A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo terminou com recorde de público e resultados positivos para as editoras participantes. Realizado entre 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, o evento recebeu 760 mil visitantes, superando os 722 mil registrados em 2024.
Com cinco dias de ingressos esgotados, a Bienal ocupou 87 mil m², área 28% maior que a da edição anterior, e reuniu 269 expositores e 800 autores, sendo 91% brasileiros. Entre os escritores que participaram do evento estavam Raphael Montes, Conceição Evaristo, Paula Pimenta, Carina Rissi, Thalita Rebouças, Lynn Painter e Alice Oseman.
A expansão da estrutura veio acompanhada de mudanças na experiência do público, incluindo uma programação noturna voltada ao público adulto e a ampliação da iniciativa de cashback.

Recorde de público também virou venda de livros
O resultado da Bienal não ficou restrito à quantidade de pessoas que passaram pelo Distrito Anhembi. Editoras e livrarias registraram crescimento nas vendas e no faturamento em comparação com a edição de 2024, mostrando que o aumento do público também movimentou o mercado editorial.
A Rocco teve o maior faturamento de sua história no evento, com resultado 121% superior ao registrado na Bienal de São Paulo de 2024 e 37% acima da última edição da Bienal do Rio.
Sextante e Arqueiro também encerraram a participação com crescimento de 82% em relação à edição anterior realizada em São Paulo. Na Intrínseca, o faturamento avançou 85% sobre 2024.
A Companhia das Letras registrou alta de 67% no faturamento e de 55% na quantidade de exemplares vendidos. Já a VR Editora teve crescimento de 32% nas vendas e classificou a edição como a melhor de sua história.
Outro destaque veio da Livraria Loyola, que vendeu mais de 60 mil livros durante os dez dias. O resultado envolveu títulos de diferentes áreas, como ficção, literatura jovem e jovem adulta, educação, filosofia, religião, literatura infantil e mangás.
Fantasia, romance, suspense e terror entre os destaques
Os números das editoras também ajudam a mostrar quais gêneros atraíram os leitores durante a Bienal. Na Intrínseca, fantasia e comédias românticas tiveram forte procura.
A presença de títulos de fantasia, como A Guerra da Papoula, de R. F. Kuang, reforçou o interesse pelo gênero. As obras de Lynn Painter e Sarah Adams, por sua vez, ajudaram a levar muitos leitores ao estande da editora, especialmente durante o primeiro fim de semana.
Suspense e terror também ganharam espaço entre os livros mais vendidos. A série japonesa Não Mexa e O massacre da família Hope ficaram entre os destaques das vendas ao longo dos dez dias de evento.
Na Editora Mostarda, os títulos que mais chamaram atenção incluíram Meu Pé de África, de Marcos Cajé; A Menina e a Toga, de Flávia Martins de Carvalho e Micaela Prado; e O Livro da Democracia, de Cármen Lúcia, Mariana Oliveira e Sabichinho. A editora registrou crescimento de 50% nas vendas.
A variedade também apareceu nos resultados da VR Editora, que teve entre os destaques Império do Vampiro, As Palavras Não Ditas, Diário de um Banana 1, Uma Maldição para Samantha e Max Medroso.
Bienal amplia espaço para negócios e cultura
O recorde de visitantes acontece em uma edição que já havia apresentado uma expansão de 28% na área total, chegando aos 87 mil m². Antes da realização do evento, a comercialização dos espaços havia alcançado 100%, indicando a adesão de empresas e editoras à feira.
A área comercial cresceu 20%, enquanto os espaços destinados à programação cultural aumentaram 4,7%. A alimentação também ganhou 8,8% de área, acompanhando a expectativa de maior circulação e permanência dos visitantes.
A organização ainda informou uma otimização de 65% na área de infraestrutura, permitindo liberar espaço para conteúdos culturais, convivência e atividades voltadas aos negócios. Uma área externa ampliada também recebeu experiências e atividades ao longo dos dez dias.
A edição de 2026 teve a Espanha como País Convidado de Honra, com um espaço de 500 m² dedicado a debates, exposições, encontros profissionais e autores contemporâneos. A curadoria ficou sob responsabilidade da escritora Marta Sanz, com uma programação voltada à diversidade da produção editorial espanhola.
Com 760 mil visitantes e resultados recordes para diferentes empresas do setor, a Bienal de São Paulo encerrou a edição de 2026 mostrando que o evento vai além da venda de livros: reúne leitores, autores, editoras e negócios em torno de um mercado que conseguiu transformar o aumento do público em maior circulação de obras e faturamento.


