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Nova Lei da SAF 2026: O que muda na transparência dos clubes?

A sanção da Lei nº 15.427/26, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada nesta segunda-feira, 8 de junho, representa um novo capítulo para o futebol brasileiro. A atualização da legislação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) amplia as exigências de governança, transparência e proteção aos investidores, aproximando a gestão dos clubes brasileiros das melhores práticas adotadas pelos principais mercados esportivos do mundo.

A medida chega em um momento estratégico para o esporte nacional, em meio à preparação do mercado para a Copa do Mundo de 2026 e ao crescimento das discussões sobre fair play financeiro, sustentabilidade econômica e profissionalização dos clubes.

Nova Lei da SAF (Lei nº 15.427/2026) entra em vigor para exigir mais transparência, atrair fundos de investimento e mudar definitivamente a gestão financeira do futebol brasileiro | Foto: Reprodução/ Pexels
Nova Lei da SAF entra em vigor para exigir mais transparência, atrair fundos de investimento e mudar definitivamente a gestão financeira do futebol brasileiro | Foto: Reprodução/ Pexels

O que muda com a nova lei da SAF

A nova legislação aperfeiçoa a Lei nº 14.193/2021, que criou o modelo SAF no Brasil. Entre as principais mudanças estão:

  • Obrigatoriedade de membros independentes nos Conselhos de Administração e Fiscal;
  • Ampliação das regras de divulgação de informações societárias;
  • Divulgação da composição acionária e participação dos investidores;
  • Publicação de atas de assembleias e reuniões administrativas;
  • Reforço na proteção de investidores e credores;
  • Possibilidade de ligas de futebol também adotarem o modelo SAF;
  • Expansão das formas de exploração econômica de direitos ligados ao futebol.

Segundo o governo federal, o objetivo é aperfeiçoar a governança corporativa, preservar os direitos dos clubes, atletas em formação e profissionais do futebol, além de ampliar a segurança jurídica do setor.

Transparência passa a ser ativo estratégico

Historicamente, muitos clubes brasileiros enfrentaram problemas relacionados a endividamento, falta de prestação de contas e decisões administrativas pouco transparentes.

Com a nova legislação, investidores, patrocinadores, torcedores e instituições financeiras terão acesso a informações mais detalhadas sobre a situação financeira das SAFs, reduzindo riscos e aumentando a confiança no mercado esportivo brasileiro. A mudança também pode facilitar:

  • Captação de recursos no mercado de capitais;
  • Emissão de títulos financeiros especializados;
  • Entrada de fundos de investimento institucionais e estrangeiros;
  • Negociação de direitos comerciais de longo prazo;
  • Financiamento de infraestrutura esportiva e reformas de estádios.

Impacto direto na vida financeira dos clubes

A profissionalização da gestão é um dos principais benefícios do modelo SAF. Estudos sobre demonstrações financeiras de clubes que adotaram o modelo indicam avanços em indicadores econômicos, melhoria dos processos administrativos e maior controle das finanças.

Na prática, a nova lei pode contribuir para:

  • Redução do endividamento: A maior fiscalização interna e externa tende a dificultar práticas que geraram passivos bilionários em diversos clubes brasileiros nas últimas décadas. O foco passa a ser o controle da relação entre Dívida Líquida e Receita Bruta, buscando patamares saudáveis de mercado.
  • Maior atração de investidores: Investidores institucionais normalmente exigem padrões rígidos de governança antes de realizar aportes financeiros, pois a transparência reduz o custo de capital e mitiga os riscos de passivos ocultos.
  • Planejamento de longo prazo: Clubes passam a trabalhar com metas financeiras, orçamentos plurianuais e mecanismos de controle semelhantes aos utilizados em grandes empresas;
  • Valorização dos ativos: Marcas, centros de treinamento, estádios, categorias de base e contratos comerciais tornam-se mais atrativos para o mercado, gerando maior margem de lucro na negociação de ativos.

Mercado vê amadurecimento do futebol brasileiro

Desde a criação da SAF em 2021, diversos clubes passaram a atrair investidores nacionais e estrangeiros, transformando o futebol em um ambiente cada vez mais conectado ao mercado financeiro.

Contudo, o mercado também compreendeu que o modelo não é uma fórmula mágica e a gestão rigorosa é indispensável para evitar crises de fluxo de caixa.

Com a Lei nº 15.427/2026, o Brasil busca reduzir riscos de gestão, ampliar a confiança dos investidores e criar um ambiente mais próximo dos padrões internacionais de governança esportiva. A expectativa é que a combinação entre transparência, responsabilidade financeira e profissionalização fortaleça não apenas os clubes, mas toda a cadeia econômica do futebol, incluindo patrocinadores, emissoras, fornecedores, torcedores e atletas.

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