IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Habilidades em IA impulsionam salários no Brasil em 2026; entenda

Por

·

As habilidades ligadas à inteligência artificial (IA) devem ter impacto direto nos salários pagos no Brasil em 2026. É o que aponta o Guia Salarial da Robert Half, divulgado em dezembro de 2025 e repercutido pela Forbes Brasil.

Segundo o levantamento, 83% das empresas afirmam estar mais dispostas a oferecer remunerações acima da média para profissionais que dominam competências especializadas, especialmente aquelas relacionadas ao uso e à aplicação de inteligência artificial no ambiente corporativo.

O estudo ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais em diferentes regiões do país. O recorte ajuda a dimensionar um movimento que já vinha sendo observado nos últimos anos, mas que ganha força diante da aceleração da transformação digital em empresas de diversos setores da economia.

De acordo com a Robert Half, o mercado vive um cenário de inovação contínua e forte competição por talentos qualificados. Nesse contexto, a inteligência artificial passou a ocupar posição central entre as competências consideradas críticas para o futuro do trabalho, ao lado de análise de dados, desenvolvimento de software, domínio de idiomas e conhecimento sobre a Reforma Tributária.

Leia também: Primeira classe aérea vira produto de luxo global

Estudo da Robert Half mostra que 83% das empresas pagam mais por habilidades em IA; análise aponta impactos no mercado de trabalho brasileiro em 2026 | Foto: Reprodução/Canva
Estudo da Robert Half mostra que 83% das empresas pagam mais por habilidades em IA; análise aponta impactos no mercado de trabalho brasileiro em 2026 | Foto: Reprodução/Canva

Disputa por talentos e pressão sobre salários

A disposição das empresas em pagar salários mais altos está diretamente ligada à escassez de profissionais com conhecimentos considerados estratégicos. Quanto mais raro e relevante é o domínio técnico, maior tende a ser o investimento das organizações para atrair e reter trabalhadores.

No caso da inteligência artificial, a demanda cresce em ritmo acelerado. Segundo dados citados no estudo, empresas utilizam essas tecnologias para ganhar eficiência, reduzir custos operacionais e ampliar a capacidade de análise de informações. Esse cenário pressiona a folha salarial, principalmente em cargos ligados à tecnologia, finanças, marketing e operações.

A Robert Half destaca que pagar acima da média tornou-se uma estratégia para acelerar processos de digitalização, garantir qualidade nas entregas e reduzir o risco de perda de talentos para concorrentes diretos. O movimento ocorre tanto em grandes companhias quanto em médias empresas que buscam manter competitividade em seus mercados.

Dados globais reforçam tendência

Outros levantamentos internacionais corroboram a importância crescente das habilidades em inteligência artificial. O Índice de Tendências de Trabalho 2025 da Microsoft mostra que 47% dos empregadores dão preferência a competências em IA em relação à experiência profissional tradicional no momento da contratação.

Outro dado relevante vem de um relatório conjunto da Microsoft com o LinkedIn. O estudo, que ouviu 31 mil pessoas em 31 países, incluindo o Brasil, indica que a procura por profissionais com habilidades em IA aumentou 323% entre 2018 e 2024. O crescimento reflete a incorporação dessas ferramentas em áreas que vão além da tecnologia da informação, alcançando setores administrativos, jurídicos e de atendimento ao cliente.

Habilidades técnicas mais valorizadas

Além da inteligência artificial, o Guia Salarial da Robert Half aponta outras competências associadas a salários mais altos. A análise de dados aparece como uma das principais, impulsionada pela necessidade das empresas de interpretar grandes volumes de informação para apoiar decisões estratégicas.

O desenvolvimento de software segue como habilidade-chave, especialmente em linguagens e plataformas voltadas à automação e integração de sistemas. Idiomas continuam relevantes em um mercado cada vez mais globalizado, enquanto o conhecimento sobre a Reforma Tributária ganha espaço diante das mudanças previstas na legislação brasileira e de seus impactos sobre custos e planejamento financeiro das empresas.

Caminhos para desenvolver competências em IA

O acesso ao aprendizado em inteligência artificial tornou-se mais amplo nos últimos anos, com a oferta de cursos gratuitos e de baixo custo. Plataformas de grandes empresas de tecnologia e instituições de ensino passaram a disponibilizar conteúdos voltados tanto a iniciantes quanto a profissionais que buscam especialização.

Entre as opções citadas em levantamentos recentes estão programas oferecidos pela Microsoft, cursos de aprendizado de máquina coordenados por Andrew Ng na Universidade de Stanford, além de iniciativas educacionais da IBM, do Google Cloud, da AWS e da Databricks.

Esses cursos abordam desde fundamentos de inteligência artificial e aprendizado de máquina até aplicações práticas de IA generativa e modelos de linguagem de grande porte, competências cada vez mais demandadas pelo mercado.

Equilíbrio entre técnica e comportamento

Apesar do peso crescente das habilidades técnicas, as chamadas soft skills continuam presentes nos critérios de avaliação das empresas. Comunicação, capacidade de trabalhar em equipe, adaptação a mudanças e aprendizado contínuo aparecem como complementos importantes às competências técnicas.

Segundo a Robert Half, profissionais que combinam qualificação sólida em tecnologia, experiência prática e habilidades comportamentais tendem a ocupar as faixas salariais mais elevadas dentro das organizações. Esse perfil é visto como mais preparado para lidar com ambientes de rápida transformação e para extrair valor real das ferramentas digitais disponíveis.

Impactos no mercado de trabalho brasileiro

A valorização das habilidades em inteligência artificial ocorre em um contexto de mudanças estruturais no mercado de trabalho brasileiro. Empresas de diferentes setores passaram a incorporar soluções baseadas em IA em suas rotinas, o que altera a demanda por mão de obra e redefine perfis profissionais.

Dados apresentados pela Robert Half e por estudos da Microsoft e do LinkedIn indicam que essa tendência não se restringe a grandes centros ou multinacionais. A disseminação de ferramentas digitais e o avanço do trabalho remoto ampliaram o alcance dessas competências, influenciando salários e oportunidades em diversas regiões do país.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade