Durante a São Paulo Innovation Week (SPIW), com gigantes painéis sobre inteligência artificial e o futuro das smart cities, um espaço de 50 m² na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) propôs o impensável para um evento de tecnologia: a desconexão absoluta. Foi o “No Reply Zone” (NRZ), primeira instalação no Brasil da artista plástica Solange Fabião em 30 anos de carreira internacional.
Radicada no reduto artístico de Chelsea, em Nova York, e com um histórico criativo que atravessa Berlim, Fabião trouxe uma obra que é, ao mesmo tempo, um refúgio e um manifesto. Na entrada, a regra é clara: celulares no “modo avião”.

A arte não nasceu ontem. O insight inicial de Solange ocorreu em 2011, muito antes de o debate sobre a saturação digital e a onipresença da IA dominar o zeitgeist. Para a artista, a instalação é uma investigação sobre a “crise de excesso de informação” e a busca por dimensões humanas que o racionalismo não alcança.
“Minha arte tem um caráter previsional. Hoje, quinze anos após o início da criação da NRZ, vemos com clareza a repercussão do espaço virtual em nossas vidas”, afirma a artista.
Descrito como uma “ scientific life story ”, traçando um paralelo direto com as ideias do físico Marcelo Gleiser. Em seu livro The Blind Spot, Gleiser argumenta que a ciência possui limites fundamentais e que a experiência subjetiva é peça-chave na compreensão do real. Na obra, Fabião materializou o conceito através da HINTU (High Intuition) — a alta-intuição que, segundo ela, é o que resta quando desligamos as máquinas.


