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Reescrevendo negócios com IA: executivas discutem o novo papel da tecnologia nas empresas

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A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a integrar o núcleo estratégico das empresas. Esse foi o tema central da conversa mediada por Tatiana Oliveira, CEO da AI Brasil, com Cláudia Marquesani, diretora de TI da Copa Energia, e Telma Soares, diretora executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) e professora da Universidade Federal de Goiás, durante o AI Brasil Experience, em São Paulo.

Executivas discutem papel da Inteligência Artificial nas empresas
As convidadas abordaram como a IA está transformando modelos de negócio, redefinindo processos e exigindo novas formas de liderança, especialmente em setores tradicionais, onde a inovação ainda caminha em ritmo mais lento | Foto: Saara Paiva / SuperFinanças

Para Telma Soares, redesenhar uma empresa com base em inteligência artificial é um processo complexo, que exige preparo e visão estratégica.

“Reescrever um negócio com IA é um grande desafio. Muita gente acredita que basta começar a usar e tudo muda, mas não é assim. A IA só funciona bem quando há dados organizados e uma base digital sólida. Sem isso, não há milagre”, explicou.

Ela destacou que antes de pensar em automação é necessário mapear processos e identificar gargalos, para só então aplicar tecnologia de forma efetiva. “Durante muito tempo, o setor de TI ficou preso ao operacional. Agora, precisa entender o negócio e atuar de forma estratégica”, afirmou.

Estratégia antes da ferramenta

Cláudia Marquesani trouxe uma visão prática sobre como alinhar tecnologia e propósito. Para ela, o erro mais comum é adotar soluções sem clareza sobre o problema.

“Hoje, muitos executivos já chegam dizendo ‘quero implementar IA’. E eu pergunto: o que queremos resolver? Como a tecnologia se conecta à nossa estratégia?”, disse.

Cláudia defende que os líderes de tecnologia precisam se aproximar da operação para entender de fato o que precisa ser transformado. “É sair da sala de vidro e ir para onde as coisas acontecem. Só assim é possível perceber onde estão os pontos de melhoria e o que realmente gera valor.”

Segundo ela, resultados consistentes vêm de testes pequenos e bem estruturados, que validam hipóteses antes de grandes investimentos. “Não existe atalho. É preciso experimentar, aprender e só então escalar. E também saber dizer não — com dados, essa conversa fica mais simples.”

A transformação em setores tradicionais

Na Copa Energia, Cláudia enfrenta o desafio de aplicar IA em uma indústria conservadora. “Por ser um setor muito tradicional, tivemos que começar pela base. Letramento digital não é opcional. Precisamos mostrar aos executivos que dado é a comida da IA: se colocar lixo, o resultado será lixo”, explicou.

Ela contou que a empresa já realiza projetos de IA preditiva e automação de processos, mas que o foco permanece em capacitar equipes e garantir o uso responsável da tecnologia. “Hoje a tecnologia está nas mãos de todos. O desafio é dar autonomia com segurança. Cada projeto é testado com o mesmo rigor aplicado à segurança da informação.”

Ética e proteção de dados

No meio acadêmico, Telma Soares reforçou a importância da ética e segurança na produção de IA. “Como universidade pública, não podemos contratar empresas de fora do país para lidar com dados. Isso assegura que as informações fiquem protegidas e sob controle. Há uma responsabilidade enorme em produzir uma IA segura e confiável”, afirmou.

Ela lembrou que o uso indevido das ferramentas também é um risco. “A IA precisa ser ensinada sobre o que pode ou não fazer. Se alguém usa para abrir um documento sigiloso e essa informação vaza, o problema não está na tecnologia, mas na falta de preparo de quem a utiliza.”

Um caminho que exige consciência

Encerrando o painel, Cláudia Marquesani reforçou que a inteligência artificial é um movimento irreversível, mas que precisa ser conduzido com responsabilidade.

“Temos que ensinar as pessoas a usarem a IA com consciência. A tecnologia evolui, mas o papel da liderança é o que realmente transforma. Nos próximos anos, vamos reconstruir nossa relação com o trabalho, com os dados e com a própria tecnologia”, concluiu.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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