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Liquidação do Will Bank: entenda o que acontecerá

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O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida comercialmente como Will Bank.

O Will Bank era controlado pelo Banco Master e tinha atuação concentrada em serviços como cartão de crédito, empréstimos e investimentos. Segundo dados informados pelo banco, a instituição possuía cerca de 12 milhões de clientes e movimentou aproximadamente R$ 7,5 bilhões ao longo do último ano. O quadro de funcionários era formado por cerca de 1.100 trabalhadores.

A liquidação extrajudicial é um regime especial aplicado pelo Banco Central quando uma instituição financeira apresenta problemas que comprometem sua continuidade. Nesse processo, as atividades do banco são interrompidas e um liquidante é nomeado para administrar a apuração de ativos e passivos.

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Liquidação amplia atenção de clientes sobre segurança dos recursos financeiros | Foto: Reprodução/NeoFeed - Divulgação Will Bank
Liquidação amplia atenção de clientes sobre segurança dos recursos financeiros | Foto: Reprodução/NeoFeed – Divulgação Will Bank

Cartões de crédito são cancelados

Antes mesmo da decretação da liquidação, a Mastercard havia suspendido o uso dos cartões do Will Bank em sua rede. Com a decisão do Banco Central, todos os cartões emitidos pela instituição foram cancelados e não podem mais ser utilizados para compras ou saques.

Isso afeta diretamente clientes que utilizavam o cartão como principal meio de pagamento no dia a dia, especialmente entre consumidores das classes C, D e E, público-alvo declarado da instituição. Despesas recorrentes vinculadas ao cartão, como assinaturas e pagamentos automáticos, também deixam de ser processadas.

O que acontece com o dinheiro investido

No caso dos investimentos mantidos no Will Bank, os clientes contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo garante a devolução de recursos aplicados em determinados produtos financeiros, como Certificados de Depósito Bancário, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conjunto de aplicações por instituição financeira.

Segundo dados do IFData, sistema de informações do Banco Central, a liquidação do Will Bank pode gerar um impacto de até R$ 6,5 bilhões em pedidos de ressarcimento ao FGC. Esse valor corresponde ao total de depósitos a prazo da fintech registrados em setembro de 2025.

Ainda não há confirmação oficial sobre o montante exato que será desembolsado pelo fundo, pois o cálculo final depende do número de clientes dentro do limite de cobertura de R$ 250 mil.

No site institucional, o Will Bank afirmava que todos os investimentos oferecidos contavam com a proteção do FGC e que, em situações de instabilidade, os clientes não sofreriam perdas dentro das regras do mecanismo.

Clientes com valores acima de R$ 250 mil

Para quem possui investimentos superiores ao limite garantido, o processo é diferente. O professor Paulo Feldmann, da FIA Business School, explicou à CNN Brasil como funciona o ressarcimento nesses casos.

Segundo ele, um cliente que tenha, por exemplo, R$ 300 mil aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDB) no Will Bank receberá inicialmente R$ 250 mil por meio do FGC. Os R$ 50 mil restantes ficam sujeitos ao processo de liquidação, que envolve a venda de ativos do banco para pagamento dos credores, sem prazo definido para conclusão.

Esse procedimento pode levar meses ou até anos, a depender da complexidade da liquidação e da capacidade de recuperação dos recursos.

Histórico recente pressiona o FGC

O caso do Will Bank ocorre em um momento em que o FGC já enfrenta o maior desembolso de sua história. No processo de liquidação do Banco Master, o FGC prevê pagar cerca de R$ 40,6 bilhões a aproximadamente 800 mil investidores.

De acordo com especialistas ouvidos pela CNN Brasil, esse volume representa um consumo relevante dos recursos do fundo. Estimativas apontam que a liquidação do Banco Master pode comprometer cerca de 40% da capacidade financeira do FGC, o que aumenta a atenção do mercado para novos episódios envolvendo instituições financeiras.

Impacto para clientes de baixa renda

A Will Financeira se apresentava como uma instituição focada no atendimento às classes C, D e E. Para esse público, a liquidação gera preocupações adicionais, especialmente para famílias que concentraram uma parcela relevante de suas economias em um único banco.

Segundo Feldmann, há situações em que a poupança de uma família inteira pode estar aplicada em uma única instituição, o que amplia o impacto quando o valor supera o limite de R$ 250 mil garantido pelo FGC. Nesses casos, parte dos recursos pode ficar indisponível por um período prolongado.

Orientações gerais sobre risco e liquidez

Especialistas em investimentos ressaltam que episódios de liquidação reforçam a importância de avaliar não apenas a rentabilidade prometida, mas também o risco e a liquidez das aplicações. A cobertura do FGC é um elemento de proteção relevante, mas possui limites e prazos que precisam ser considerados no planejamento financeiro.

A análise do objetivo do investimento, do prazo de resgate e da diversificação entre instituições são fatores citados por profissionais do mercado como pontos de atenção, sobretudo para investidores iniciantes.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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