O Brasil tem vivido uma transformação significativa no setor de turismo. Mais do que visitar pontos turísticos tradicionais, os viajantes estão em busca de experiências autênticas, culturais, gastronômicas e naturais.
Esse movimento, chamado de turismo de experiência, cresce em ritmo acelerado e já traz impactos diretos na economia local de diversos destinos. A boa notícia é que esse setor estratégico acaba de ganhar reforço com o lançamento oficial do novo Plano de Marketing Turístico Internacional da Embratur.

A abertura do evento Visit Brasil Summit, que ocorreu na última segunda-feira, 19 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, foi o palco escolhido para o anúncio do plano. O encontro reúne nomes relevantes do setor turístico, representantes do governo, empreendedores e pesquisadores para debater o futuro da promoção do Brasil como destino turístico internacional.
Durante o evento, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, destacou que o Brasil registrou a chegada de 4,4 milhões de turistas nos quatro primeiros meses de 2025, um aumento de 51% em relação ao mesmo período de 2024. A título de comparação, esses números colocam o Brasil entre os países com maior crescimento no setor turístico global.
Isso representa uma entrada significativa de recursos. Considerando o gasto médio de R$ 5.000 por turista estrangeiro, estamos falando de R$ 22 bilhões movimentados apenas nesse período inicial do ano.
O que é turismo de experiência?
O turismo de experiência é um modelo que coloca o visitante no centro de vivências únicas, seja participando de uma colheita de uvas em vinícolas do Sul, aprendendo a cozinhar pratos típicos na Bahia, percorrendo trilhas em florestas amazônicas ou conhecendo comunidades quilombolas e indígenas. A proposta é conectar cultura, meio ambiente e economia local de forma sustentável e inclusiva.
Esse tipo de turismo tem chamado atenção especialmente por seu impacto direto nas comunidades. Pequenos produtores, artesãos, guias locais e negócios da economia criativa ganham protagonismo, fazendo girar a economia do entorno. Segundo dados do Ministério do Turismo, mais de 7,5 milhões de empregos no Brasil estão direta ou indiretamente ligados ao turismo.
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Para o ministro do Turismo, Celso Sabino, o turismo tem uma vantagem única: diferente de outros setores como o agronegócio, ele preserva o meio ambiente. “A produção de soja, por exemplo, demanda a abertura de campos, o que pode gerar passivos ambientais. Já o turismo quer preservar a floresta, quer plantar a árvore. E, além disso, emprega mais de sete vezes mais pessoas”, destacou durante o evento.
O plano “Brasis”: turismo como projeto de país
O novo Plano de Marketing Turístico apresentado pela Embratur tem validade até 2028 e se propõe a reposicionar o Brasil no mercado global de viagens. O plano recebeu o nome de “Brasis” e tem como eixo central a valorização da diversidade brasileira: desde paisagens naturais até expressões culturais, passando por gastronomia, religiosidade, tradições regionais e inclusão de nichos como o turismo LGBTQIA+, étnico e de aventura.
“Ao lançar esse plano, convidamos o Brasil inteiro a participar de um projeto de país. O turismo é solução para gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável”, afirmou Freixo. A proposta é criar um produto turístico organizado e competitivo que possa ser apresentado de maneira eficiente no exterior, alinhando ações de estados, municípios e iniciativa privada.
O plano conta ainda com a formalização de diretrizes por meio de uma portaria assinada pelo ministro Celso Sabino, garantindo que os futuros gestores do setor respeitem e deem continuidade às estratégias de promoção internacional.
Potencial de crescimento
Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) indicam que o turismo internacional movimentou US$ 1,4 trilhão em 2023, o que equivale à cerca de R$ 7,2 trilhões na cotação atual (considerando US$ 1 = R$ 5,15). O Brasil ainda responde por uma pequena parcela desse total, mas o crescimento recente e o novo plano sugerem que há espaço para ampliar significativamente a fatia nacional nesse mercado.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, reforçou a importância do investimento em imagem internacional. Segundo ele, o Rio segue sendo a principal vitrine do país no exterior. “É um orgulho representar esse Brasil tão diverso. Com tudo o que temos, é inacreditável que tenhamos demorado tanto tempo para ter um plano atualizado. Agora, temos como empacotar nossas belezas e vendê-las ao mundo”, afirmou durante o evento.
Perspectivas para os próximos anos
Com a retomada pós-pandemia consolidada, o turismo de experiência se mostra como uma alternativa promissora e sustentável de crescimento. O fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, aliado à inclusão de pequenas comunidades e práticas sustentáveis, coloca o país em posição estratégica para se destacar no turismo global.
“O momento é de oportunidade. Para os destinos turísticos brasileiros, é hora de se preparar, profissionalizar serviços, investir em qualificação e apostar em experiências únicas. Afinal, como bem o turismo é a grande ferramenta do século XXI para gerar emprego e alegria”, concluiu Marcelo Freixo.


