O Carnaval começa oficialmente nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, mas os foliões já estão organizando blocos, viagens e fantasias há alguns dias. E junto com a diversão surge uma dúvida cada vez mais comum: dá para curtir sem prejudicar a carreira?
Na era das redes sociais, a fronteira entre vida pessoal e profissional ficou mais tênue. Um erro pode virar viral e impactar a reputação. Em janeiro deste ano, um caso chamou atenção nas redes sociais, quando o social media de uma concessionária publicou, por engano, vídeos curtindo um show da cantora Anitta no perfil oficial da empresa e não na conta pessoal. Nas imagens, ele aparecia se divertindo, com bebida na mão, pulando e cantando.
O conteúdo viralizou, gerou engajamento recorde e foi tratado com humor pela própria empresa. Mas o episódio reacendeu o debate: até onde a vida pessoal pode afetar a imagem profissional?
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O problema não é o carnaval, é o contexto
Para especialistas em recursos humanos, a questão não é proibir diversão, o ponto central é coerência e responsabilidade. Segundo Thiago Brehmer, sócio da consultoria digital CLA Brasil, em entrevista ao G1, as redes sociais ampliaram a visibilidade dos comportamentos: “mesmo fora do horário de trabalho, tudo pode ser registrado e ganhar grandes proporções em minutos. Pequenas atitudes comunicam valores e maturidade.”. Ou seja: não é só sobre o que você faz, é sobre como isso pode ser interpretado.
O que realmente pesa na carreira?
Para Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), um episódio isolado dificilmente destrói uma carreira. O que pesa é o conjunto entre compromisso, entregas consistentes, ética e histórico de comportamento. Um post isolado pode ser superado, mas um padrão de atrasos, faltas injustificadas e baixa produtividade, não.
O que pode dar problema no Carnaval?
Os especialistas listaram situações que geram impacto negativo:
- Atestado falso para faltar ao trabalho;
- Publicar fotos em festa dizendo estar doente;
- Ressaca recorrente que afeta o desempenho;
- Comentários ofensivos ou preconceituosos;
- Exposição exagerada associada a cargos de liderança.
No caso de atestado falso, a consequência pode ser demissão por justa causa, além de implicações legais. “O problema nunca é a festa, é a incoerência. Se alguém diz que está doente e aparece pulando no bloco, o problema é a mentira”, diz Eliane.
Bloquear o chefe nas redes resolve?
Muita gente acredita que basta bloquear gestores e colegas, mas isso não garante proteção. Mesmo perfis fechados podem ter conteúdos compartilhados por terceiros. Uma imagem pode sair do círculo privado e viralizar em minutos.
Além disso, empresas hoje avaliam profissionais de forma mais ampla, online e offline. A avaliação é cada vez mais “360 graus”, embora existam limites legais que protegem a vida privada.
O que pode ser observado são comportamentos que ferem o código de ética, exponham a marca a riscos e comprometam a confiança.