
Durante o período crítico, a Justiça determinou o reestabelecimento prioritário da energia em estabelecimentos considerados estratégicos, como hospitais, unidades de saúde e serviços essenciais. Mesmo com essas medidas, parte do comércio permaneceu sem atendimento pleno, reforçando a busca por soluções alternativas.
Dependência energética e vulnerabilidade econômica
O episódio evidencia a dependência de setores inteiros em relação ao fornecimento contínuo de energia elétrica. Restaurantes, mercados, hotéis e prestadores de serviços digitais são diretamente impactados por interrupções prolongadas, o que explica o crescimento abrupto na demanda por geradores.
A situação também expõe a vulnerabilidade econômica de negócios que operam com margens reduzidas e alto volume de produtos perecíveis. Em poucos dias sem energia, perdas acumuladas podem ultrapassar semanas de faturamento.
Demanda segue elevada
Segundo a Tecnogera, enquanto a normalização do fornecimento de energia não ocorre de forma plena, a procura por geradores deve continuar elevada. A empresa afirma que trabalha para ampliar a capacidade de atendimento, mas destaca que a logística e a disponibilidade de equipamentos são limitadas diante de um aumento tão expressivo da demanda.


