IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Creator economy no Brasil: entre a permuta e a profissionalização

Por

·

A economia dos criadores de conteúdo, conhecida como creator economy, movimenta bilhões de reais em todo o mundo e se consolidou como parte fundamental da publicidade digital. No Brasil, esse setor ganhou força com a expansão das redes sociais e o aumento do consumo de conteúdo online.

Economia criativa movimenta bilhões pelo mundo e afeta publicidade, marketing e outras áreas | Foto: Nathan Farias\Super Finanças

De acordo com o relatório State of Influencer Marketing 2024, publicado pela consultoria Influencer Marketing Hub, o mercado global de marketing de influência deve movimentar cerca de US$ 24 bilhões em 2025, valor que corresponde a aproximadamente R$ 136 bilhões na cotação de setembro de 2025.

Apesar do avanço, o cenário nacional ainda enfrenta desafios. Allyson Petrech, CEO e fundador da ORI Creators Network, explica que o momento atual é de ajustes. “O atual momento da creator economy está um pouco bagunçado porque existem tantas possibilidades. Estamos num movimento de fazer cada pessoa entender qual é o seu nicho e a direção da carreira. Hoje temos creators, creators empreendedores, agências, plataformas e muitas outras empresas envolvidas nesse ecossistema”, afirma.

Dados da pesquisa Creators Insights 2023, realizada pela YouPix em parceria com a Nielsen, mostram que 78% dos criadores no Brasil já receberam propostas de pagamento em forma de permuta, o que indica um mercado que ainda precisa avançar na valorização do trabalho.

O impacto da permuta na vida financeira dos criadores

A prática da permuta — quando o pagamento é feito em produtos ou serviços em vez de dinheiro — continua comum na relação entre marcas e criadores, especialmente no Brasil. Para o público em geral, pode parecer vantajoso receber itens de consumo, mas, na prática, esse modelo impacta a sustentabilidade financeira dos criadores, que dependem de renda fixa para manter suas atividades.

“Permuta, eu não gosto muito porque acho que desvaloriza o mercado. A gente não consegue nivelar o valor, porque se tem gente fazendo de graça, por que vão pagar para outros? Isso me incomoda”, pontua Allyson Petrech.

Ainda assim, ele ressalta que existem exceções: “Se a permuta for um valor que bata com o valor do influenciador, da entrega dele, e valer a pena, aí faz sentido. Mas precisa ser estratégica, por relacionamento. A marca também precisa entender que vai existir o momento da recompensa financeira.”

O papel das agências na profissionalização

A mudança desse cenário passa também pelo papel das agências que fazem a intermediação da relação entre marcas e criadores. Allyson acredita que a organização das negociações é essencial para que todos os lados se beneficiem.

“O nosso trabalho, enquanto agência, para mudar essa percepção, é entender como ajudar também a marca nas estratégias. Às vezes colaborar com alguns descontos, mas organizar mesmo, sabe? Não deixar todo mundo fazer do jeito que quer, sem estrutura. É preciso construir uma comunicação que ajude marcas e criativos a entenderem que a permuta pode ser estratégica”, explica.

Um levantamento da YouPix, divulgado em 2023, mostrou que 63% dos creators ainda não possuem contratos formais com as marcas. Esse dado reforça a necessidade de maior profissionalização e segurança jurídica para os criadores, evitando práticas informais que comprometem tanto os ganhos financeiros quanto o planejamento de longo prazo.

O futuro da creator economy no Brasil

Para Allyson, a sustentabilidade da creator economy depende de os criadores enxergarem seus canais como negócios. “Para consolidar, os creators vão ter que pensar cada vez mais em negócios, em gerar negócios a partir da criação de conteúdo, e não apenas criar para receber a publi”, avalia.

Esse movimento já é observado no Brasil, com criadores que lançam marcas próprias de roupas, cosméticos ou cursos digitais. Segundo dados da Kantar Ibope Media (2024), 84% dos brasileiros seguem ao menos um criador digital nas redes sociais, o que amplia as oportunidades de negócios e reforça o potencial de consumo nesse mercado.

Enquanto o setor busca amadurecer, os números mostram que a creator economy já é parte importante da economia digital brasileira, exigindo cada vez mais estratégia e profissionalização para garantir crescimento sustentável.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade