No terceiro dia do Rio Innovation Week 2025, o painel “IA além do hype! O que as fintechs já fazem?” mostrou que, para o setor financeiro, a inteligência artificial já deixou de ser uma promessa futurista e passou a ser uma ferramenta estratégica com impacto real no dia a dia.
A conversa reuniu Deborah Ribeiro Nogueira (CEO da Zayon), Sara Oliveira (coordenadora de Consultoria e Gestão da Fenasbac), Ian Oliveira (CEO da TWIGGY) e Iago Oselieri (CEO e fundador da InvestPlay) no Palco 22 do Armazém 5, com mediação da Fintech by Fenasbac.

O tom foi direto: a era de usar IA apenas pelo modismo acabou. “IA por IA, não mais. Precisamos ter propósito, pois ela pode mudar o jogo de todo mundo”, afirmou Sara Oliveira. Para ela, a tecnologia se consolida quando deixa de ser um tópico isolado e passa a estar embutida nos processos de negócios. “A partir do momento em que você para de falar sobre a tecnologia, ela vira realidade, e acho que a IA vai ter esse papel em breve.”
Do hype à prática
Os participantes compartilharam exemplos de aplicações já em operação, como análise de risco baseada em dados comportamentais, atendimento automatizado em canais digitais e sistemas avançados de prevenção a fraudes. Em vez de substituir equipes, a IA vem sendo usada para potencializar decisões, reduzir erros e aumentar a eficiência.
Iago Oselieri destacou que o setor ainda vive uma fase de adaptação acelerada: “Todo novo lançamento da OpenAI nos deixa atentos ao que vai sair, mas vai chegar um momento em que as empresas olharão para questões específicas, e isso será o foco da discussão.”
Ele também alertou para o risco de as empresas se manterem isoladas: “Precisamos sair da nossa bolha e olhar o geral. Muitas vezes, as pessoas montam processos para ficarem mais estratégicas, mas sem olhar para o impacto macro.”
A popularização que muda o jogo
Para Iago, um dos sinais mais claros de que a IA já está incorporada ao cotidiano é a adoção por públicos que antes não tinham contato direto com tecnologia avançada. “Meu pai usa IA, minha esposa usa IA. Há três anos, conseguiríamos imaginar isso? Hoje, meu pai resolve quase todos os problemas de tecnologia dele pelo ChatGPT. As empresas precisam pensar nesse novo cenário”, disse.
Essa massificação traz desafios e oportunidades. Por um lado, aumenta o nível de exigência dos usuários, que esperam respostas rápidas e personalizadas. Por outro, pressiona empresas a adaptar seus serviços para um público mais diverso em termos de idade, conhecimento e necessidades.
Impacto econômico e regulatório
O avanço da IA no setor financeiro também levanta questões econômicas e regulatórias. Segundo levantamento da McKinsey, a aplicação de inteligência artificial pode gerar ganhos anuais de até US$ 1 trilhão para a indústria global de serviços financeiros, principalmente por meio da automação de processos e personalização de ofertas. No Brasil, o Banco Central já acompanha de perto o uso da tecnologia em fintechs, buscando equilibrar inovação e segurança.
Sara Oliveira reforçou que a adoção consciente é fundamental: “Não adianta implementar IA apenas para dizer que tem. É preciso identificar problemas reais e aplicar a tecnologia para resolvê-los.” Essa visão foi compartilhada pelos demais painelistas, que apontaram que, em um futuro próximo, o diferencial competitivo não estará apenas em usar IA, mas em como cada empresa a integra à sua estratégia.
O próximo passo
Para Ian Oliveira, o futuro da IA nas fintechs passa por uma abordagem híbrida, em que humanos e máquinas colaboram de forma contínua. “Não se trata de substituir pessoas, mas de dar ferramentas para que elas tomem decisões melhores e mais rápidas.”
O consenso no painel foi que a inteligência artificial, quando usada com propósito claro e conexão direta às necessidades do cliente, pode transformar a lógica financeira. Mas o caminho para isso exige sair do “oba-oba” tecnológico e entrar em uma fase de aplicação madura, em que resultados, ética e impacto social andam juntos.


