O celular se consolidou como o principal canal de relacionamento entre os brasileiros e os bancos. Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgada na última sexta-feira, 26 de junho, mostram que 78% de todas as transações financeiras realizadas no país em 2025 ocorreram por aplicativos de celular.

O levantamento, realizado pela Deloitte para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), aponta que os brasileiros realizaram 240,8 bilhões de transações bancárias em 2025. Desse total, 187,5 bilhões foram feitas pelo mobile banking, número que representa crescimento de 11% em relação ao ano anterior.
O avanço também aparece na comparação de longo prazo. Nos últimos cinco anos, o volume de operações realizadas pelo celular aumentou 169%, passando de cerca de 70 bilhões em 2021 para os atuais 187,5 bilhões. Os números reforçam a mudança no comportamento dos consumidores, que cada vez mais utilizam o smartphone para administrar a vida financeira.
Aplicativos passam a fazer parte da rotina dos clientes
Além de liderar as transações bancárias, os aplicativos se tornaram o principal ponto de contato entre clientes e instituições financeiras. Segundo a pesquisa, 76% dos usuários digitais já podem ser considerados “heavy users”, expressão utilizada para identificar clientes que realizam mais de 80% das suas operações em um único canal digital.
O estudo também mostra que o relacionamento com os bancos acontece praticamente todos os dias. Entre as pessoas físicas, o acesso aos aplicativos já faz parte da rotina diária. No caso das empresas, a média é de quase dois acessos por dia.
A servidora pública Jéssica Lima, de 34 anos, moradora de Brasília, representa essa mudança de comportamento. Ela conta que há cerca de dez anos deixou de frequentar agências bancárias e passou a resolver praticamente toda a vida financeira pelo celular.
Segundo ela, pagamentos, transferências, consultas de saldo e operações via Pix são realizados de forma digital sempre que possível, reduzindo a necessidade de atendimento presencial.
Pix segue como principal meio de pagamento
O Pix continua sendo um dos principais responsáveis pelo crescimento das operações digitais no país. De acordo com a pesquisa, as transações realizadas por Pix aumentaram 19% nos aplicativos de celular e 53% no internet banking durante 2025. O sistema de pagamento instantâneo também liderou o crescimento das operações realizadas nas maquininhas utilizadas pelo comércio.
Entre as pessoas físicas, 80% das movimentações feitas por Pix ocorreram de forma instantânea. Os outros 20% ficaram distribuídos entre modalidades como Pix Cobrança, responsável por 19% das operações, Pix Agendado, com 0,3%, e Pix Crédito, que respondeu por 0,2% das transações.
Bancos ampliam investimentos em tecnologia
O crescimento das operações digitais vem acompanhado de investimentos cada vez maiores em tecnologia. Segundo a Febraban, o orçamento destinado à tecnologia da informação aumentou 58% nos últimos cinco anos e deverá alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026. O valor representa crescimento de 8% na comparação com o orçamento previsto para 2025.
Os recursos estão sendo direcionados principalmente para reforçar a segurança das operações, ampliar a infraestrutura digital e incorporar novas ferramentas tecnológicas.
A pesquisa mostra que a cibersegurança é hoje a principal prioridade do setor financeiro. Todas as instituições participantes do levantamento classificaram o tema como de alta ou média relevância. Além da proteção contra fraudes e ataques virtuais, computação em nuvem (cloud) e inteligência artificial generativa aparecem como prioridades para 84% dos bancos.
Embora a inteligência artificial já seja utilizada em diversas atividades, cerca de 60% das instituições ainda estão nas fases iniciais de implantação dessas tecnologias. No caso específico da inteligência artificial generativa, esse percentual é ainda maior, indicando que o setor ainda vive um período de testes e desenvolvimento antes de ampliar o uso dessas soluções.
A expectativa é que essas ferramentas sejam incorporadas gradualmente ao atendimento, à análise de dados, aos processos internos e ao desenvolvimento de novos produtos financeiros.
Setor amplia contratação e qualificação de profissionais
A transformação digital também tem impacto direto no mercado de trabalho. Segundo o levantamento, cerca de 226,1 mil profissionais participaram de treinamentos voltados para tecnologia no setor bancário. Além disso, 42% das instituições financeiras pretendem ampliar suas equipes de tecnologia da informação, com expectativa de crescimento médio de 22% no número de profissionais da área.
O objetivo é preparar equipes para acompanhar a evolução tecnológica, fortalecer a segurança digital e desenvolver novas soluções voltadas ao atendimento dos clientes.
Atendimento presencial perde espaço
Os dados confirmam uma mudança significativa na forma como os brasileiros utilizam os serviços bancários. Atividades que antes exigiam deslocamento até uma agência, como pagamentos, transferências, contratação de produtos financeiros e consultas de saldo, passaram a ser realizadas diretamente pelo celular em poucos minutos.
Segundo Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o mobile banking deixou de ser apenas um canal para consultas e se transformou na principal ferramenta para movimentações financeiras, investimentos e relacionamento entre clientes e bancos. Nesse cenário, as agências físicas passam a concentrar atendimentos mais especializados e consultivos, enquanto a maior parte das operações do dia a dia ocorre pelos canais digitais.
Pesquisa reúne principais bancos do país
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária chegou à 34ª edição e apresenta um panorama sobre os investimentos, as tendências tecnológicas e o comportamento dos consumidores no sistema financeiro brasileiro. A primeira etapa do levantamento foi realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, reunindo informações de 25 bancos, que representam cerca de 85% dos ativos do setor financeiro nacional. Também foram entrevistados 53 executivos da área de tecnologia.
Na segunda fase, realizada entre janeiro e abril de 2026, participaram 23 instituições financeiras, responsáveis por aproximadamente 82% dos ativos bancários do país.


