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Versatilidade brasileira do café: do grão à estratégia global

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O café. Aquela xícara de cada manhã ou de cada tarde que acompanha milhões de brasileiros e guarda memórias de encontros em família, conversas entre amigos e pausas no trabalho. Quando cruza fronteiras, leva consigo mais do que sabor e aroma: transmite criatividade, proximidade e espírito de pertencimento. Mesmo em regiões que foram berço do hábito do café, como o Oriente Médio, o que se destaca é a forma brasileira de transformar uma bebida em experiência de convivência.

Quanto mais caminho mundo afora, mais percebo que a marca Brasil se manifesta de modo único e genuíno. Nossos produtos comunicam simpatia e boa vontade, mas também competitividade. Esse traço invisível é o que nos diferencia: a capacidade de inspirar confiança, aproximar pessoas e transformar encontros em oportunidades. É isso que o café carrega quando chega a outros países — calor humano brasileiro aliado à excelência do produto.

Foi o que vivi ao entrar em uma boutique fundada em Marrakech no início do século XX, hoje presente em destinos de prestígio como Paris e capitais do Golfo. O menu era um verdadeiro catálogo de campeões: cafés especiais reconhecidos com mais de 90 pontos em prêmios internacionais. Entre eles estava o Brasil, com destaque para os grãos de Pedra Azul (ES), considerados por especialistas como alguns dos melhores do mundo.

Exportações que movimentam bilhões

Esse reconhecimento se traduz em números sólidos. Em 2024/25, o Brasil exportou 45,6 milhões de sacas de café, com receita recorde de US$ 14,7 bilhões, mantendo-se como maior exportador global. A produção prevista para 2025/26 é de 65 milhões de sacas, das quais 37 milhões de arábica. Só em julho de 2025, as exportações renderam US$ 1,03 bilhão, mesmo diante da volatilidade e do recente tarifaço dos Estados Unidos. Além disso, os cafés diferenciados já representam 18% do total exportado, com mais de 8 milhões de sacas em 2024.

Em 2024/25, o Brasil exportou 45,6 milhões de sacas de café, com receita recorde de US$ 14,7 bilhões, mantendo-se como maior exportador global.
Internamente, o setor sustenta milhões de empregos diretos e indiretos | Foto: Reprodução/Canva

São milhares de cafeterias espalhadas pelo país, do interior às capitais, funcionando como empreendimentos que geram renda, movimentam cadeias de valor e dão vitalidade às cidades. O café é também turismo, cultura e inovação.

O cenário global exige pragmatismo: manter negociações firmes com mercados tradicionais, por meio de uma articulação estratégica entre governo e setores produtivos, de forma organizada e consistente. Não há outro segredo. Ao mesmo tempo, é preciso ampliar horizontes: quanto mais diversificadas forem as nossas possibilidades comerciais, menos vulneráveis estaremos a adversidades e mais preparados estaremos para crescer.

Novos mercados, novas oportunidades

A China, que há dois milênios tem o chá como símbolo nacional, vive agora uma revolução silenciosa ao adotar o café, sobretudo entre jovens urbanos. No Oriente Médio, cafeterias abertas até de madrugada reúnem famílias e empresários em torno de sabores e experiências. São mercados em expansão, onde a marca Brasil já é percebida como referência de qualidade e sofisticação.

O café nos mostra que o cotidiano pode se tornar extraordinário, e que tradição pode andar junto com inovação. Ele é metáfora da versatilidade brasileira: capaz de estar em cada esquina, mas também nos ambientes mais exclusivos do mundo. Um grão que gera empregos, movimenta bilhões e leva consigo algo que não cabe em planilhas — criatividade, pertencimento e confiança.

O café brasileiro carrega em cada xícara um patrimônio que une competitividade e identidade cultural. É hora de enxergar além, ampliar o horizonte e levantar os olhos para mais longe: se o café já nos projetou ao mundo, outros produtos podem seguir o mesmo caminho. Essa é a nossa maior força — transformar qualidade em reconhecimento, rotina em economia e talento em futuro.

Sobre o autor Giovanna Jardim

Consultora em comunicação estratégica com 28 anos de experiência nos setores público e privado. Atua com reputação institucional, sustentabilidade e relações internacionais, tendo participado de cases premiados nos prêmios Aberje e Jatobá.

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